A chegada de um novo serviço de transporte executivo de passageiros no Aeroporto Internacional de Viracopos, vem acompanhada de uma polêmica
A chegada de um novo serviço de transporte executivo de passageiros no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, vem acompanhada de uma polêmica. A Safer Táxi, que já opera em outros seis aeroportos brasileiros, ainda não possui cadastro na Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), segundo a autarquia, mas já iniciou seus serviços no terminal campineiro nesta semana. Os passageiros que retiram suas bagagens na esteira, área restrita do desembarque do aeroporto, podem chamar uma carona em seis totens de autoatendimento instalados no local, como se estivessem pedindo um Uber pelo celular, ou ainda pelos funcionários da própria Safer que circulam livremente pelo saguão. Taxistas e motoristas de aplicativo, que já atuam há mais tempo em Viracopos, alegam que a empresa não está regulamentada em Campinas e não respeita a concorrência. “O correto seria essa empresa procurar uma parceria com os táxis, mas isso não aconteceu. Eles usam carros clandestinos, de chapa branca, que não estão credenciados pela Emdec. Nem usam aquele adesivo obrigatório, e além disso levam funcionárias para abordar os passageiros logo que estão retirando suas malas na esteira, furando a fila dos taxistas, que esperam do lado de fora do desembarque, ou dos motoristas de aplicativo, que estão na fila virtual”, reclama Maike Lopes, presidente da Aerocoop, a cooperativa de táxis que opera em Viracopos. Na área de desembarque de Viracopos só podem permanecer estacionados táxis que pertencem à cooperativa. Motoristas de aplicativos devem respeitar a fila virtual, criada pelos próprios apps, e só adentrar ao saguão quando chegar a sua vez de buscar um cliente. No caso da Safer Táxi, a reclamação é que os veículos da empresa passam o dia todo estacionados, só à espera dos passageiros que acabam de sair do desembarque, acompanhados por funcionários da startup. E muitos dos carros da empresa não possuem os adesivos obrigatórios pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), conforme flagrado em vídeos gravados por motoristas de aplicativos. O Correio Popular não conseguiu localizar representantes da Safer Táxi. Uma das funcionárias do aplicativo que estava trabalhando em Viracopos na última quarta-feira afirmou que o serviço não é clandestino, mas já recebeu até ameaças de motoristas. A Concessionária Aeroportos Brasil Viracopos informou que a Safer Táxi apresentou todas as certidões e documentos exigidos pelo aeroporto, mas reforçou que todos os veículos que transportam passageiros no terminal devem ter o adesivo obrigatório da Emdec, o que não foi constatado pela reportagem no local. Em nota, a Emdec confirmou que a Safer Táxi ainda não está cadastrada na empresa, mas se limitou a informar que realiza ações contínuas de fiscalização contra o transporte clandestino, inclusive no Aeroporto Internacional de Viracopos: “A orientação é que os usuários não utilizem transporte que não seja regulamentado pela Emdec. Eventuais denúncias podem ser realizadas pelo telefone 118.” Startup já foi proibida em outras cidades Em outras duas capitais brasileiras, a chegada da Safer Táxi também foi marcada por polêmicas. Em setembro de 2016, o serviço começou a operar no aeroporto, rodoviária e setor hoteleiro de Brasília, provocando confusão e bate-boca entre taxistas e funcionários da Safer. A Justiça chegou a proibir a operação da startup na modalidade pré-pago e executivo em todo o Distrito Federal, mas voltou atrás logo depois. Em Salvador, caso parecido ocorreu. O serviço começou a operar na capital baiana em abril, mas em julho a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (SEDUR) impediu o funcionamento da Safer Táxi no aeroporto da cidade, se baseando em uma denúncia feita por uma cooperativa de taxis que comprovou que a Safer estaria atuando sem autorizações devidas para os fins. Em outubro o serviço foi regulamentado.