INCÔMODO

Histórico Túnel de Pedestres continua fechado

Reabertura da histórica passagem na Vila Industrial não tem data para ocorrer

Gilson Rei
27/07/2019 às 20:08.
Atualizado em 30/03/2022 às 22:05

Fechado há um ano e cinco meses, o histórico Túnel de Pedestres da Vila Industrial, em Campinas, continua sendo um ponto de interrogação para milhares de pessoas que o utilizavam todos os dias para a travessia entre as ruas Lidgerwood, ao lado da Estação Cultura, e Antônio Manuel, na Vila Industrial. A reabertura, segundo a Prefeitura de Campinas, não tem prazo ocorrer. Em nota, o Poder Público informa apenas que “não há ainda uma definição”. No início de março de 2018, a Prefeitura fechou o acesso para retirar pichações e restaurar o espaço, que é tombado pelo patrimônio público. Parte da história de Campinas seria resgatada com a recuperação. Porém, o lugar nunca mais foi aberto. Quem precisa fazer a travessia da Estação Cultura para a Vila Industrial (e vice-versa) tem de caminhar quase dois quilômetros para chegar ao destino desejado, fazendo o contorno pela Estação Cultura, Viaduto Miguel Vicente Cury, Avenida João Jorge, Rua Francisco Teodoro e, finalmente, Rua Antônio Manuel, que liga à Rua Sales de Oliveira. Ou seja, um trajeto quase dez vezes maior que os dos 200m de extensão do túnel. Valdirene Pusso, servidora pública, defendeu a reabertura urgente do túnel para atender às necessidades de trabalho, estudo e outras situações rotineiras. “É um caminho útil e viável para a população. O Poder Público tem que fazer a manutenção, colocar iluminação e garantir a segurança. Ao mesmo tempo, a população tem que colaborar e parar com os vandalismos e depredações”, afirmou. A travessia pelo túnel facilita a vida de muita gente que trabalha ou estuda na região. Em seu entorno estão instaladas lojas, empresas prestadoras de serviço, bancos, escolas profissionalizantes, escolas públicas e a maior Igreja Universal da região, estabelecimentos que geram um fluxo de milhares de pedestres diariamente. Isabelle Cristine Dias Pereira, estudante, disse que é lamentável ter um acesso tão útil fechado para pedestres por tanto tempo. “O túnel é muito importante para os pedestres, mas parece que ninguém está preocupado com aqueles que não têm carro em Campinas”, reclamou. “A Prefeitura deveria reabrir e garantir maior segurança e iluminação no local para evitar assaltos”, reclamou. “A solução não é manter fechado, mas apenas garantir mais segurança”, sugeriu. Por ser próximo ao Terminal Metropolitano, o local apresenta um fluxo muito intenso de pedestres de toda a Região Metropolitana de Campinas (RMC), principalmente de Hortolândia e Sumaré, que chegam e saem de Campinas para o trabalho, estudo, consultas médicas e cultos religiosos. O fechamento do túnel implica em uma caminhada muito maior, que aumenta também o risco de atropelamentos, afinal, no trajeto de desvio para os pedestres estão vias como o Viaduto Cury e a Avenida João Jorge, que apresentam movimento intenso de ônibus, caminhões e outros veículos. Eduardo Santos de Almeida, estudante e morador de Hortolândia, disse que utilizava sempre o túnel para ir ao curso profissionalizante na Vila Industrial. “O túnel é perto do Terminal Metropolitano e tem um acesso rápido para a Vila Industrial. Há mais de um ano estou sendo obrigado a sair mais cedo de casa e me arriscar a pé pelo Viaduto Cury e Avenida João Jorge. O risco de assalto e de atropelamento é maior neste percurso”, disse. Fechamento O Túnel de Pedestres do complexo ferroviário na Vila Industrial fechou para reformas no início de março de 2018. A obra da Prefeitura para retirada de pichações e manutenção começou no dia 6 de março daquele ano e o prazo para reabertura, na época, era no dia 6 de abril — um mês depois. Além da pintura, o piso e a alvenaria do túnel foram recuperadas. Também foi aplicada uma resina nas paredes de tijolinho à vista nas entradas e a iluminação foi reforçada. A obra custou R$ 30 mil aos cofres públicos. Naquele ano, a Administração alegou que não reabria porque estudava medidas para evitar o vandalismo. As lâmpadas eram constantemente quebradas e a pintura das paredes recebia sempre novas pichações. Outras obras já ocorreram no passado. O túnel do começo do século 20 passou por uma reforma em 2002, quando foi realizada pela Prefeitura uma limpeza na área, além de pintura nova, troca de vidros e revisão da parte elétrica. Em 2015, o local voltou a ser alvo de obras para o Poder Público.

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