O comboio de caminhões foi escoltado pelo Exército para abastecer na Replan e depois seguiu para o aeroporto

Militares da 11ª Brigada chegam à Replan, ontem de manhã, escoltando caminhões-tanque para abastecer com querosene de aviação: operação foi decisiva para que o aeroporto campineiro mantivesse a escala de seus voos (Thomaz Marostegan/Especial Para a AAN)
Militares da 11ª Brigada de Infantaria do Exército garantiram ontem o transporte de querosene de aviação para o Aeroporto Internacional de Viracopos. Eles chegaram na Refinaria de Paulínia por volta das 13h em um jipe, uma ambulância e quatro caminhões e fecharam a entrada da refinaria com a missão de garantir a saída de sete carretas com dois tanques de combustível cada um, de querosene. O comboio de caminhões foi escoltado pelo Exército para abastecer na Replan e depois seguiu para o aeroporto. O combustível garantiu as operações de Viracopos, que corria o risco de fechar ontem às 16h, quando terminaria o estoque de combustível. Com o carregamento da tarde, o aeroporto consegue autonomia até a noite de hoje. A concessionária informou que outro carregamento, escoltado pelo Exército, estava previsto para ocorrer na noite de ontem. Os militares darão apoio ao abastecimento do aeroporto enquanto durar a paralisação dos caminhoneiros. Por causa da crise de abastecimento em todos os aeroportos do País, dez voos foram cancelados ontem em Campinas até as 16h. Os cancelamentos ocorreram por falta de combustíveis nos aeroportos de onde os aviões decolariam ou aterrissariam. Viracopos conseguiu operar durante a manhã e parte da tarde de ontem com o combustível que conseguiu na refinaria, na noite de sexta-feira. A concessionária Aeroportos Brasil Viracopos acionou o Centro de Gerenciamento de Crises (CGC) na tarde de sexta-feira para monitorar e reduzir os impactos da interrupção da entrega do combustível às companhias que operam no aeroporto. Além da liberação do abastecimento na Replan, os militares também deram suporte na região a desbloqueio de estradas. Pela manhã, 26 viaturas deixaram a Brigada, em destino não informado pelo comando. O Exército em Campinas também ofereceu apoio logístico à Prefeitura no que a Administração precisar. Por enquanto, informou o secretário de Segurança Luiz Augusto Baggio, esse apoio ainda não está sendo necessário. "Se houver necessidade, pediremos" , afirmou. A Prefeitura conseguiu combustível na Replan para a frota de ônibus e de coleta de lixo, com apoio do Batalhão de Ações Especiais da Polícia (Baep). Jundiaí Cerca de 37 km de distância de Campinas, Jundiaí também teve estado de emergência decretado anteontem, pelo prefeito Luiz Fernando Machado (PSDB). No início da tarde de ontem, um caminhão saiu escoltado por quatro viaturas da Polícia Civil da Raízen Combustíveis, uma das distribuidoras situadas à frente da Replan, nas margens da Rodovia Zeferino Vaz (SP-332). Um dos policiais da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) da cidade, que preferiu não se identificar, explicou que antes de deixar o complexo da empresa, conversou com os caminhoneiros concentrados na entrada do MegaPolo, na saída para Cosmópolis, explicando a finalidade de uso do combustível. Devido ao motivo, os grevistas não se opuseram a passagem do comboio. Outra escolta foi realizada à tarde, quando a Polícia Militar garantiu a segurança de um oficial de Justiça que buscava, em Paulínia, caminhões-tanque de empresa que abastece presídios. Paralisação Gustavo Marsaioli, presidente do Sindicato dos Petroleiros de São Paulo (SindipetroSP), foi até a Replan também no período da tarde, com o intuito de acompanhar a atuação dos militares e o abastecimento dos caminhões. O sindicalista informou que os trabalhadores serão convocados para tomar ciência de toda a situação e aventou a chance de uma paralisação nas atividades na maior refinaria do Brasil. Prefeitura socorre lixo e a frota de ônibus Com escolta da Guarda Municipal e do Batalhão de Ações Especiais da Polícia (Baep) a Prefeitura conseguiu combustível na noite de sexta-feira, na Refinaria de Paulínia, para abastecer a frota do transporte coletivo e os caminhões de coleta de lixo. O combustível permitirá manter a coleta plena do lixo por mais cinco dias e o transporte público, com 50% da frota nas ruas, até amanhã, segundo informou ontem o prefeito Jonas Donizette (PSB). Os postos de saúde, que fecharam ontem, voltarão a abrir amanhã. Jonas acredita que o movimento grevista possa ser interrompido ainda hoje, mas que, enquanto durar, fará avaliações diárias com sua equipe para adotar medidas necessárias à manutenção dos serviços essenciais, como a que foi realizada na sexta-feira. Ele instalou um gabinete de crise para as avaliações dos impactos e das medidas a serem adotadas. Operação assegura oxigênio para hospitais e pacientes que são atendidos em casa A Prefeitura conseguiu também garantir oxigênio com a empresa fornecedora, para abastecer os hospitais e também cerca de 500 pacientes que são atendidos em casa e precisam do insumo para viver. O prefeito Jonas Donizette (PSB), que preside a Frente Nacional de Prefeitos (FNP), informou que vem recebendo ligações de prefeitos de todo o País, angustiados com a crise e em busca de perspectivas para que as cidades voltem ao pleno funcionamento. "Cada cidade tem sua peculiaridade, mas todas estão enfrentando imensos problemas. Um prefeito de uma cidade do Paraná, que tem sua economia baseada na criação de suínos, relatou que com a falta de ração, já está havendo canibalismo entre os animais. A situação é gravíssima", afirmou. Campinas está em situação de emergência desde a noite de quinta-feira. Na região, outras nove cidades adotaram a medida, para poder garantir prioridade de abastecimento nos postos que ainda possuam combustíveis e nas distribuidoras. Polícia Civil dá apoio e Sanasa consegue o cloro para a água Uma operação com apoio da Polícia Civil, realizada na noite de sexta-feira, garantiu o abastecimento de cloro na Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) e impediu que mais da metade de Campinas ficasse sem água já partir de amanhã. Com escolta policial, a empresa conseguiu trazer os cilindros de cloro de Cubatão, onde fica a empresa fornecedora do insumo. O prefeito Jonas Donizette (PSB) afirmou, ontem, que com essa operação, o abastecimento de água está garantido por mais cinco dias. O cloro disponível no estoque da Sanasa terminaria na segunda-feira, nas estações 3 e 4, que tratam 2 mil litros de água por segundo, retirados do Rio Atibaia. Uma das primeiras regiões a serem atingidas, com a eventual interrupção dessas estações seria a Norte, onde estão bairros como Alphaville, Taquaral. As estações 1 e 2 tratam 1 mil litros de água por segundo dos rios Atibaia e Capivari, e utilizam sistema de carregamento de cloro diferente das duas outras estações. O tratamento de esgoto não tem risco de parar, segundo a Sanasa, porque há estoques de insumos para o tratamento. Mas nas cidades da região a preocupação com o abastecimento de água à população é grande. Em Cosmópolis, a Prefeitura está apelando para que os moradores economizem água. A cidade não está recebendo hipoclorito de sódio, principal produto para o tratamento de água potável destinada ao consumo humano. O estoque do produto dura até a próxima quarta-feira. A medida tem como objetivo minimizar o risco de desabastecimento, caso a paralisação nacional se estenda ao longo da próxima semana. Em Amparo, a Prefeitura emitiu alerta aos moradores de três bairros que são abastecidos por caminhão-pipa para que economizem água.