Queda de nascimentos de bebês de mães residentes na cidade caiu 3,2% em comparação a 2018
Campinas registrou no ano passado o nascimento de 14.578 bebês de mães residentes na cidade. Foi o menor número dos últimos oito anos, segundo o Sistema de Informação e Informática da Secretaria Municipal de Saúde. Em relação a 2018, a queda foi de 3,2%, e na comparação com 2011, a redução foi de 1,25%. Campinas vem intercalando quedas e aumentos nos nascimentos desde 2010. A queda mais importante ocorreu em 2016, com uma redução de 6,4% em relação ao ano anterior. Essa queda pode ser atribuída às ocorrências de infecção pelo vírus Zika, que fizeram aumentar os casos de bebês com microcefalia naquele ano e que podem ter pesado mais que as incertezas econômicas na decisão das famílias de terem filhos. Segundo o secretário de Saúde, Carmino de Souza, o medo que as mulheres tiveram em 2016/2017, ligado à possibilidade de o bebê nascer com microcefalia, acabou não se justificando. Em 2016, a Vigilância Epidemiológica registrou 524 casos de zika em Campinas, número que caiu para 43 no ano seguinte e nem caso de nascimento de bebês com microcefalia foi registrado. É possível, segundo ele, que a queda nos nascimentos nesses anos tenha sido um ponto fora da curva, mas o fato é que em 2018 e 2019 os nascimentos não voltaram aos números de 2015, quando nasceram 16.195 bebês na cidade. Carmino avalia que a tendência é de redução, fenômeno que ocorre em vários locais, especialmente por causa da taxa de fecundidade total. Essa taxa em Campinas hoje é de 1,7 (número médio de filhos vivos por mulher ao final de seu período reprodutivo, de 15 a 49 anos). No Estado, e em Campinas, essa taxa era de 2,08 filhos em 2000. “Isso significa que os casais têm cada vez menos filhos. É uma opção deles, que leva em consideração vários fatores, como a segurança financeira, casamentos tardios e dedicação à carreira”, disse. A redução da natalidade tem impactos demográficos também. A tendência de queda na taxa de fecundidade, segundo o estudo Fardo Global das Doenças, de 2017, está levando à redução expressiva da natalidade em quase metade dos países, abaixo do chamado nível de reposição — indicando que o volume de filhos por família é insuficiente para manter o tamanho da população nesses locais. O crescimento de Campinas, diz o secretário de Saúde, Carmino de Souza, atualmente ocorre mais por conta da migração (que também caiu), do que por nascimentos. Campinas ultrapassou 1,2 milhão de habitantes em 2019 e registrou um crescimento de 0,83% em relação ao ano anterior, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O ritmo de crescimento populacional, no entanto, apresentou queda na comparação com o período 2017/2018, quando a cidade teve aumento populacional de 0,98%. Estudo da Fundação Seade aponta que, embora os níveis tenham se mantido praticamente estáveis na última década, as idades médias da fecundidade aumentaram em todas as regiões e em todos os períodos. No Estado, passou de 26,5 anos para 27,3, entre 2000 e 2010, e para 28,3 anos, em 2018, ou seja, um ano, em um período em que o número médio de filhos se manteve praticamente constante. As taxas de fecundidade das mulheres mais jovens, com menos de 30 anos, reduziram-se no período, enquanto a fecundidade daquelas com mais de 30 anos aumentou. A queda na taxa de natalidade colabora também para uma inversão no perfil etário da população. Com menos nascimento e aumento na expectativa de vida, a tendência é aumento no índice envelhecimento. Um estudo da Fundação Seade, divulgado no início do mês, mostra que o índice de envelhecimento da população de Campinas quase quintuplicou desde a década de 1980. O índice — que mede a relação entre o número de indivíduos com mais de 60 anos e os de até 15 anos de idade — subiu de 20,01 em 1980, para 90,71 em 2019. Nos anos 1980, existiam 20 pessoas com mais de 60 anos para cada grupo de 100 jovens de até 15 anos. Hoje existem 90 idosos para cada grupo de 100 jovens menores de 15 anos. Mães dizem que ritmo de vida não permite muitos filhos Dezoito anos após o nascimento do primeiro filho, a podóloga Rosângela dos Santos Silva, de 39 anos, engravidou. Seu sonho era ter três filhos, mas o marido acha que é muito. João, e a criança que espera e que ainda não sabe o sexo, vieram, segundo ela, “no susto”. A cabeleireira Juliana Lima, de 39 anos, planejou a segunda gravidez para ter uma menina utilizando um método que alia a famosa tabelinha ao início da ovulação e deu certo. A gravidez da manicure Brenda Regina da Silva, de 25 anos, foi planejada e a primeira filha nascerá no final do mês. As três trabalham juntas, no Monalisa Beauty Lounge, e têm a mesma preocupação: garantir que os filhos nasçam e cresçam saudáveis e felizes. Brenda quer mais um filho, mas Rosângela e Juliana vão parar por aqui. “Hoje temos um ritmo de vida que não permite tantos filhos, porque quanto mais filhos, menos atenção a gente consegue dar a eles, porque cada vez mais tem que trabalhar. Melissa chegará rodeada de amor, e é isso que de fato importa”, disse Juliana. Maria Luiza, primeira filha de Brenda, chegará no final do mês. Ela desejava filhos, mas havia decidido adiar um pouco, porque queria emagrecer antes. E foi nesse descuido que engravidou. “É uma felicidade muito grande. Vou continuar trabalhando depois que ela nascer, mas vou esperar um pouco para engravidar de novo”, disse. Rosângela chegou a tomar a pílula do dia seguinte, mas a gestação está no quarto mês. Está ansiosa para chegar o dia 26, para saber o sexo da criança. Torce para que seja uma menina e decidiu que aproveitará o parto para fazer laqueadura. “Estou com 39 anos. Já não tenho o pique de antes e a vida profissional, acho que a fase de ter mais filhos já passou”, disse. Meninos são maioria no total de nascimentos Campinas registrou o nascimento de mais meninos que meninas em 2019. Para cada grupo de 100 meninas, nasceram 105 meninos, mantendo uma proporção que vem sendo verificada ao longo dos anos. Essa desproporção é um fenômeno mundial. Na espécie humana, diz a Organização Mundial da Saúde (OMS), a relação entre os nascimentos pende a favor do sexo masculino. No Reino Unido, desde 1838, quando o país começou a manter os registros de nascimentos, não houve um ano sequer em que nasceram mais meninas do que meninos. Estudo da OMS, de 2018, busca explicar o fenômeno com algumas teorias. Uma seria por uma questão evolutiva. Homens correm risco maior de morrer não só por causas naturais, mas por causas externas, como a violência. Como ao longo dos anos, a proporção entre o número de homens e mulheres se equilibra, é necessário que nasçam mais meninos que meninas. Outra teoria, com base em um estudo realizado pelo instituto de pesquisa Fresh Pond, em Massachusetts, nos EUA, mostra que esse desequilíbrio está no que acontece com os fetos dentro do útero. O estudo mostrou que nesse período, embora seja difícil determinar as causas, a mortalidade fetal de meninas era maior. O Brasil possui 208,4 milhões de habitantes, sendo 101,9 milhões de homens e 106,5 milhões de mulheres, segundo dados apresentados pelo IBGE com base na Projeção de População. A expectativa de vida dos representantes do sexo masculino é de 72,5 anos, enquanto a das mulheres é de 79,6 anos.