violência

Fevereiro tem recorde de estupros

A cidade apresentou ainda um aumento de 25% no número de casos, em relação ao mês de janeiro deste ano. Na ocasião, foram 27 vítimas

Henrique Hein
02/04/2018 às 09:03.
Atualizado em 23/04/2022 às 09:16
De acordo com os dados da SSP, os ataques contra vulneráveis são maioria no 1° bimestre do ano - 27 dos 59 casos, aproximadamente 55% (iStock)

De acordo com os dados da SSP, os ataques contra vulneráveis são maioria no 1° bimestre do ano - 27 dos 59 casos, aproximadamente 55% (iStock)

Campinas registrou 32 estupros no mês de fevereiro, segundo informou o balanço mensal de criminalidade da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP). O número é o maior registrado desde agosto de 2013, quando 34 pessoas sofreram agressões sexuais.  A cidade apresentou ainda um aumento de 25% no número de casos, em relação ao mês de janeiro deste ano. Na ocasião, foram 27 vítimas. Os dados também comprovam que a onda de ocorrências no município vem crescendo com o tempo. Em fevereiro do ano passado, por exemplo, 20 pessoas apresentaram queixas nas delegacias denunciando situações de abuso, o que significa um aumento de 60% no comparativo com 2018. De acordo com os cálculos realizados pelo Correio, se a média dos estupros dos últimos dois meses (29,5 por mês) continuar acontecendo até dezembro, a cidade registrará 354 agressões, um índice superior ao “recorde” de 2012, quando 300 pessoas foram vítimas do crime. De acordo ainda com os dados divulgados pela SSP, os ataques contra vulneráveis são maioria no primeiro bimestre do ano – 27 dos 59 casos, aproximadamente 55%. Desde 2016, a Secretaria tem separado a quantificação dos crimes cometidos contra vulneráveis e não-vulneráveis. Segundo a Secretaria, o estupro de vulnerável ocorre quando ele é cometido contra alguém que não possui discernimento da gravidade da ação praticada pelo agressor. São os casos dos indivíduos menores de 14 anos, com deficiência mental e daqueles que não podem oferecer resistência. Em fevereiro, o delegado da 2ª Delegacia Seccional de Campinas, José Henrique Ventura, disse que o alto número de estupros praticados contra vulneráveis não impressiona, já que cerca de 80% dos crimes desta categoria (vulneráveis ou não) envolvem pessoas que se conhecem, seja por uma relação de vizinhança, parentesco, amizade ou amorosa. Ele explica que isso é um fator que dificulta a prevenção do ato e que prender os estupradores não é uma ação que, por si só, vai resolver o problema. “O estuprador sabe que as crianças são indefesas e que não tem a quem recorrer. Quando uma delas consegue ter a coragem de contar isso para a sua mãe, por exemplo, ela dificilmente é ouvida, e até por causa disso, fica sujeita a ser estuprada mais de uma vez pelo mesmo agressor.”, explicou o delegado. Denunciar é fundamental Para Ventura, a população precisa ser mais ativa, ajudando a denunciar os atos dos agressores. Segundo ele: pais, padrastos e pessoas que costumam frequentar a casa das crianças estão no topo da lista de acometedores. “Nós estamos trabalhando muito forte na realização de campanhas para prevenção desse tipo de ação. A população precisa denunciar e, principalmente, ficar atenta com esse tipo de situação, porque a maioria dos casos de estupros ocorre com crianças dentro das suas próprias residências e entre quatro paredes”, contou. Em Campinas, o Distrito Policial (DP) que computou o maior número de estupros foi o Vilas Aeroporto (DP 9), com 9 dos 32 casos registrados em fevereiro. Ao todo, o município possui 12 Distritos Policiais. NOTA DA SSP “A Secretaria da Segurança Pública esclarece que vem adotando medidas de combate aos estupros. Como resultado disso, 2017 apresentou redução de 5% nas ocorrências em relação ao ano anterior na cidade de Campinas, que conta com duas delegacias especializadas de atendimento à mulher. Uma das ações do governo é a realização de campanhas de incentivo ao registro formal de ocorrências – um dos motivos considerados para o aumento do índice em determinados períodos. A denúncia é importante porque 82% dos estupros são praticados em ambientes privados, fora do alcance da atuação preventiva policial, e oito a cada 10 abusos são cometidos por pessoas que convivem coma vítima. Esses fatores impossibilitam a prisão em flagrante e dependem de uma ação rápida de investigação, o que reforça a necessidade de celeridade no registro de cada caso. Ademais, a partir das denúncias e de estatísticas mais próximas da realidade, o Estado pode aprimorar e desenvolver políticas públicas e ações policiais de combate ao estupro.” Fonte: Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP). SAIBA MAIS CONFIRA O NÚMERO DE ESTUPROS REGISTRADOS NOS MESES DE JANEIRO E FEVEREIRO DOS ÚLTIMOS TRÊS ANOS: Campinas Em 2016 – foram cometidos 32 estupros. Em 2017 – foram cometidos 43 estupros. Em 2018 – foram cometidos 59 estupros. Resultado dos últimos três anos: Aumento de 84,4% dos estupros. Estado de São Paulo Em 2016 – foram cometidos 1573 estupros. Em 2017 – foram cometidos 1689 estupros. Em 2018 – foram cometidos 2033 estupros. Resultado dos últimos três anos: Aumento de 29,2% dos estupros.

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