Os supermercados populares se multiplicam pela cidade, com destaque para a região das avenidas Benjamin Constant, Campos Salles e Francisco Glicério

O aposentado Ettore Rossi: ele trocou a compra mensal pelas visitas diárias para aproveitar os descontos (Thomaz Marostegan/Especial para a AAN)
Produtos com prazo de validade próximo do fim e oferecidos com desconto médio de 50% viraram a nova estratégia para atrair consumidores em Campinas. Os “supermercados populares” se multiplicam pela cidade, com destaque para a região das avenidas Benjamin Constant, Campos Salles e Francisco Glicério. Para o professor Izaías de Carvalho Borges, da Faculdade de Economia da PUC-Campinas, como a crise ainda persiste, quem vende precisa ser criativo para evitar perdas - ou entrar em um novo nicho de mercado. A ideia vem dando certo. Para o aposentado Ettore Rossi, de 74 anos, por exemplo, poder comprar produtos a um preço muito menor que o normal faz valer a pena sair de sua casa no Bonfim todos os dias para ir ao supermercado. “Eu costumava fazer compras mensais, mas não dá para perder as ofertas”, disse. Na semana passada, ele comprou ingredientes para uma feijoada, entre os quais orelha de porco - que estava sendo vendida naquele dia por R$ 6,99 o quilo. “Se eu fosse no Mercadão, pagaria mais de R$ 12,00. A única coisa é que tem que prestar atenção nas datas de vencimento. O que a gente compra aqui não vai poder ficar guardado mais do que alguns dias”, afirmou. A gerente do Mercado Campos Salles, Vera Lucia Soares, disse que o estabelecimento está prestes a completar um ano e que, desde o início, usa a estratégia. A propaganda é feita só no boca-a-boca pelos clientes, por uma locutora que anuncia as promoções durante todo o dia e pelos cartazes na fachada da loja. Os preços menores são garantidos pelas compras em grande quantidade de produtos com data de validade próxima do vencimento. “A grande maioria dos itens são de marcas bastante conhecidas”, destacou a gerente. Na semana passada, por exemplo, o litro de leite Shefa era vendido por R$ 2,99. Vera disse ainda que, se o produto estiver na data limite da validade, pode ser vendido até por um preço abaixo do custo. Mas para aproveitar, a única maneira é ir até o local, já que não há divulgação prévia dos produtos que serão oferecidos em determinado dia. E o movimento é sempre intenso. Se for falha e não oferta, consumidor não paga O consumidor que identificar um produto já vencido nas gôndolas dos supermercados paulistas tem direito de receber gratuitamente o mesmo item ou similar dentro do prazo de validade. Se o estabelecimento não possuir o mesmo produto, deverá ser engregue uma mercadoria de igual valor. É o que determina a campanha “De Olho na Validade”, lançada pela Associação Paulista de Supermercados (Apas) em 2011 após discussões entre a Câmara Técnica do Comércio Supermercadista, a Fundação Procon-SP e o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). Não é, portanto, uma Lei, mas uma ação educativa tanto para o consumidor, que cria o hábito de checar as datas dos produtos, quanto para os supermercados, que melhoram o controle. As lojas participantes da ação são identificadas por cartazes. A medida é válida para todos os produtos que estiverem dentro da área de vendas - ou seja, , que não tenham passado pelo caixa. Pedro Celso Gonçalves, presidente da APAS, explicou que a medida traz benefícios à população, pois aprimora o mecanismo de controle, além de trazer uma compensação imediata ao consumidor.