Casa de shows instalada em Joaquim Egídio coloca transporte à disposição dos frequentadores
Uma jardineira estilo school bus foi resgatada por uma das casas de shows e restaurante do distrito de Joaquim Egídio, em Campinas para segurança daqueles que gostam de sair à noite e não abrem mão da bebida alcoólica. O veículo antigo estilizado foi reformado para seguir a nova tendência social de fazer o compartilhamento de veículos e, ao mesmo tempo, atender ao número cada vez maior de pessoas preocupadas com o transporte seguro e consciente após jantares, baladas e noitadas. Nesta fase inicial de uso de um ônibus retrô como alternativa de transporte, os interessados poderão viajar na jardineira todas as sextas-feiras, partindo e um ponto autorizado em uma praça, no bairro Cambuí, que leva gratuitamente as pessoas até o restaurante Paioça do Caboclo em Joaquim Egídio, estabelecimento que lançou a novidade na região. No final da noite, o ônibus traz de volta as pessoas ao ponto de partida no Cambuí, sem custo algum para os viajantes. O roteiro garante um conforto a mais aos usuários que não querem dirigir a noite nos trechos de estrada e nas ruas dos distritos de Sousas e Joaquim Egídio, principalmente depois de consumir bebida alcoólica nos shows ao vivo que ocorrem todas as sextas-feiras no local. Pedro Carlos do Oliveira Neto, sócio-proprietário do Paioça, disse que o projeto de compartilhar a jardineira surgiu por vários motivos. "Primeiro, porque as pessoas saem despreocupadas para se divertir em baladas, shows e jantares. Muitos acabam consumindo um pouco de bebida alcoólica e não querem assumir o volante de um carro. Hoje, há uma conscientização maior neste aspecto e ninguém quer se envolver em acidentes ou receber multas de trânsito" , afirmou. Outro fator importante, segundo Pedro Neto, é a tendência crescente entre as pessoas que frequentam o restaurante de fazer o uso compartilhado de veículos. "Há uma geração de jovens que adotou o compartilhamento como filosofia de vida não só no uso de carros, mas em outras coisas como livros, bicicletas, patinetes, transporte por aplicativo e outras coisas" , disse. Além disso, as pessoas saem para se divertir sem se preocupar com o estresse do trânsito. "Alguns elegem alguém que não consumiu bebida alcoólica para dirigir; outros utilizam o transporte por aplicativo ou o táxi. Tem aqueles também que pedem carona de amigos para não assumir o volante" , disse. Nesta fase de lançamento do serviço, as pessoas interessadas em utilizar o ônibus precisam fazer um agendamento alguns dias antes nos contatos telefônicos do Paioça. O ônibus tem capacidade para 20 pessoas e, quando a demanda ultrapassa o limite, o Paioça disponibiliza vans para levar e trazer de volta as pessoas. "Se a procura for muito além do esperado, a ideia é de ampliar o número de ônibus" , afirmou Pedro Neto. A jardineira é uma opção também para o uso de grupos de amigos e amigas que desejarem agendar a viagem. Segundo Pedro Neto, existe muito pedido de grupos de pessoas que vão fazer comemorações especiais e aniversários entre outros encontros no Paioça. Pedro Neto disse também que o veículo, por ser mais antigo, já está devidamente regularizado junto à Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), dentro das normas de segurança e com toda a manutenção em dia. ‘É mais seguro e barato’, afirma frequentadora Frequentadores do restaurante apontaram que a jardineira, além de evitar acidentes e problemas no trânsito, é mais segura e econômica. Um grupo de amigas que frequentam sempre o local aprovou a novidade. Nicole Kevellin, disse que a jardineira foi uma boa ideia. "É fantástica, pois a gente pode vir; se divertir e não se preocupar com blitzes, nem com estacionamento do carro ou com a possibilidade de furto. Dá para aproveitar