até sair a sentença

Garotos ficam em liberdade vigiada

Os agressores serão vigiados por um representante da Justiça, que fiscalizará tanto os jovens como seus pais

Alenita Ramirez
12/10/2019 às 10:37.
Atualizado em 30/03/2022 às 11:28

Os três adolescentes envolvidos na briga com outro garoto nas proximidades da Sociedade Hípica de Campinas, no dia 2 de setembro, não poderão ter nenhum tipo de contato com a vítima e nem sair da cidade enquanto não for declarada a sentença, o que deve ocorrer na próxima semana. O advogado criminalista José Pedro Said Filho, pai de um dos agressores, também foi proibido de ter contato ou se aproximar da vítima e de seus familiares. A liberdade vigiada dos jovens suspeitos de agressão foi concedida na última quinta-feira. É provisória e substitui a internação. Os agressores serão vigiados por um representante da Justiça, que fiscalizará tanto os jovens como seus pais. Na decisão final poderá ser mantida a medida sócio-educativa ou aplicada outra, que pode ser até internação, caso os garotos não tenham bom comportamento no período de liberdade vigiada. Os adolescentes estavam apreendidos desde o dia 19 de setembro. A decisão do juiz da 3ª Vara Criminal, Nelson Augusto Bernardes, sobre a liberdade vigiada ocorreu após quase cinco horas de audiência de instrução. Ao menos 23 pessoas foram convocadas, mas apenas nove foram ouvidas. Um dos menores envolvidos na agressão é filho do advogado criminalista José Pedro Said Filho, que também foi denunciado pelo Ministério Público (MP) nesta semana por participação no crime. Entre as testemunhas ouvidas, estavam a garota que supostamente teria sido pivô do desentendimento e a vítima das agressões. “A decisão foi justa, prudente, ainda mais que a decisão que decreta e mantém a internação está baseada na cautelaridade para que a instrução transcorresse de forma regular”, declarou o advogado Daniel Leon Bialski, que defende o filho de Said Filho, logo após a liberação de seu cliente. Na primeira oitiva, realizada no último dia 23, Bialski disse que seu cliente estava arrependido do que fez e que nunca negou a agressão. Também falou que o agressor perdeu a cabeça ao ser debochado da vítima. A briga aconteceu no dia 2 de setembro, quando a vítima saía de sua casa para ir na academia que fica na Hípica. O adolescente mora a cerca de 200 metros da portaria do clube e foi abordado pelos três adolescentes. A briga foi motivada por um beijo, que aconteceu dois dias antes, entre a ex-namorada do filho do advogado e a vítima. A ação foi registrada pelo sistema de monitoramento da Hípica e as imagens, entregues para a polícia. A vítima teve o nariz quebrado e trauma no rosto. Ele chegou a passar por cirurgia, no Hospital Albert Einstein. Em nota, o advogado de acusação, Pedro Marcelino, disse que “na qualidade de advogado da família da vítima, posso asseverar que assim como a anterior decisão de internação provisória dos menores foi legal e justa, a decisão segue o mesmo raciocínio. Como o juiz não sentenciou, foi bastante prudente a decisão de colocá-los em liberdade assistida”. O advogado também observou. “De qualquer maneira, entendemos que este processo é um marco de efeito pedagógico para a juventude de Campinas, para que entendam que a Lei e a Fundação Casa não são só para os menos favorecidos, como infelizmente pensam alguns. A lei é para todos! Por outro lado, houve o recebimento de denúncia contra o advogado, pai de um dos rapazes. Este será o processo onde trabalharemos ao lado do Ministério Público agora”, frisou. 

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