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Multidão se despede com aplausos

Sob aplausos da multidão, o corpo do jornalista Ricardo Boechat deixou ontem à tarde o Museu da Imagem e do Som (MIS), na capital paulista

Das agências Brasil e Estadão Conteúdo
13/02/2019 às 08:34.
Atualizado em 04/04/2022 às 23:59

Sob aplausos da multidão, o corpo do jornalista Ricardo Boechat deixou ontem à tarde o Museu da Imagem e do Som (MIS), na capital paulista, onde estava sendo velado desde a noite de anteontem. Uma longa fila de conhecidos, ex-colegas, telespectadores e ouvintes se formou para prestar as últimas homenagens ao âncora e comentarista. O corpo de Boechat seguiu para Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, onde foi cremado em cerimônia reservada para a família. Boechat morreu na queda de um helicóptero na Rodovia Anhanguera, quando retornava de uma palestra em Campinas. O helicóptero caiu em cima de um caminhão no km 22 da Rodovia Anhanguera, sentido interior, com o Rodoanel, e acabou explodindo. O motorista do caminhão conseguiu escapar com vida. O acidente ocorreu no início da tarde de segunda-feira. O piloto da aeronave, Ronaldo Quatrucci, também morreu. Durante o velório, sobre o caixão do jornalista foram colocados dois letreiros luminosos usados por táxis, categoria que tinha grande simpatia pelo jornalista, pelo contato direto ou pelos comentários na rádio e TV. Um grupo de taxistas chegou a fazer uma pequena carreata com buzinaço em frente ao museu. Diversas autoridades estiveram presentes no velório. O ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, compareceu representando o presidente Jair Bolsonaro, que está internado. O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, disse que pretende discutir com a família um espaço para que seja feita uma homenagem ao jornalista. “Vamos buscar um espaço para homenageá-lo na cidade de São Paulo. Para que ele seja eternizado, para mostrar o exemplo que ele era para as futuras gerações”, disse Covas. Também compareceram personalidades da comunicação, como o apresentador Serginho Groisman e o colunista social Amaury Jr. Ainda emocionada, a viúva do jornalista, Veruska Seibel Boechat, lembrou os últimos momentos na companhia do marido. “Ele saiu bem, estava feliz. A gente passou um fim de semana com todos os seis filhos dele, o que é uma coisa rara, são muitos. Os quatro adultos moram no Rio, as nossas filhas moram aqui”, disse. A viúva afirmou que não gostava que o marido se valesse de serviços de mototaxi ou taxi aéreo para conseguir conciliar a agenda corrida. “Tenho muito orgulho dele, da coragem dele. Porque fazer jornalismo e não se posicionar é muito cômodo do que comprar as brigas, como ele sempre comprou”, enfatizou Veruska, citando o marido no presente. Com quase 50 anos de carreira jornalística e uma coleção de prêmios no currículo, Boechat era atualmente apresentador do Jornal da Band e âncora da BandNews FM. “Era um grande jornalista e um amigo de infância. Era divertido, um humorista”, comentou o jornalista Augusto Nunes. Os dois foram contemporâneos no jornal O Estado de S. Paulo e conviveram diretamente. “Sempre foi muito generoso, ajudou tanta gente”, disse o colega, emocionado. Presidente do Grupo Bandeirantes de Comunicação, João Carlos Saad também compareceu ao velório. “Tinha uma graça e um jeito de fazer jornalismo que não vai ter outro", disse sobre Boechat. O jornalista tinha 66 anos e deixou cinco filhas e um filho. Palestra e conselhos aos brasileiros As últimas palavras de Ricardo Boechat antes de sofrer o acidente de helicóptero foram de otimismo. O jornalista participou da convenção de uma companhia farmacêutica no Royal Palm Plaza, em Campinas, na qual destacou que as crises sempre deixam lições - e vêm e vão como ondas. O vídeo com as declarações foi gravado por um participante do encontro e carrega valor histórico pelas circunstâncias da tragédia e pelo contexto de sua fala final, exaltando a importância da busca pela reconstrução do Brasil. No encerramento da palestra, Boechat afirmou: "Passamos a discutir com entusiasmo assuntos que antes não discutíamos. Aquele brasileiro que só se interessava por futebol e carnaval morreu. Hoje, o brasileiro é um dos povos que mais discutem política no mundo. Esse perfil mudou de forma acentuada de 2013 para cá. O brasileiro tomou uma consciência política que é fundamental, e dentro disso está a discussão de um novo estado, de uma nova sociedade.” (AAN) Câmeras flagram queda da aeronave Câmeras da concessionária CCR, que administra o Rodoanel na Capital, flagraram o momento em que o helicóptero que transportava Ricardo Boechat caiu e colidiu com um caminhão no Rodoanel, próximo ao acesso da Rodovia Anhanguera, na segunda-feira. O vídeo foi entregue na tarde de ontem ao delegado Luiz Hellmeister, titular do 46º Distrito Policial (DP), em Perus, que investiga as causas e eventuais responsabilidades pelo acidente. O delegado vai enviar as imagens ao Instituto de Criminalística (IC), e elas serão analisadas por peritos. Quatro testemunhas também já foram ouvidas pela Polícia Civil: uma mulher que presenciou o acidente; o motorista do caminhão contra o qual o helicóptero se chocou e dois policiais militares que atenderam à ocorrência. (AAN) Morte é destacada também na imprensa internacional Os principais diários do mundo destacaram em seus sites o acidente aéreo em que morreram na segunda-feira o jornalista Ricardo Boechat, de 66 anos, e o piloto Ronaldo Quattrucci, sócio-proprietário da empresa RQ Helicópteros. A emissora pública britânica BBC afirmou que Boechat era “um dos mais conhecidos jornalistas do Brasil” e destacou a reação nas emissoras locais que, em suas transmissões ao vivo, relataram “o triste momento para o jornalismo brasileiro”. A BBC também destacou algumas mensagens publicadas no Twitter por usuários que lamentavam a morte do jornalista e âncora. “Serei eternamente grata pelo trabalho impactante que ele fez e pelo legado que deixou”, escreveu, em inglês, a internauta Malu Macedo em uma das mensagens selecionadas pela BBC. O diário argentino La Nación noticiou a morte de Boechat e destacou o fato de o jornalista, de 66 anos, “ter nascido em Buenos Aires” quando seu pai, Dalton, um diplomata, trabalhava no país — a mãe de Boechat, Mercedes Carrascal, é argentina. O jornal ainda relatou o fato de Boechat ter dedicado boa parte de sua coluna diária no rádio no dia em que morreu a discutir as últimas tragédias no Brasil e publicou trecho da declaração do presidente Jair Bolsonaro sobre o acidente. O Clarín, outro periódico argentino, publicou dois textos sobre a morte de Boechat, um em espanhol e outro em português. No primeiro, relata as informações que se sabia até o momento sobre o acidente. No segundo, em português, diz que caso comoveu o Brasil "e colegas da Argentina". O portal disse ainda que a notícia sobre a morte de Boechat foi a mais lida no site do Clarín em espanhol e relembrou o fato de que, em 2015, ele participou de evento na Universidade de Buenos Aires (UBA) sobre os debates presidenciais. Em seu resumo diário, o Washington Post reproduziu uma nota da agência Associated Press sobre a morte de Ricardo Boechat. Com o título “Âncora de TV brasileira morre em queda de helicóptero”, o site chama o jornalista de “premiado âncora” e destaca a conquista do “principal prêmio jornalístico do Brasil três vezes por reportagens sobre corrupção”. (Estadão Conteúdo)

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