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Google turbina projetos da Unicamp

Um dos assuntos mais discutidos durante o debate político, a identificação de fake news, é tema de um dos projetos premiados pela 6ª edição do Lara

Rafaela Dias
03/11/2018 às 18:26.
Atualizado em 05/04/2022 às 22:39

Um dos assuntos mais discutidos durante o debate político no País, a identificação de fake news, é tema de um dos projetos premiados pela 6ª edição do Latin American Research Awards (Lara). A premiação destinada a estudantes de universidades da América Latina, criada pelo Centro de Engenharia do Google em Belo Horizonte reconheceu ainda outro tema desenvolvido pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) como iniciativa científica que pretende melhorar a sociedade a partir da interação entre humanos e computadores: o diagnóstico precoce do câncer de pele. “Nada me deixa mais orgulhoso do que apoiar projetos de pesquisa que propõem soluções para problemas das pessoas comuns, com grande potencial de impacto social”, afirmou o diretor de engenharia do Google para América Latina, Berthier Ribeiro-Neto. “Nosso objetivo é impulsionar a inovação e premiar os melhores projetos tecnológicos desenvolvidos para solucionar questões reais da região. O conhecimento tem que sair de dentro da universidade”, disse durante evento que aconteceu em Belo Horizonte. O diretor ressaltou ainda a presença feminina entre os pesquisadores. “Da totalidade, quatro são mulheres. Isso mostra não só o potencial feminino mas mostra que precisamos cada vez mais valorizar a diversidade”, disse. Entre as 300 inscrições realizadas e os 26 projetos escolhidos, está a pesquisa do aluno de doutourado do Instituto de Computação da Unicamp, Antônio Carlos Theóphilo Costa Júnior. A iniciativa vai criar mecanismos para combater as notícias falsas, as fake news, por meio da atribuição de autoria e análise de características de pequenas mensagens e textos publicados em plataformas de mídias sociais. “Em três anos vamos criar um protótipo que ajude nessa questão que, desde as eleições americanas em 2016, tem despertado a atenção da sociedade e levantado uma grande responsabilidade para o jornalismo”, afirmou o pesquisador. “Um grande exemplo foi uma notícia publicada pelo The New York Times e que revelava uma agência russa que disseminava notícias e perfis falsos nas redes sociais”, explicou. “Na prática, vamos criar possibilidades tecnológicas que encontrem os autores das notícias falsas, através do modo como essas informações são escritas e publicadas ao longo do tempo”, completou. Segundo ele, muitas fake news acabam se tornando verdade, pois usam parte de textos publicados por meios de comunicação confiáveis, confundindo o leitor. “Vamos procurar entender cada detalhe desse mecanismo”, contou. Para o orientador Anderson de Rezende Rocha, esse é o momento das empresas de comunicação mostrarem o valor da apuração das informações. “O jornalismo precisa se reinventar e seu desafio é mostrar, mais do que nunca, que a notícia é fruto da checagem de fatos. A democratização da informação e o mundo digital trouxeram consigo essa grave consequência e cabe a nós, como universidade, criar soluções para o que se tornou um problema”, disse o professor. Saúde Outro projeto da universidade e do mesmo instituto, é do aluno de mestrado Alceu Emaniel Bissoto, que pretende realizar o diagnóstico precoce do câncer de pele por meio de um banco de dados e imagens. “O câncer de pele é de longe o tipo mais comum de câncer. Nossa pesquisa se concentra em gerar imagens de lesão de pele em alta resolução e aumentar a confiança médica por meio da interpretabilidade dos resultados”, contou a orientadora da Unicamp Sandra Eliza Fontes de Avila. Segundo ela é preciso avançar os estudos do assunto, mas faltam informações, que são caras e exigem esforço dos especialistas. “Para contornar esse problema, o projeto propõe o uso de Redes Generativas Adversariais (GANs) para aumentação de dados”, explicou a professora. “Vamos gerar dados sintéticos, mas que sejam extremamente realistas”, completou. Ainda de acordo com ela, 30% dos cânceres diagnosticados no Brasil são de pele. “E os números estão crescendo assustadoramente, nossa ideia é dar suporte para os profissionais de saúde fazerem o diagnóstico precoce. Mas precisamos também que as pessoas levem a sério lesões na pele. Um câncer detectado nos primeiros cinco anos tem uma taxa de cura de 97%”, concluiu. Origem da mentira Também premiado, o estudo do professor Wagner Meira, do Departamento de Ciência da Computação (DCC) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), inclui ainda qual é a fonte da notícia e quem a propagou — para identificar fake news e discurso de ódio nas redes sociais. Segundo ele, a avaliação do contexto por meio da inteligência artificial aumenta até 20% a eficácia do software. “A determinação desse contexto permite uma detecção muito mais efetiva”, explicou. Outro projeto do mesmo departamento foi o portal Eleições sem Fake, que tem o objetivo de dar transparência sobre quais são os textos mais compartilhados em redes sociais em períodos eleitorais. “Com o prêmio da Google vamos ampliar o estudo para medir o grau de confiabilidade das informações”, explicou o pesquisador Júlio Soares dos Reis. Investimento Este ano, o Lara distribuirá R$ 2 milhões entre os 17 projetos nacionais, cinco colombianos, dois argentinos, um mexicano e um peruano. Entre as outras pesquisas, estão iniciativas que vão criar um professor virtual para ensinar pronúncia em inglês e até mesmo um sistema para ajudar na locomoção de deficientes visuais em ambientes desconhecidos. “Com esta iniciativa, o Google mantém seu compromisso de promover o ecossistema de pesquisa local, apoiar a academia e se engajar no espírito empreendedor da região”, afirmou o diretor da Google. CNPq: pesquisador desenvolve rede de sensores Ainda entre os projetos brasileiros, está o do pesquisador Guilherme Tomaschewski Netto, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que desenvolverá uma rede de sensores de baixo custo para o monitoramento de parâmetros meteorológicos na superfície de geleiras, bem como das taxas de derretimento dessas massas de gelo. “Já sabemos que o aquecimento global trará graves consequências para o meio ambiente. O que nos resta fazer é coletar dados precisos e melhorar essa estimativa do derretimento”, explicou Tomaschewski Netto. “Através desse projeto premiado e apoiado pelo Google, recebemos um convite para uma parceria com a Academia de Ciências da Rússia para desenvolver o mesmo sistema no ártico russo”, revelou.

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