O maior templo neoclássico do Brasil agora é considerado ponto de peregrinações e romarias

A Matriz de Santo Antônio, de Americana, que virou Santuário (César Rodrigues/AAN)
A Igreja Matriz de Santo Antônio, em Americana, passa a ser considerada um santuário. O maior templo neoclássico do Brasil, construído a partir de 1950, agora se abre a peregrinações e romarias do Brasil inteiro, com missas diárias e confessionário em tempo integral. O evento comemorativo à elevação, marcado para 13 de junho — dia do padroeiro e feriado municipal —, tem um valor simbólico ainda maior. Trata-se do primeiro passo efetivo para a transformação da cidade em sede de uma nova diocese.
A conhecida “Matriz Nova” já era famosa por possuir um rico acervo artístico-religioso. Pelas paredes e teto, se espalham afrescos dos artistas italianos Pedro e Uldorico Gentili retratando cenas bíblicas. O lado externo da cúpula é decorado por 12 imagens gigantescas, modeladas em barro e fundidas em cimento. Há lustres refinados e vitrais importados para cinco naves da igreja.
Mas o amor da população pelo templo transcende, em muito, a construção imponente. A Matriz é um patrimônio cultural. A igreja foi projetada para substituir a matriz original, erguida a partir de 1896 por imigrantes italianos estabelecidos em roças da região. O primeiro templo católico do vilarejo era basicamente uma capela, no começo da Rua Carioba.
Acontece que a vila cresceu, se emancipou de Campinas, se industrializou. Os católicos precisavam de uma igreja nova. E o monsenhor Nazareno Maggi começou uma campanha incansável pela arrecadação de recursos em paróquias, empresas, gabinetes. E a obra, caríssima, começou a ser executada em 1950 pela Lix da Cunha.
Um fato triste, durante as intervenções, também tocou o coração dos americanenses, e não só o dos católicos. O mestre Pedro Gentili, autor dos afrescos encantadores, morreu em 1968, intoxicado com as tintas que ele próprio usava. A notícia também colaborou com a transformação da igreja em um tesouro afetivo da cidade.
Coube ao irmão Uldorico Gentili a conclusão dos afrescos, em 1972. No mesmo ano morreu o idealizador Nazareno Maggi. E o templo ganhou os retoques finais só em 1977, ou seja, quase três décadas depois de lançadas as fundações.
Hoje, a elevação a santuário é comemorada pelo padre Leandro Ricardo que, por sinal, é o primeiro pároco da Matriz a ter nascido em Americana. “A gente recebe da Igreja o reconhecimento por uma atuação histórica. Há mais de cem anos, os católicos da cidade se envolvem na construção dos templos e na disseminação das atividades pastorais”, diz.
Futuro
Com a elevação anunciada pelo bispo Vilson Dias de Oliveira, da Diocese de Limeira, a igreja velha ganha de volta o status de Igreja Matriz de Americana, com missas às quintas-feiras e sábados.
O prédio será reformado para abrigar um museu sacro. O padre Leandro assume a função de reitor do nono Santuário de Santo Antônio de Pádua e passa a administrar um templo transformado em atração turística.
Mas o futuro promete mais novidades. Já corre, no Vaticano, o processo que pretende transformar Americana em sede de uma nova diocese. Ainda informalmente, farão parte dela, além da sede, as paróquias dos municípios de Santa Bárbara d’Oeste, Nova Odessa e Sumaré. “Além da proximidade geográfica, as cidades são culturalmente identificadas com Americana”, diz o padre.