Reconhecimento do religioso é um dos passos no processo para beatificação e canonização, iniciado em 2003

"A crônica familiar sempre reconheceu sua aura de santidade", afirma o sobrinho Geraldo Giovanni (Reprodução)
O irmão Roberto Giovanni, que passou seus últimos meses de vida na casa de repouso dos Padres e Irmãos Estigmatinos, em Campinas, foi declarado venerável pelo Vaticano. O decreto foi publicado na quarta-feira, após reunião do papa Francisco com o prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, Marcello Semeraro. Falecido em janeiro de 1994, o reconhecimento do religioso como venerável é um dos passos dentro do processo para sua beatificação e canonização, iniciado em 2003."A crônica familiar sempre reconheceu sua aura de santidade. Desde muito jovem dedicou sua vida aos pobres, aos quais atendia sem qualquer limitação de tempo ou modo. Roupas, remédios, dinheiro, curativos, companhia, palavras de consolo ou emulação, tudo isso ele sempre fez, sem interrupção, ao longo de sua vida. Toda a família é testemunha disso e nos lembramos com alegrias das frequentes e inúmeras "vaquinhas" que fazíamos pelos óculos de Tio Berto", afirma seu sobrinho, Geraldo Giovanni.Ele se lembra do tio como uma "figura franzina, de homem que quase não comia, percorria os bairros pobres atendendo a todos ininterruptamente, mobilizando recursos de todo tipo e origem para prover quem necessitasse, menos para si mesmo".Há uma história pitoresca sobre irmão Roberto, conta Giovanni. "Os padres do seminário tentavam descobrir quem depenava a dispensa do seminário em incursões noturnas e silenciosas. Era ele, que madrugada adentro entregava os mantimentos nas casas dos pobres. Foi além dessa atividade caridosa".Com o tempo, contou, passou a ser procurado pela população para que ajudasse a conseguir graças. "Foi ficando tão conhecido por isso que o próprio Padre Donizete (que foi declarado beato pelo Vaticano, seu contemporâneo de Tambaú, homem um tanto rude, dizia a seus fiéis que vinham de casa Branca: vão embora daqui, vocês eu não atendo. O que fazem aqui se já tem o Irmão Roberto?"Para o padre Elizio Anunciação, da congregação dos estigmatinos e colaborador na Igreja de Santa Edwiges em Campinas, a notícia já era esperada desde o ano passado e foi recebida como muita honra pelos religiosos. "É de grande conforto ter um brasileiro, do Estado de São Paulo, de Casa Branca, como venerável, e sinaliza que a vida precisa ser preservada. Durante 90 anos ele viveu uma vida cristã, de fé, esperança, caridade", disse. Além disso, viveu plenamente as chamadas virtudes cardinais: prudência, justiça, força e temperança.O religioso era parente de Rita Lee - a mãe dela era prima de irmão Roberto. Nascido em Rio Claro, o religioso passou a maior parte de sua vida em Casa Branca, onde se dedicou ao serviço paroquial, ao Santuário Nossa Senhora do Desterro e à assistência espiritual ao povo, especialmente aos pobres e doentes. Tido como santo pela comunidade e por muitas pessoas afirmarem que alcançaram graças por sua intercessão, foi aberto o processo canônico para a beatificação e canonização, a pedido do bispo de São João da Boa Vista que atendeu a demanda da população de Casa Branca, no centenário de sua morte.Com a abertura do processo, irmão Roberto foi declarado "servo de Deus". A beatificação, próximo passo no processo, ocorre após a verificação de um milagre atribuído à intercessão do venerável. O milagre deve ser uma cura inexplicável à luz da ciência e da medicina. Depois disso, será preciso que mais um milagre seja comprovado para que a Igreja o declare como santo.Irmão Roberto veio morar em Campinas em novembro de 1993, na casa de repouso mantida pela Congregação dos Sagrados Estigmas de Nosso Senhor Jesus Cristo. Já com a saúde debilitada, foi acometido por uma pneumonia e morreu em janeiro do ano seguinte, aos 90 anos. Ele está sepultado ao lado do altar-mor do Santuário Nossa Senhora do Desterro, onde costumava rezar, em Casa Branca.