A Prefeitura e o Sindicado dos Médicos de Campinas e Região (Sindimed) estabeleceram os termos do acordo, assinado na sexta-feira

Hospital Ouro Verde: médicos voltaram ao trabalho na sexta à noite e atendimento foi normalizado ontem (Cedoc/RAC)
O funcionamento no Hospital Ouro Verde voltou ao normal no sábado (3) após a assembleia da véspera que pôs fim a greve de médicos. A audiência de mediação encerrou a paralisação que teve início na sexta-feira, (23), reivindicando o pagamento integral dos pagamentos dos salários atrasados, garantias da Prefeitura de que os insumos de materiais e medicamentos usados na unidade fossem repostos e estabilidade de emprego para os funcionários do hospital após a mudança de gestão. A Prefeitura e o Sindicado dos Médicos de Campinas e Região (Sindimed) estabeleceram os termos do acordo, assinado na sexta-feira. Embora o assunto esteja resolvido, a faixa anuncindo a greve continuava exposta em frente ao hospital. O acordo assinado pelas partes prevê que os funcionários celetistas (que trabalham no regime da Consolidação das Leis do Trabalho) continuarão recebendo o pagamento regular do salário até que a situação da nova administração - que será feita pela rede Hospital Mario Gatti - seja definida. Além disso, todos os serviços prestados durante o período de greve serão pagos. Além disso, a Prefeitura e o Sindimed se comprometeram a traçar um cronograma de reuniões e abrir um canal de diálogo permanente. A Administração também fará "esforços efetivos" para evitar a falta de materiais e medicamentos no hospital e a pagar as notas relativas aos serviços prestados pelos médicos num prazo de até 15 dias, após comprovada a regularidade de toda a documentação e mediante a comprovação da prestação desses serviços. Em relação as notas fiscais dos serviços prestados em dezembro de 2017, cuja documentação já esteja em ordem, o município se comprometeu a pagá-las na próxima semana. Na manhã de ontem, o hospital teve movimento normal, sem lotação total nas salas de espera. Muitas crianças aguardavam pelo atendimento, que estava lento. Uma paciente, que preferiu não se identificar, esperava havia três horas para que a filha fosse chamada. "Chegamos às 8h15 e até agora (11h), nada", reclamou. O atendimento emergencial, que funcionou sem problemas durante o período de greve, também atendia normalmente ontem. O atendimento de consultas deve se regularizar amanhã. Novo inquérito Na sexta-feira, o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP) abriu um inquérito civil sobre o Hospital Ouro Verde e os problemas com estrutura e falta de materiais básicos. A investigação foi aberta pela promotora de patrimônio público, Cristiane Hillal, que se baseou em relatórios do Conselho Regional de Medicina (Cremesp) que apontam má qualidade de atendimento e falta de medicamentos, além de falta de transparência na gestão da unidade. A promotora determinou que o Executivo preste esclarecimentos sobre a qualidade do serviço público, o modelo de gestão e outros pontos administrativos relativos ao Ouro Verde. A Prefeitura tem 20 dias para responder após ser oficialmente notificada. Entre os questionamentos, o MP pede esclarecimentos sobre a intervenção municipal após o escândalo envolvendo a gestação anterior, da Organização Social Vitalle, além de detalhes sobre como funcionará a nova gestão e o modelo de contratação de funcionários da Rede Mario Gatti. O presidente do Mario Gatti e interventor do Ouro Verde, Marcos Pimenta, informou que ainda não recebeu a notificação oficial do MP, mas disse que não há grande preocupação em relação ao inquérito, já que a situação é regular. "Estamos tranquilos. Não exsite uma falta generalizada de remédios, apenas de alguns que são repostos em seguida. Estou à disposição para responder as solicitações do Ministério Público".