Após quatro meses internado na ala de queimados do Hospital Estadual de Bauru, Thiago de Oliveira Ferreira, de 14 anos, deve ter alta na próxima semana

Samuel aparece sempre sorrindo, já aprendeu a digitar com os pés e já se encontrou com o ex-goleiro Ronaldo, do Corinthians (Reprodução/Facebook)
Após quatro meses internado na ala de queimados do Hospital Estadual de Bauru, Thiago de Oliveira Ferreira, de 14 anos, deve ter alta na próxima semana. Ele e o primo, Samuel Oliveira da Silva, de 9 anos, perderam os braços depois de receberem uma descarga elétrica ao tentarem resgatar uma pipa, no bairro Padre Anchieta, em Campinas. Para a chegada de Thiago, os quatro irmãos e os avós prepararam uma faixa em que chamam sua sobrevivência de “milagre”. Samuel já está em casa, em Taboão da Serra (SP), onde mora com a mãe e dois irmãos, e apesar da nova limitação física, já está tão adaptado com a nova realidade que impressiona médicos, professores e familiares. O avô dos primos, Antonio da Silva Pereira, de 59 anos, disse na última quinta-feira que Thiago contraiu uma infecção na segunda, o que adiou a alta que receberia esta semana. A bactéria, segundo os médicos relataram à família, poderia atingir o coração do adolescente, e precisava ser tratada no hospital. Pai e mãe de Thiago estão vivendo em Bauru há pouco mais de dois meses, acompanhando de perto o tratamento. Os irmãos Tamires, Jesana, Miqueias e Natanael estão empolgados com a volta de Thiago e já elaboraram uma faixa de boas vindas. Avô e irmãos de Thiago aguardam a volta do menino, que está internado em hospital de Bauru: apoio Thiago estava sentado na grade quando seu primo Samuel encostou a barra de ferro que utilizava para alcançar a pipa na fiação e tentar tirá-la de um coqueiro. Com a descarga, Thiago ficou grudado na grade e sofreu sérias queimaduras na parte interna das coxas. “Ele passou por cirurgias reparadoras e está com cicatrização evoluindo. Mas ele vai chegar em casa com uma bolsa e dreno, pois alguns órgãos também foram queimados e passam por cicatrização”, explicou o avô. “Quando fui visitá-lo, ele disse que não poderia me dar um abraço. Mas eu falei para ele que os meus braços são dele, e fiquei muito tempo com o rosto colado no dele. Ele é um menino muito especial. Todos esperam muito a volta dele”, emocionou-se Antonio, que tem sido um “paizão” para os netos. Samuel, de 9 anos, passava férias em Campinas na casa dos primos quando aconteceu o acidente. Sua mãe, Michelle Francisca, de 31 anos, contou que buscaria o filho dois dias depois do ocorrido. “Estava voltando de viagem e no dia seguinte iria buscar ele em Campinas. Mas no meio da viagem de volta recebi a notícia e fui direto até o Hospital Mário Gatti”, recorda. O hospital municipal foi onde os primos receberam os primeiros atendimentos, até serem transferidos. Samuel foi levado para a ala de queimados do Hospital dos Servidores do Estado de São Paulo, e entre melhoras e pioras na saúde, apesar de também ter amputado os dois membros superiores, seu quadro não foi tão grave quanto o do primo. “Eu não sou nada, e ele é tudo. Meu filho tirou forças e luz e está dando um exemplo de vida. Não imaginava que sua reação e adaptação seria tão maravilhosa”, disse Michelle. Quase que diariamente Samuel posta em sua página no Facebook cada conquista que alcança com o novo estilo de vida. São vídeos dele cantando, jogando bola, digitando com os pés durante as aulas e outras demonstrações que comprovam sua força de vontade em seguir em frente. “Eu apenas o ajudo no banho e dou comida. Ele já abre as portas, pacote de bolacha e tenho certeza que, do jeito que é tão agitado, daqui a pouco está se trocando sozinho”, comentou a mãe. Médicos, fisioterapeutas e professores que o acompanham no 4<SC210,186> ano do Ensino Fundamental declaram para a mãe e ao próprio Samuel a evolução rápida para crianças que sofrem traumas semelhantes. “Ele é um guerreiro”, finalizou.