Fêmea que nasceu no dia 16 com 1,80m de altura e 70kg faz parte de projeto mundial para conservação e reprodução

É o primeiro filhote do casal que vive no Zooparque desde 2017 (Divulgação)
O nascimento de uma girafa, no último dia 16 de setembro, no Zooparque Itatiba, representa um alívio para a subespécie Rothschild, uma das mais raras e ameaçadas no mundo. O filhote, uma fêmea, nasceu de forma natural, com aproximadamente 1,80m de altura e 70kg. O Zooparque é o único zoológico no Brasil a abrigar esta subespécie. Os pais da girafa chegaram ao Brasil em 2017, justamente para participar do projeto de conservação e reprodução. A reprodução do casal Hortência e Oscar aconteceu de forma natural, segundo a bióloga responsável pelo Zooparque Itatiba, Camila Piovani. A girafa gera apenas um filhote por gestação, que dura cerca de 15 meses. O filhote mama até os 13 meses, mas permanece com a mãe entre 15 e 18 meses. A atenção constante da equipe de cuidadores e veterinários foi essencial para acompanhar a saúde da mãe e o desenvolvimento do filhote durante a gravidez. Antes de nascer, uma área de maternidade especial foi criada no recinto, contando com substrato especial e área de cambiamento (confinamento). Segundo Camila, Hortência teve o parto natural dentro do padrão para as girafas, que pode demorar de 4 a 6 horas. "Assim que o filhote nasceu, a mãe já começou a cuidar, ficando o tempo todo junto dele e fazendo a limpeza do bebê. Pouco mais de uma hora após o nascimento, o filhote já estava em pé e caminhando ao lado da mãe ", conta. A reprodução do casal, que tem entre 4 e 5 anos, era aguardada pelo fato de ambos terem atingido a maturidade sexual da espécie. O nascimento foi muito comemorado pelo zoo, que registra pela primeira vez o nascimento de um filhote de girafa. "O fato de ser um filhote de girafa Rothschild só tornou o nascimento uma novidade ainda mais especial. Além de ser reflexo da preocupação que a instituição tem com o bem-estar dos animais sob seus cuidados, o nascimento deste filhote demonstra, mais uma vez, que o zoo está trabalhando de maneira empenhada na conservação das espécies", comenta Camila. A família que acaba de aumentar está sob constante vigilância da equipe do zoo. O cuidador Anderson Ferreira Silva fica ao lado do recinto o tempo todo, observando cada movimento e atento às necessidades dos animais. A veterinária responsável do zoo, Maria Fernanda Naegeli Gondim, está com a equipe de veterinária de prontidão, realizando os exames iniciais e acompanhando o desenvolvimento do filhote. Os três animais estão no recinto e já podem ser vistos pelos visitantes. "Vale ressaltar que a área de acesso ao recinto pode ser restringida a qualquer momento para cuidados especiais, visando sempre a saúde e bem-estar dos animais", ressalta Camila. Mais alta A Comissão de Sobrevivência de Espécies da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN, na sigla em inglês) considera a existência de nove subespécies diferentes de girafas no mundo, e a Rothschild é a mais ameaçada entre elas. Segundo avaliação da IUCN, a girafa Rosthschild está classificada como quase ameaçada de extinção, devido ao seu rápido declínio nas últimas três décadas. Segundo a organização, existem aproximadamente 2.100 na natureza. Estes são os animais mais altos do planeta. Os machos podem atingir cerca de 6m e as fêmeas, 4,5m. Elas vivem em pequenos grupos. Em geral, cada grupo é formado por fêmeas e suas crias. Os machos se aproximam somente no momento da reprodução. O casal de girafas veio da Áustria ainda filhote, com cerca de 16 meses. O zoológico de Itatiba foi escolhido pelo Zoo Schimiding, da Áustria, que faz parte da Sociedade Europeia de Zoológicos. O casal veio para Itatiba para participar de um programa de reprodução e conservação que acontece em todo o mundo. Em 2015 foi divulgado um estudo feito pela IUCN que apontava que só existem aproximadamente 2,5 mil girafas desta espécie na natureza, por isso, foi necessário correr para que a espécie não fosse extinta. O programa estuda os animais nascidos em cativeiro e escolhe para onde os novos animais devem ir. Eles não ficam em apenas um país para evitar, por exemplo, que em caso de doença todos os exemplares morram e o trabalho de anos seja perdido.