
(Leandro Torres/AAN)
De Capital da Porcelana, só resta a fama. Pedreira — cidade localizada a 44 quilômetros de Campinas — investe pesado na diversificação dos negócios e se transforma em um polo de turismo de negócios. Com recursos públicos, a transformação em estância deve incrementar ainda a economia local. A cada fim de semana, passam pelas 350 lojas na Marginal do Comércio nada menos que 15 mil pessoas. O trecho é o corredor comercial turístico da cidade, que nasceu às margens da Rodovia João Beira — que atravessa a zona urbana e é rota obrigatória para quem visita o Circuito das Águas. Os consumidores abarrotam os próprios veículos com peças decorativas. E Pedreira não vende apenas xícaras e pratos. Hoje, muitos estabelecimentos comercializam artigos de luxo: esculturas, quadros, peças de cristal. Há até oratórios com revestimento interno em ametista, por exemplo, ou miniaturas de madeira esculpidas com detalhes milimétricos. Presentes que, em alguns casos, são caríssimos, e se limitam a sonho de consumo para muita gente. O fato é que a cidade de Pedreira — naquele trecho de comércio tradicional — se tornou um gigantesco shopping a céu aberto. Uma estrutura servida, por exemplo, por um conjunto de sanitários públicos impecáveis, instalados no prédio histórico da estação ferroviária. Há restaurantes, bares, galerias. E um movimento frenético. O consumidor, por ali, só tem uma queixa. Às vezes é preciso estacionar o carro bem longe. Faltam vagas. Mas a transformação da cidade, hoje em dia, não é fruto do acaso. Os comerciantes do corredor comercial fundaram uma associação, o Clube dos Diretores Lojistas (CDL), e trabalharam na articulação política que levou, para todas as esferas de governo, os projetos de transformar a cidade em polo de negócios. A estratégia Quem explica a estratégia é o comerciante Marcos Ronaldo Tonelotti, membro de família que, há décadas, ganhava a vida vendendo louças e porcelanas. Primeiro, com as romarias à Câmara Municipal, os lojistas traçaram as diretrizes que fundamentaram o Plano Diretor de Desenvolvimento Comercial. Com o documento em mãos, o grupo brigou e conquistou, no governo paulista, o reconhecimento de Pedreira como “município de interesse turístico”. Chegaram os primeiros R$ 400 mil que financiam, hoje, a construção do portal turístico da cidade. As obras já começaram. Ali mesmo, pertinho da estação. Já existe, naquele corredor, uma cadeia importante de informações. Cada empreendedor divulga, por meio do grupo, o que produz e vende. “Criamos um canal para mostrar que nossas mercadorias contam com preço justo e qualidade”, afirma. Mas o projeto tem aspirações mais atrevidas. Pedreira não se contenta em ser “município de interesse turístico”. Quer o reconhecimento do governo como estância turística. Para isso, o plano diretor traça intervenções urgentes na configuração da urbe e na estrutura de serviços, que prometem facilitar a vida dos visitantes. Naturalmente, explica Tonelotti, o poder público investe na duplicação das rodovias e a modernização dos acessos à urbe. Mas o cronograma de investimentos prevê obras essenciais, como a recuperação do teleférico e o aprimoramento da cadeia hoteleira. Mais para o futuro, aposta o dirigente, a cidade vai ter de se debruçar sobre projetos ainda mais complexos, como a instalação de um anel viário no entorno da cidade, que promete tirar da região central o tráfego pesado da João Beira, ligação de Jaguariúna com Amparo. “A economia de Pedreira tende a crescer. Vamos criar muito mais oportunidades de trabalho e alcançar um novo patamar de desenvolvimento dentro da RMC”, aposta o diretor.