POPULAÇÃO

Municípios da RMC acolhem 3,9 mil imigrantes

Estudo da Unicamp detalha fluxo imigratório para cidades da região desde o começo do século

Rogério Verzignasse
13/04/2018 às 07:47.
Atualizado em 23/04/2022 às 13:52
Horton Jabatis, haitiano, que em 2015 trabalhava no mercado atacadista da Ceasa-Campinas carregando abóboras e outros produtos alimentícios (Dominique Torquato/AAN)

Horton Jabatis, haitiano, que em 2015 trabalhava no mercado atacadista da Ceasa-Campinas carregando abóboras e outros produtos alimentícios (Dominique Torquato/AAN)

Os municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC) acolhem hoje 3.913 imigrantes. Campinas tem 1.689 estrangeiros entre seus moradores. Americana (382), Sumaré (313) e Indaiatuba (216) aparecem em seguida, na relação detalhada pelo Atlas do Observatório das Migrações em São Paulo, preparado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O estudo se propôs a analisar o novo perfil migratório no Estado de São Paulo. Entre os anos de 2000 e 2015 – período focado no levantamento – circularam pela RMC nada menos que 21.187 migrantes. Campinas foi destino de mais da metade deles: 13.845. Na sequência apareceram Indaiatuba (1.607), Americana (1.482) e Sumaré (961). O Brasil — e principalmente as cidades da RMC — teve desenvolvimento marcante com a chegada dos imigrantes europeus, a partir do final do século 19. Valores, crenças e costumes foram incorporados à própria cultura nacional. Hoje em dia, no entanto, as correntes migratórias têm características distintas. O País passou a receber imigrantes do próprio Hemisfério Sul, ou virou porto seguro para pessoas que deixaram a própria casa, em vários pontos do mundo, fugindo da guerra e da miséria. E Campinas tem uma participação importante no contexto. A cidade é a segunda no Estado de São Paulo que mais recebeu imigrantes desde 2000. Atlas O atlas, elaborado pelo Núcleo de Estudos da População “Elza Berquó” (Nepo), detalha quais são os países de origem, e onde eles passaram a morar. A pesquisa usou a base de dados da Polícia Federal e do Ministério da Justiça. São informações do Registro Nacional de Estrangeiro (RNE), concedido a quem é admitido no País na condição de temporário, permanente, asilado ou refugiado. Para a pesquisadora Rosana Baeninger, coordenadora do trabalho, entender as características atuais do fluxo imigratório é essencial para que o governo possa estabelecer políticas públicas e ordenar a acolhida aos imigrantes, que buscam serviços essenciais como nas áreas de Saúde e Educação. Há uma constatação importante: a “interiorização” das migrações internacionais, notadamente em São Paulo. Entre 2000 e 2015, entraram no Brasil nada menos que 870.926 imigrantes. Destes, 391.282 foram registrados no Estado de São Paulo. A configuração migratória teve mudanças radicais com a entrada expressiva de haitianos e sírios no País, além de imigrantes latino-americanos, como os bolivianos e venezuelanos. Fronteiras abertas Os pesquisadores também notaram que o Brasil passou a ter uma participação importante no fenômeno migratório mundial porque representou opção de trabalho e renda no momento em que diversos países fecharam suas fronteiras para refugiados. Mas os novos migrantes já não pertencem, como no passado, a um segmento formado majoritariamente por pessoas de baixa renda e baixa qualificação profissional. Hoje, a migração mescla trabalhadores de diferentes perfis profissionais e socioeconômicos. Em 2015, por exemplo, os haitianos predominavam no setor de produção de bens e serviços industriais. Já os paraguaios representavam a maioria entre os trabalhadores do campo. Os bolivianos ocupam as confecções. O Atlas do Observatório das Migrações em São Paulo é ilustrado com imagens do fotógrafo Chico Max, que cedeu fotos da exposição “Somos Todos Imigrantes”. O livro Migrações Sul-Sul foi produzido ao mesmo tempo. Ele reúne 82 artigos de especialistas, com análise de diversos temas relacionados, como direitos humanos e leis de imigração. O livro conta com textos sobre as ações da academia para imigrantes e refugiados, e está disponível para download gratuito no http://www.nepo.unicamp.br/publicacoes/livros/migracoes_sul_sul/migracoes_sul_sul.pdf 

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