Os agressores serão vigiados por um representante da Justiça, que fiscalizará tanto os jovens como seus pais
Os três adolescentes envolvidos na briga com outro garoto nas proximidades da Sociedade Hípica de Campinas, no dia 2 de setembro, não poderão ter nenhum tipo de contato com a vítima e nem sair da cidade enquanto não for declarada a sentença, o que deve ocorrer na próxima semana. O advogado criminalista José Pedro Said Filho, pai de um dos agressores, também foi proibido de ter contato ou se aproximar da vítima e de seus familiares. A liberdade vigiada dos jovens suspeitos de agressão foi concedida na última quinta-feira. É provisória e substitui a internação. Os agressores serão vigiados por um representante da Justiça, que fiscalizará tanto os jovens como seus pais. Na decisão final poderá ser mantida a medida sócio-educativa ou aplicada outra, que pode ser até internação, caso os garotos não tenham bom comportamento no período de liberdade vigiada. Os adolescentes estavam apreendidos desde o dia 19 de setembro. A decisão do juiz da 3ª Vara Criminal, Nelson Augusto Bernardes, sobre a liberdade vigiada ocorreu após quase cinco horas de audiência de instrução. Ao menos 23 pessoas foram convocadas, mas apenas nove foram ouvidas. Um dos menores envolvidos na agressão é filho do advogado criminalista José Pedro Said Filho, que também foi denunciado pelo Ministério Público (MP) nesta semana por participação no crime. Entre as testemunhas ouvidas, estavam a garota que supostamente teria sido pivô do desentendimento e a vítima das agressões. “A decisão foi justa, prudente, ainda mais que a decisão que decreta e mantém a internação está baseada na cautelaridade para que a instrução transcorresse de forma regular”, declarou o advogado Daniel Leon Bialski, que defende o filho de Said Filho, logo após a liberação de seu cliente. Na primeira oitiva, realizada no último dia 23, Bialski disse que seu cliente estava arrependido do que fez e que nunca negou a agressão. Também falou que o agressor perdeu a cabeça ao ser debochado da vítima. A briga aconteceu no dia 2 de setembro, quando a vítima saía de sua casa para ir na academia que fica na Hípica. O adolescente mora a cerca de 200 metros da portaria do clube e foi abordado pelos três adolescentes. A briga foi motivada por um beijo, que aconteceu dois dias antes, entre a ex-namorada do filho do advogado e a vítima. A ação foi registrada pelo sistema de monitoramento da Hípica e as imagens, entregues para a polícia. A vítima teve o nariz quebrado e trauma no rosto. Ele chegou a passar por cirurgia, no Hospital Albert Einstein. Em nota, o advogado de acusação, Pedro Marcelino, disse que “na qualidade de advogado da família da vítima, posso asseverar que assim como a anterior decisão de internação provisória dos menores foi legal e justa, a decisão segue o mesmo raciocínio. Como o juiz não sentenciou, foi bastante prudente a decisão de colocá-los em liberdade assistida”. O advogado também observou. “De qualquer maneira, entendemos que este processo é um marco de efeito pedagógico para a juventude de Campinas, para que entendam que a Lei e a Fundação Casa não são só para os menos favorecidos, como infelizmente pensam alguns. A lei é para todos! Por outro lado, houve o recebimento de denúncia contra o advogado, pai de um dos rapazes. Este será o processo onde trabalharemos ao lado do Ministério Público agora”, frisou.