Artesãos obedecerão às regras sanitárias contra o coronavírus

Limpeza da área ocupada pela Feira Hippie no Centro de Convivência: espaços começaram a ser demarcados (Leandro Ferreira/AAN)
Neste sábado e domingo, das 10h às 14h, volta a funcionar a Feira de Artesanato do Centro de Convivência de Campinas, a chamada "Feira Hippie", depois de quatro meses de suspensão por conta do coronavírus. Ontem, os espaços foram demarcados pelos artesãos. Dos 350 cadastrados, aproximadamente 200 estarão no local, com distanciamento de dois metros entre cada barraca e todas as regras sanitárias de proteção em vigor. Nas barracas de alimentação, as pessoas não poderão consumir no local, mas estarão liberadas para retirar o pedido e comer nas proximidades em condições de distanciamento. Carlos Percy Bragion Mendes, artesão no ramo de bijuterias há três décadas, explicou que, quando foi feito o pedido ajuda ao prefeito Jonas Donizette (PSB), em maio passado, houve um acordo de retorno em condições mínimas de saúde, definidas pela Prefeitura na fase laranja. "Na ocasião, ficou combinado que os interessados poderiam regressar na fase laranja e aqueles que não tivessem condições, ou não quisessem, poderiam continuar em isolamento, sem serem excluídos do quadro de expositores", disse. Mendes explicou que o retorno será voluntário e que aos poucos todos voltarão a expor. "O lugar na feira será mantido normalmente para todos. Quem se sente em condições poderá voltar. Hoje entre 150 e 200 expositores vão voltar. Com o tempo, o pessoal vai retornando de acordo com as regras de segurança", disse. "A feira deverá estar completa novamente somente depois do surgimento da vacina. Agora, todos os expositores vão estar com máscaras, respeitando o distanciamento e oferecendo álcool em gel. Tudo que é pedido pelos órgãos de Saúde será seguido", afirmou. A venda on-line ajudou, mas não foi suficiente. Mendes afirmou que, com a ajuda da Prefeitura, surgiu essa opção e também o drive-thru e delivery. "Porém, para muitos, isso não funcionou porque grande parte não teve um retorno suficiente para pagar os gastos", comentou. "O pessoal sobreviveu com o contato de amigos e clientes mais antigos. Por isso, a volta às vendas na feira é fundamental", disse. Nelson Aparecido Teodoro, que atua há 43 anos na Feira Hippie com artista plástico, disse que desde a feira no Largo do Rosário e depois da Praça Carlos Gomes, faz vendas de quadros com o contato direto com as pessoas. "A venda on -line ajuda, mas o contato com o público é fundamental para explicar a arte realizada e todos os detalhes", comentou. Katssiline Suelen dos Santos, que atua na barraca de pastel, afirmou que será indispensável voltar porque não conseguiu fazer as entregas pelo sistema de delivery. "O pastel é bom quando é feito na hora do pedido e quentinho. Fica complicado vender pastel frio. Por isso ficamos quase cinco meses sem vender e agora é fundamental voltar a trabalhar", afirmou. Mário César Melo Silva (conhecido como Marinho), coordenador de ação cultural na Secretaria de Cultura da Prefeitura, justificou que houve um grupo de mobilização e reuniões para definir a reabertura da feirinha. "Iniciamos uma ação para retorno as atividades. Além das recomendações com os comerciantes, definimos regras para os clientes. Houve uma discussão com o pessoal da Saúde e com o prefeito. Com isto foram organizadas todas as normas de segurança para poder voltar." Manifestação de grupo trouxe resultados Um grupo de 20 artesãos e expositores da Feira de Artesanato do Centro de Convivência realizou no dia 16 de maio uma manifestação pedindo ajuda à Prefeitura por estarem sem atuar desde o início da pandemia, em março deste ano. Os expositores da feira não tinham obtido auxílio do Governo Federal e 100% da renda deles sempre foi obtida na chamada "Feirinha", que existe há mais de 40 anos de Campinas. Os 20 manifestantes utilizaram cartazes nos semáforos da Praça Fluminense. Um dos cartazes dizia: "Sr. prefeito Jonas Donizette, pelo amor de Deus, olhe um pouco para os artesãos do Centro de Convivência. Nosso faturamento caiu 100%" . O pedido sensibilizou o prefeito, que providenciou uma reunião de seus assessores com o grupo. Foi definido na ocasião uma ajuda com apoio à divulgação dos produtos e dos expositores, via internet. Durante a pandemia, os expositores foram liberados a utilizar o espaço virtual para ministrar cursos e oferecer seus produtos. O ambiente virtual para vender produtos via internet oferecia condições para que os artesãos montassem suas lojas.