Entre eles, estão três chatbots que auxiliam usuários em áreas como Educação e Saúde e no acesso à plataforma gov.br

“Devemos lembrar que escolhas que fazemos hoje podem moldar o caminho à frente”, disse a ministra Esther Dweck (Rodrigo Zanotto)
O CPQD, instalado em Campinas, e o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) fizeram ontem a apresentação dos primeiros 40 trabalhos desenvolvidos dentro do projeto Inteligência Artificial no Serviço Público com Inovação, Responsabilidade e Ética (Inspire), lançado há sete meses, que busca a soberania nacional nessa área e já começa a chegar à população.
Entre eles estão três chatbots (assistentes virtuais projetados para simular uma conversa humana por texto ou voz) para atendimento dos usuários com dificuldades na plataforma do governo do Brasil (gov.br), esclarecimento de dúvidas sobre o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e para orientar sobre vacinação e Farmácia Popular, realizando cerca de 35 milhões de atendimentos desde o início deste ano.
“Devemos lembrar que escolhas que fazemos hoje podem – e irão – moldar o caminho à frente”, disse a ministra Esther Dweck do MGI, ao participar também do lançamento da pedra fundamental do Núcleo de Inteligência Artificial Avançada, previsto para ficar pronto até o final deste ano e será o laboratório mais avançado do país para pesquisa, teste e homologação de IA do país e destinado para o desenvolvimento do Inspire.
Esse projeto, com investimento previsto de R$ 390 milhões até 2029, está sendo conduzido pelo CPQD em parceria os ministérios da Gestão; Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI) e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Para Esther Dweck, o grande salto nos serviços públicos com uso da inteligência artificial ocorrerá nos próximos dois.
COMO FUNCIONA
Entre os resultados já apresentados está o chatbot do gov.br, desenvolvido para tirar dúvidas e dar suporte ao usuário por um canal inteligente, disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana. Na fase de teste, a solução chegou a fazer cerca de 2 mil atendimentos por dia, com a maior parte das interações sendo a solução de dúvidas e informações sore a recuperação da conta da plataforma, caminho para o acesso a 22 serviços públicos.
A próxima etapa em desenvolvimento é usar a fotografia disponível no título de eleitor ou na carteira de identidade nacional para garantir ao usuário o nível ouro do gov. br, que faz o uso da biometria (reconhecimento facial) para qualquer serviço digital, sem restrição de acesso.
Atualmente, muitas pessoas relatam dificuldade de obter o cadastramento nesse nível em função da plataforma não aceitar a foto tirada, mesmo seguindo todas as orientações dadas, como fazer a imagem com um fundo branco.
Já o assistente virtual do Enem ficou disponível em janeiro, oferecendo orientações sobre matrículas, vagas, calendário e outras informações para um público potencial de 4,2 milhões de estudantes. O chatbot da área de saúde permite obter informações e esclarecer dúvidas sobre campanhas de vacinação, Farmácia Popular e outras iniciativas do Ministério da Saúde.
“O Inspire é uma das iniciativas mais estruturantes concebidas para a transformação digital do setor público brasileiro, posicionando-se como a base da futura infraestrutura nacional de Inteligência Artificial do Estado”, afirmou o presidente do CPQD, Sebastião Sahão Junior.
“O programa representa um avanço estratégico para a soberania digital brasileira, ao estruturar capacidades nacionais de IA, fortalecer a infraestrutura pública de dados e criar condições para que o governo brasileiro desenvolva soluções críticas sob sua própria governança”, acrescentou.
O CPQD, que completa 50 anos em agosto, tem participação em projetos de inovação no país, entre eles o desenvolvimento da fibra ótica nacional, telefonia celular, e comunicação digital, entre outros. O centro de pesquisa atua atualmente nas áreas de conectividade, Internet das Coisas (IoT), IA, segurança e privacidade, blockchain, sistemas embarcados e sistemas de energia.
PRÓXIMAS FASES
O projeto Inspire conta hoje com sete frentes de trabalho, envolvimento de 200 pesquisadores (com previsão de chegar a 350 a curto prazo), 54 iniciativas em andamento e 40 entregues e homologadas. Uma das fases em execução é qualificação dados fornecidos pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), maior empresa pública de tecnologia da informação do mundo, e do Dataprev, empresa pública responsável pelo fornecimento de soluções tecnológicas para a administração pública e na organização e processamento de dados sociais e previdenciários do País.
Essas informações serão usadas para o treinamento dos serviços de IA a serem disponibilizados para a população e para os servidores federais. Muitos desses dados são para uso interno dos órgãos públicos, mas influenciam no dia a dia das pessoas. Um exemplo foi a análise de 76 milhões de registros cadastrais, que apresentaram 30 milhões de correções necessárias.
“Basta ter um caractere diferente para que o usuário tenha dificuldade para ter acesso a um serviço”, explicou o diretor do Inspire, Paulo Curado. De acordo com ele, o projeto resultará em maior eficiência dos serviços, agilidade no atendimento e segurança cibernética dos órgãos federais.
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