a vontade" , afirmou. "Pode também utilizar o transporte aplicativo até o ponto de partida e o usar o dinheiro economizado para gastar na balada" , comentou. Evellyn Adorno disse que vai toda sexta-feira para os shows e que o ônibus é uma ótima opção. "Moro próximo ao Cambuí e com carro seria muito mais complicado e mais difícil. Eu gastaria 80 reais com Uber até o Paioça e com a jardineira acabo gastando 15 reais" , comparou. "Além disso, quem usa a jardineira pode consumir um pouco de bebida alcoólica sem se preocupar em dirigir ou e envolver com acidentes ou multas" , afirmou. Já Abigail Mariana lembrou da possibilidade de ir em grupos de amigas e amigos. "É mais seguro e econômico, bom também para festas especiais. Foi uma ótima ideia e espero que amplie ainda mais esta opção" , disse. Patrícia Portela destacou a segurança. "É boa alternativa pela segurança e, além disso, permite a diversão com bebida alcoólica tranquilamente, sem preocupação com blitze e até mesmo com acidentes. A pessoa pode curtir a festa sem preocupações", afirmou. Outra amiga do grupo, Marcela Bento, disse que é útil, prático e viável. "É bom principalmente para evitar acidentes na volta, afinal todos curtem e muitos consomem alguma cerveja. Na volta é perigoso assumir o volante e sem esta preocupação, todos voltam felizes e sem pensar em dirigir", finalizou. Estilo retrô dá um charme todo especial para o ônibus O ônibus retrô do Paioça transformou-se em um charme especial para o transporte na região dos distritos de Sousas e Joaquim Egídio. A quantidade dos tradicionais "school buses" ainda é pequena nas ruas das cidades do Brasil, ao contrário do que acontece em países como Bolívia, Peru, Panamá e Guatemala. Alguns exemplares começaram a circular no Brasil somente no início da década de 90 por sugestão do Ministério da Educação e Cultura. A Ford e a encarroçadora de ônibus Thamco desenvolveram, em 1992, um veículo especial cuja aparência era muito semelhante aos famosos ônibus escolares amarelos norte-americanos, o Thamco Aquarius. O ônibus escolar Thamco Aquarius era montado sobre plataforma F12000, membro da família F de caminhões da Ford, lançada em junho de 1992. Alguns elementos foram incorporados no Brasil do modelo Scorpion, um dos ônibus urbanos mais vendidos da encarroçadora paulista fundada em 1985 pelo empresário Antônio Thamer Butros. Anos depois, a encarroçadora Caio também teve uma versão escolar com frente parecida de caminhão em parceria com a Ford e com a Mercedes-Benz. Fora do Brasil é um sucesso. Estima-se que somente nos Estados Unidos os school buses transportem 10 milhões de estudantes por ano - mais da metade da população matriculada do país. Além da cor amarela e o design diferente dos ônibus atuais, com frente bicuda, típica de caminhões, se diferenciam pelas luzes, mensagens e demais dispositivos de alerta e segurança impostos por órgãos reguladores dos EUA e do Canadá. ORIGEM A origem dos school buses remonta ao ano de 1827, quando o inglês George Shilibber construiu a primeira carroceria - ainda puxada por cavalos - com capacidade para até 25 crianças, destinada ao transporte de alunos da Quaker School, em Londres. Mas foi nos Estados Unidos e no Canadá que esse veículo foi difundido de forma especial. Seu uso no transporte escolar passou a ser obrigatório a partir de 1830. Existia até mesmo uma legislação específica para a sua construção e utilização. A exclusiva tonalidade, batizada oficialmente como "national school bus chrome yellow" , por exemplo, é obrigatória por lei para fins de maior visibilidade e segurança - sendo proibido que um ônibus não escolar a utilize em mais de 50% da carroceria. O ônibus daquela época foram fabricados em versões com capacidade de 59 a 90 passageiros. Os motores eram, normalmente, V8 ou V6.