Um grupo de 13 pessoas, entre sindicalistas e servidores, está desde a tarde da última terça em uma das salas de reuniões do setor administrativo

Grevistas fazem vigília enquanto 13 pessoas permanecem no interior (Leandro Torres/AAN)
O reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, disse que não vai ceder às pressões do Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU), que exige que ele vá pessoalmente à Reitoria para negociar as reivindicações da categoria. Um grupo de 13 pessoas, entre sindicalistas e servidores, está desde a tarde da última terça em uma das salas de reuniões do setor administrativo da Reitoria, e outros grevistas estão acampados em vigília em frente ao prédio. “Na tarde da quarta-feira havia sinalização de conversas que eles deixariam o prédio se eu fosse à reunião pessoalmente. Cancelei todos os meus compromissos e fiquei esperando essa reunião e não houve a reunião por um motivo simples. Eu falei: ‘Só faço se desocuparem a Reitoria. Se não houver desocupação não tem reunião’, e eles não desocuparam. Até queriam, mas deixaram um grupo lá dentro. Eu disse que isso era inconcebível, que não há negociação na questão do patrimônio público, da institucionalidade”, disse Knobel. "A gente precisa ter a Reitoria desocupada antes de qualquer negociação, qualquer discussão e qualquer conversa. A gente precisa trabalhar com respeito aos outros, que querem a greve e os que também querem trabalhar. Eles estão lá e estamos nesse impasse. Estou disposto a discutir, mas naturalmente a discussão oficial, com a desocupação", acrescentou o reitor. A diretora do STU, Margarida Barbosa, rebateu e disse que o grupo não ocupou a Reitoria e que o prédio está aberto. Segundo ela, os manifestantes estão no mesmo local que foram deixados na terça-feira, aguardando a presença do reitor. “A gente quer que ele venha aqui pessoalmente falar conosco. Não queremos diretores, queremos ele. Se ele não vier, vamos ficar aqui este mês inteiro, agosto, setembro, quanto tempo for necessário. Não ocupamos o prédio. Ele está aberto para qualquer um”, disse. Segundo Knobel, na manhã de ontem ele enviou um ofício ao sindicato informando que se os representantes desocupassem o prédio haveria uma reunião às 16h, mas os sindicalistas garantiram que não deixariam o local. Os servidores da Unicamp estão em greve desde o dia 22. A categoria pede reajuste do vale-alimentação de R$ 850,00 para R$ 1.080,00, ou seja, aumento de R$ 230,00, retirada dos descontos dos salários dos servidores em greve, melhores condições de trabalho e reajuste de 12,6%. A administração informou não ter como atender aumento superior a R$ 100,00 e citou um déficit de R$ 240 milhões em 2018 no orçamento. Justiça multa entidade em R$ 5 mil pelo bloqueio Anteontem, a Justiça decidiu multar o STU em R$ 5 mil pelo bloqueio feito na entrada da universidade, no campus de Barão Geraldo, no dia 29 de junho. De acordo com Knobel, a universidade já havia ganho uma liminar em caráter preventivo, no dia 18 de junho, que impedia a interdição do acesso ao prédio público e aos servidores. Na decisão, o juiz Mauro Iuji Fukumoto, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Campinas, afirma, mediante análise de fotografias, que as imagens “demonstram que não houve uma mera aglomeração ou reunião, mas fechamento total da portaria de acesso ao campus”. O STU disse que os rumos sobre a decisão da Justiça seriam discutidos ontem. O magistrado ainda cita na decisão que “o bloqueio não tenha propriamente ocorrido na entrada de um prédio público, como em oportunidade anterior, é nítido que o objetivo do ato foi impedir o acesso de servidores aos seus locais de trabalho, o que caracteriza o descumprimento da decisão que concedeu a liminar”. O montante da multa se refere a um “único descumprimento por evento”. “Isso é algo inconcebível. Não podemos aceitar este tipo de situação. Provocou transtornos e trânsito na região”, disse Knobel em entrevista coletiva na manhã de ontem.