UNICAMP

Negros representam 35,1% dos estudantes

Números mostram que universidade caminha para a pluralidade

Francisco Lima Neto
28/04/2019 às 09:49.
Atualizado em 04/04/2022 às 08:32

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está caminhando para ser cada vez mais plural e ter uma maior penetração em todas as camadas da sociedade. Os dados dos ingressantes de 2019, apresentados pela Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest) ao final das matrículas, apontam para esse novo cenário. Pela primeira vez, a Unicamp adotou diferentes formas de ingresso nos cursos de graduação, que incluíram, além do vestibular tradicional, as vagas olímpicas, o vestibular indígena, o ingresso por meio do Enem e as cotas étnico-raciais para estudantes autodeclarados pretos ou pardos. Nesse último grupo, a Unicamp atingiu uma marca histórica: 35,1% do total de 3.428 matriculados este ano estão nessa categoria. No ano anterior, esse percentual foi de 23,9%. A Unicamp praticamente atingiu a meta aprovada pelo Conselho Universitário, em novembro de 2017, de obter um mínimo de 25% de estudantes pretos e pardos em cada curso de graduação, em 2019. Das 69 opções de cursos oferecidas, somente Música Licenciatura, Dança e Estudos Literários não alcançaram o mínimo. No entanto, em 23 cursos a porcentagem de estudantes pretos e pardos foi igual ou superior a 37,2%, índice da representatividade da população negra no Estado de São Paulo, segundo dados do IBGE. Com relação aos ingressantes provenientes do Ensino Médio público, em 33 cursos o percentual foi igual ou superior a 50%. No geral, a Unicamp registrou 47,9% de estudantes que vieram de escolas públicas. No ano passado, o índice foi de 49,2%. A Comissão comemora os resultados obtidos. Segundo José Alves de Freitas Neto, coordenador executivo da Comvest, a Unicamp deixa de ter um padrão homogêneo de seleção, em que alguns dias de provas definem o futuro e o ingresso de estudantes na Universidade. "Os resultados demonstram o êxito da política de diversificação das formas de acesso, que permitiram ampliar a diversidade cultural, social, étnica e racial. Esse novo cenário estimula o convívio, a reflexão e a produção do conhecimento e, consequentemente, uma leitura crítica sobre as questões que desafiam o mundo contemporâneo", afirma José Alves. A universidade acredita que a diversidade irá enriquecer o ambiente acadêmico e a produção de conhecimento. "Os desafios são muitos, do ponto de vista da integração e do acompanhamento do desenvolvimento desses estudantes, mas temos que saudar essa nova era de uma Unicamp conectada com o século XXI e com os desafios da construção de uma sociedade mais plural e democrática", diz José Alves.

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