violência

Mãe de aluno baleado pede Justiça

De acordo com relatos de Juliana, o filho e o atirador já têm atritos, já que o suspeito comete bullying contra a vítima, que é gordinho e usa óculos

Alenita Ramirez
25/10/2018 às 07:21.
Atualizado em 06/04/2022 às 00:58

A família do adolescente de 14 anos que foi baleado no rosto após participar de uma festa do Dia das Crianças, na Escola Municipal João Alves dos Santos, no Jardim Regina, em Campinas, pede para que o crime não caia no esquecimento e que o estudante de 13 anos, autor do disparo, seja punido. O desabafo foi feito ontem, pela mãe da vítima, a gerente de vendas Juliana Resende, de 30 anos. “Meu filho sofreu paralisia em 80% do lábio inferior. Está passando por processo de recuperação. Poderia ter sido mais grave, mas nada justifica ao ponto que chegou. Não foi um acidente como foi citado no boletim de ocorrência" , disse Juliana, frisando que ainda não conseguiu perdoa a família do suspeito. "Os pais do menino nos procurou e pediram desculpas, mas sou sincera: não consegui desculpar" , falou comovida. De acordo com relatos de Juliana, o filho e o atirador já têm atritos, já que o suspeito comete bullying contra a vítima, que é gordinho e usa óculos. O garoto, apesar de ser mais novo, é tido pelos colegas como “exibido” e causador de problemas no colégio, com uma lista imensa de ocorrências na escola. “Meu filho é bem participativo e não se envolve com o que é errado. Ele participa e representa a escola em vários eventos, inclusive de bullying. Tem boas notas e bom comportamento. Antes ele ficava quieto quando era insultado, mas agora está enfrentando as gozações”, disse Juliana . No dia do crime, véspera do feriado, tanto o atirador como a vítima participaram da festa da escola, que tem período integral. Durante o evento, um dos amigos da vítima teria passado a mão nas nádegas de uma menina de 14 anos, que seria namorada do amigo do atirador. A garota teria contado para o namorado e o caso se espalhou entre os estudantes. “Provavelmente o menino de 13 anos comprou a briga e falou que ia bater no colega do meu filho. Após a festa, eles se encontraram do lado de fora da escola e houve uma discussão. Mas terminou tudo bem e cada um foi embora para casa. O amigo do meu filho foi para um lado e meu filho seguiu com outro colega para minha casa, pois eles vão e voltam da escola a pé”, relatou Juliana. “A casa do menino de 13 anos fica no caminho que meu filho passa. Em frente a casa dele, o menino voltou a discutir com meu filho, que defendeu o colega dele que já tinha ido embora. Foi aí que o menino abriu a mochila e mostrou uma arma. Meu filho achou que era de brinquedo e foi embora. Ele caminhou uns dois passos e virou o rosto, momento que sentiu uma pancada na cabeça”, disse a gerente. O disparo atingiu a bochecha do lado direito e transfixou a cabeça, saindo na nuca. Na hora, segundo Juliana, todos os meninos fugiram, exceto o outro colega, que ligou para o pai da vítima. “Meu filho ficou no chão, ensanguentado. Meu filho admite que empurrou o menino quando ele mostrou a arma e saiu. O tiro não foi acidental. Foi pelas costas. Os garotos que estavam com eles estão com medo e falam que não se lembram. Talvez estejam em choque, mas a polícia precisa apurar isso, chamar a garota e os meninos que estavam juntos”, pediu. De acordo com a gerente de vendas, o autor saiu da escola no final da festa e buscou a arma. Ele teria ficado do lado de fora esperando a saindo dos colegas. A vítima foi liberada do hospital no dia seguinte ao ferimento, fez fisioterapia facial. Ontem, ele faria exame de corpo de delito, já que estava proibido de sair de casa devido ao ferimento estar ainda aberto. O adolescente também está fazendo dieta especial. A suspeita é que a munição tenha acertado algum nervo da face. “Os pais do menino estão nos ajudando com remédios. Eles foram solidários, mas, mesmo assim, queremos justiça. Nós queremos descobrir de onde veio essa arma, que o menino seja encontrado e pague pelo que fez. Ele precisa ser corrigido antes que faça algo pior” , disse Juliana. A reportagem tentou contato na tarde de ontem com a família do menino atirador, mas não foi possível. Na semana passada, uma pessoa da família alegou que não queria falar sobre o caso, já que estariam recebendo ameaças. Ele estaria sumido, O delegado da Delegacia da Infância e Juventude (Diju) disse que o inquérito corre em segredo de Justiça e que enviará para a Vara da Infância e Juventude.

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