Evento que aconteceu em Sousas serviu 178 quilos de feijoada, envolvendo 16 jovens com síndrome de down e deficiência intelectual.

A Feijoadown 2018 – Feijoada com Tempero de Inclusão reuniu centenas de pessoas em Sousas na sua segunda edição hoje. O evento foi preparado e realizado por jovens com síndrome de Down e deficiência intelectual, orientados por uma terapeuta ocupacional e um professor de gastronomia. "FeijoaDown é um convite para degustar momentos de inclusão efetiva e afetiva. É a simplicidade da arte do feijão preto preparado por mãos especiais. É a riqueza do samba. É a coreografia de conquista e autonomia. É tempero de inclusão", disse Maurício Carvalho, do Maravilha MáXXIma, movimento de empreendedorismo social que organizou o evento junto com outros parceiros. A preparação que rendeu 178 quilos de feijoada começou no meio da semana. Orientados pelo professor chef Davi Furigo de Melo, 16 jovens síndrome de down, autismo e deficiência visual aprenderam cada passo do famoso prato brasileiro. “Todo mundo tem direito à dignidade. Não estamos aqui mostrando esses jovens para a sociedade, estamos ensinando a eles a arte de cozinhar e servir pessoas. Esse é o objetivo da Paladares. Convivendo com uma prima com síndrome de down por 30 anos, percebi o quanto a sociedade era carente de uma verdadeira inclusão”, falou. Além da feijoada, o chef envolve os jovens ainda no preparo diário de marmitas. “A marmitaria é outro meio de ensinar a eles uma profissão. Oferecemos pratos executivos de segunda à sexta, das 11h às 14h”. A aposentada Lourdes Nardin, de 65 anos foi conferir pela segunda vez a feijoada. “Tenho uma sobrinha com síndrome de Down que sempre foi muito tímida. O envolvimento nesse projeto transformou a vida dela. É uma honra estar aqui”, falou. “Fora que a feijoada é muito bem preparada e está uma delícia. É um evento e tanto”, completou. Para a primeira-dama de Campinas, Sandra Ciocci, o brilho do projeto está em capacitar os jovens para o mercado e para a vida. “Não se trata de um evento para angariar fundos apenas. Estamos aqui para conferir de perto esses jovens trabalhando e sendo verdadeiramente incluídos”, falou. “Sou vegetariana, mas fiz questão de participar. É uma iniciativa muito séria e que mostra o potencial de cada um deles”. O exercício da cidadania é um dos principais objetivos do evento, segundo a terapeuta ocupacional Raquel Ortega. “Uma atividade como essa fornece além das habilidades na cozinha, a capacidade desses jovens se desenvolverem socialmente. São pequenas ações como servir uma refeição ou lavar uma louça que fazem com que eles consigam desenvolver melhor no cotidiano”, explicou. “Somos todos diferentes, mas todos iguais”, ressaltou. Para ela, o maior desafio de lidar com a síndrome de down é conviver com o preconceito. “O problema não são as pessoas com a síndrome e sim as que não têm. As crianças não enxergam as diferenças, mas os adultos sim. Nossa luta é para que as pessoas saibam lidar melhor com as diferenças”, defendeu. O condutor escolar Paulo Alexandre Piccolo, de 62 anos e que tem um filho com a síndrome, também falou da transformação que o projeto causa na vida desses jovens. “Acompanho todas as atividades que eles realizam pois precisam do nosso incentivo. Estar aqui é muito importante para todos eles. É um evento incrível e que merece ser prestigiado. O contato deles com a sociedade é extremamente necessário”, defendeu. E para embalar o almoço, o evento contou com o grupo Confraria da Música: