TRAGÉDIA

Família está chocada com o laudo

Estefânia Andrade Resende é indiciada por três homicídios qualificados e mais uma tentativa

Alenita Ramirez
10/11/2018 às 10:26.
Atualizado em 05/04/2022 às 21:02

“Apesar de estarmos desacreditados, queremos Justiça”, disse uma irmã do pastor batista, Alessandro Monare, de 38 anos, que morreu no dia 7 de outubro em um acidente de trânsito quando voltava de Caldas Novas (GO), com a mulher e dois filhos pequenos. Apenas o filho caçula, de 6 anos, sobreviveu à tragédia e foi achado dois dias depois por um motorista, à beira na BR-050, em Araguari (MG). O laudo apontou que Estefânia Andrade Resende, de 21 anos, que dirigia um Gol e voltava de uma balada, é a responsável pelas mortes da família. Ela será indiciada por três homicídios qualificados e um tentativa de homicídio, já que Benjamin sobreviveu. A família das vítimas ainda desconhece o teor completo do laudo, mas uma das irmãs do pastor, cujo nome foi preservado, disse que a família está chocada. “Meus pais não sabem de nada. Nós, filhos, os proibimos de verem noticiários. Não queremos que eles sofram mais. Nada vai trazer meu irmão, minha cunhada e meu sobrinho de volta. Mas queremos que essa menina pague pelo que fez. Ela acabou com uma família”, disse. “Ainda estamos muito abalados”, completou a irmã do pastor Alessandro estava com a mulher, a professora Belkis da Silva Miguel Monare, de 35 anos, e os filhos Samuel, de 8 anos, e Benjamin, de 6 anos. Eles foram a uma pousada em Goiás comemorar o aniversário de Belkis. O casal e os filhos deixaram a pousada na manhã do dia 7, pois eles queriam votar e participar da Santa Ceia na Batista Vista Alegre, no Ouro Verde, onde ele era pastor. Acidente O carro em que estava a família foi atingido por outro veículo, dirigido por Estefânia, que além de não ter Carteira Nacional de Habilitação (CNH) passou à noite em uma festa em Urberlândia com outras duas amigas, demonstrava sinais de embriaguez e ainda é suspeita de portar cocaína. O veículo dela era emprestado do namorado. A defesa de Estefânia não foi encontrada para comentar o crime. O carro que Estefânia dirigia, segundo a perícia, trafegava pela pista em ziguezague e em determinado momento, a jovem não conseguiu segurar e bateu com o pneu no carro de Alessandro. O veículo dele atravessou o canteiro central e despencou em um barranco. Testemunhas avistaram dois carros se envolvendo no acidente, mas apenas o carro da jovem foi achado no local. As três jovens foram socorridas pelo resgate da concessionária MGO Rodovias, que foi avisada por uma testemunha que o outro carro tinha despencado, mas a família não foi achada. A Polícia Rodoviária também foi avisada por motoristas da existência de mais um carro e foram feitas buscas com o uso do helicóptero, mas o veículo não foi achado por estar em uma área de mata. Cassação O Ministério Público Federal (MPF) anunciou ontem que vai pedir a cassação da permissão da concessionária MGO Rodovias, por não cumprir as exigências firmadas em contrato, já que no local do acidente deveria ter uma barreira de contenção. A concessionária foi procurada ontem, mas não retornou às ligações da reportagem De acordo com informações da Polícia Civil, além da motorista, serão indiciados um médico e uma técnica de enfermagem da UPA, onde uma das jovens foi atendida, uma vez que eles teriam jogado fora um papelote contendo um pó branco similar à cocaína, achado nas roupas de uma das jovens. A polícia não confirma nem desmente se esta jovem é a Estefânia. Também o namorado dela vai responder pelo acidente, já que emprestou o carro para alguém sem habilitação. Na próxima semana, a advogada da família do pasto vai até Araguari falar com a Polícia Civil sobre os rumos da investigação. Tragédia Dois dias depois do acidente, Benjamin conseguiu sair de onde estava o carro, escalou o barranco e chegou no acostamento da rodovia. Cansado, ele sentou no meio-fio da estrada e esperou por socorro. Um caminhoneiro que passava na estrada o viu e o socorreu. “Estefânia teria declarado para a polícia que só soube que bateu em outro carro porque viu o carro dela na TV e reconheceu. Isso mostra como ela estava alterada no dia do acidente”, disse a irmã do pastor. “O Benjamin está sendo mais forte do que nós. Ele está bem, fala dos pais e do irmão, diz que sente saudades, mas muda de assunto”, revelou a irmã do pastor. Segundo ela, o menino mantém a rotina de quando os pais eram vivos. De segunda a sexta-feira, ele ficava na casa da avó materna, que é professora na escolinha onde ele estuda. Nos finais de semana, na casa dos avós paterno. “Mantivemos a rotina dele. Não queremos mudar isso. Ele está passando por psicólogo, mas está bem.” O laudo apontou que Samuel morreu na hora do acidente. Já os pais sobreviveram por mais tempo. Alessandro pode ter morrido na tarde do acidente e a mãe, Belkis, um dia depois da colisão. Portanto, Alessandro e Belkis poderiam ter sobrevividos, caso fossem socorridos. 

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