educação ambiental

Eventos extremos norteiam curso

Nos últimos anos, os eventos climáticos considerados atípicos têm se intensificado e atingido praticamente todas as cidades do País

Francisco Lima Neto
07/05/2020 às 09:20.
Atualizado em 29/03/2022 às 12:25

Nos últimos anos, os eventos climáticos considerados atípicos têm se intensificado e atingido praticamente todas as cidades do País, seja pelo excesso de chuva ou pela falta dela, como o período de estiagem intenso vivido em 2014 e que obrigou várias cidades da região a adotarem o racionamento como forma de manter o mínimo de abastecimento para a população. Focando nessa necessidade, a Escola da Água e Saneamento, uma iniciativa do Consórcio PCJ em parceria com a ARES-PCJ e Agência de Bacias PCJ, está com as inscrições abertas para o novo curso on-line Resiliência aos Eventos Extremos – Case Piscinões Ecológicos e Bacias de Retenção, no site http://escola.agua.org.br. O curso é composto por três encontros virtuais que abordarão as mudanças climáticas ao longo dos anos e sugere ações de contingenciamento para os impactos gerados por esses fenômenos. Em janeiro, Campinas entrou em estado de atenção porque nos três primeiros dias do ano foram acumulados 94,8 milímetros de chuva, causando riscos de deslizamentos e inundações. Em janeiro e fevereiro, várias cidades da região passaram pela situação, com registros de quedas de árvores, enxurradas e avarias em edificações. De acordo com o consórcio, o volume de chuvas registradas nos primeiros três meses deste ano em várias cidades do Sudeste expõe a necessidade urgente dos municípios se preparem melhor para a ocorrências de eventos hidrológicos extremos. Como exemplo, em Belo Horizonte, capital do Estado de Minas Gerais, choveu no trimestre quase o esperado para o ano todo, foram 1580mm até o dia 21 de março, quando o esperado para o ano todo é 1603mm, segundo o Climatempo. As precipitações em São Paulo no mês de fevereiro foram as mais volumosas dos últimos 70 anos e causaram estragos na capital e na Baixada Santista. Por outro lado, Campinas registrou o mês de abril menos chuvoso dos últimos vinte anos, com zero milímetro (mm) de chuva no período. De acordo com informações do Centro Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), essa é primeira vez - desde o começo da série histórica, iniciada em 1989 - que a cidade termina o quarto mês do ano nessas condições. Até então, o recorde de menor volume acumulado em abril, de 4mm, foi registrado em 2000. O maior volume, por sua vez, foi computado em 2012, quando 162mm de precipitação foram registrados. A média histórica para abril é 64,7mm. Curso O curso da Escola da Água é ministrado pelo assessor técnico do Consórcio PCJ, Flávio Forti Stenico, e foca na capacitação da comunidade e gestores públicos com medidas para amenizar os impactos de picos de precipitações nas cidades e área rural. A primeira videoaula aborda o tema Eventos Climáticos Extremos, com apresentações de dados sobre as variações de temperatura e como isso está alterando as precipitações atuais. Além disso, a videoaula conta também com a participação da pesquisadora do Cepagri da Unicamp, Ana Ávila, que realiza análises sobre o cenário climático atual e futuro. A segunda videoaula foca nos Piscinões Ecológicos Urbanos e atenta para a sua eficiência em reservar água durante fortes chuvas, ao mesmo tempo que promove a recarga gradual do lençol freático, aumentando a disponibilidade hídrica local. A última videoaula traz como tema Bacias de Retenção suas vantagens em áreas rurais, ao melhorar o escoamento de água pluvial em estradas vicinais, reservando grandes volumes que irão recarregar também os lençóis freáticos dessas regiões, ampliando as vazões de rios e nascentes. Esse é terceiro curso on-line promovido pelo Consórcio PCJ em sua ferramenta digital. O primeiro ocorreu em 2018 e teve como tema Ecoturismo, e o segundo em 2019 sobre Água e Saneamento – Disponibilidade e Sustentabilidade. A ampliação da iniciativa com a Escola da Água e Saneamento busca atender não só o público de educadores, mas também os técnicos da área de Saneamento. A Escola da Água e Saneamento nasceu da parceria entre Agência das Bacias PCJ, ARES-PCJ e Consórcio PCJ, com a assinatura do termo de Cooperação Institucional em 28 de setembro de 2018, com o objetivo de criar uma central de cursos na área de saneamento e recursos hídricos, para capacitar operadores e técnicos dos serviços de abastecimento e, assim, gerar melhoria nos serviços prestados à população. A condução do projeto ficou à cargo do Consórcio PCJ. Em seu primeiro ano de existência, a Escola da Água já formou quatro turmas do curso presencial “Instalação e Manutenção de Redes e Ramais de Água e Esgoto”, e a aplicação de dois cursos de EAD (Ensino a Distância), pela plataforma on line, com os temas de Ecoturismo e Água e Saneamento. O último curso presencial aconteceu na cidade de Piracicaba (SP), entre os dias 04 e 19 de novembro. Em apenas um ano, foram quase 300 alunos capacitados pelo projeto. Mais informações sobre a Escola da Água e Saneamento podem ser obtidas no site http://www.agua.org.br/cursos ou pelo site da escola http://www.escola.agua.org.br. Agência das Bacias ganha certificação O Ministério do Meio Ambiente concedeu à Agência das Bacias PCJ o Selo de Monitoramento A3P, em reconhecimento às práticas de gestão baseadas em conceitos de sustentabilidade implantadas pela Agência. A congratulação referente ao ano de 2019 atesta o empenho da instituição no cumprimento com a finalização do preenchimento do Sistema de Monitoramento da A3P e com a entrega do Relatório de Monitoramento Anual de Implementação da Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P) – esta ocorreu no último dia 31 de março. Por meio do sistema virtual de monitoramento de gestão socioambiental (Ressoa), foram analisados o consumo de água, papel, copos descartáveis e gastos com transporte aéreo e terrestre da Agência das Bacias PCJ ao longo de 12 meses, e as ações desenvolvidas visando a sustentabilidade. Entre os resultados, destaque para implantação do Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS) que definiu os procedimentos necessários para o manejo e destinação ambientalmente adequados dos resíduos gerados na instituição. No período, o consumo de copos descartáveis plásticos, utilizados para consumo de água e café, diminuiu 86%. Também foi constatada a redução de 40% na quantidade de folhas de papel sulfite adquiridas. Segundo a entidade, a adesão voluntária da Agência das Bacias PCJ à A3P, ocorreu em 2018. A iniciativa nasceu com o objetivo de estimular a reflexão sobre a responsabilidade social a partir de práticas classificadas em cinco eixos temáticos: Gestão adequada dos resíduos gerados; Licitação Sustentável Compras públicas e sustentáveis; Qualidade de vida no ambiente de trabalho; Sensibilização e Capacitação dos Colaboradores Servidores; Uso racional dos recursos naturais e bens públicos; e Construções Sustentáveis. Criado há duas décadas, o programa Agenda Ambiental na Administração Pública – A3P objetiva promover e incentivar as instituições públicas no País a adotarem e implantarem ações na área de responsabilidade socioambiental em suas atividades internas e externas. A adesão é voluntária e demanda engajamento pessoal e coletivo. As instituições e seus funcionários são incentivados a adotar ações sustentáveis. Mais informações: https://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/a3p.

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