O País é o 5º colocado neste ranking - e a tranquilidade no trajeto e a segurança de quem passa diariamente pelas rodovias do Interior paulista continuam sendo um desafio para a Polícia Rodoviária
Para especialistas, número de mortes só cairá de forma efetiva quando os motoristas passarem a respeitar as regras básicas de segurança no trânsito (Divulgação)
No Brasil, 1,3 milhão de pessoas morrem por ano em acidentes de trânsito. O País é o 5º colocado neste ranking - e a tranquilidade no trajeto e a segurança de quem passa diariamente pelas rodovias do Interior paulista continuam sendo um desafio para a Polícia Rodoviária. “Existe uma teoria que diz que todo acidente é causado. Ele nunca acontece do nada. Eventos dessa natureza podem ser culposos ou dolosos. Se as pessoas pensassem coletivamente e seguissem as regras, seria mais fácil garantir que os acidentes não acontecessem”, disse o comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Dinael Carlos Martins. Perdendo apenas para os homicídios, os acidentes de trânsito são hoje o segundo maior problema de saúde pública do País, segundo o comandante. “Eles custaram R$ 50 bilhões no ano passado”, disse. Em 2017, foram 64.972 acidentes registrados nas estradas brasileiras. Somente no Batalhão do comandante Martins, foram 18.701. No Estado, os acidentes deixaram 32.919 vítimas, das quais 1.758 fatais. “Nosso objetivo constante é derrubar esses números por meio de políticas públicas e soluções para um trânsito mais seguro”, afirmou. São Paulo conta com cinco batalhões da Polícia Rodoviária para fiscalizar, 24 horas por dia, uma malha rodoviária de 22 mil quilômetros e 645 municípios. Entre as ações realizadas pelos policiais, estão as preventivas e primárias, que lidam diretamente com a educação. “Com palestras e diálogos, estamos aos poucos implementando uma mudança de cultura que é extremamente necessária”, disse o comandante. Além dessas, há as ações nos grupos de maior risco. “Sempre focamos nos dados estatísticos, que mostram redução nos números. Mas eles ainda são preocupantes”, explicou. E alertou: “o álcool ainda é um grande causador de acidentes com morte nas estradas. Por isso as blitze são tão importantes”. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), entre todas as ocorrências fatais de trânsito, metade delas vitimam pedestres, ciclistas e motociclistas. No Brasil, São Paulo é o Estado com maior número de óbitos no trânsito - e dirigir alcoolizado é a segunda maior causa desses óbitos. As ações de fiscalização da Polícia Rodoviária envolvem também itens básicos, como o uso do cinto de segurança, além da vigilância contra o excesso de velocidade e as ultrapassagens ilegais e o uso de outras substâncias psicoativas pelos condutores. Além disso, há programas desenvolvidos em parceria que miram também os pedestres - como o “Café na Passarela”, que chama a atenção de moradores de regiões próximas às rodovias sobre a importância de se utilizar as estruturas na hora de cruzar a pista. Outra ação do tipo tenta combater o perigo do sono ao volante. O “Acorda Motorista”, voltado aos caminhoneiros, alerta sobre os riscos de se dirigir estando cansado ou por muitas horas sem uma pausa. Outra ação é a campanha “Pit Stop”, que busca conscientizar todos os motoristas sobre a importância da manutenção preventiva em seus veículos. “Sabemos da importância dos caminhoneiros para a economia, e temos um programa que oferece acompanhamento contínuo para eles com exames médicos, orientações para melhoria da qualidade de vida e até tratamento odontológico”, disse o comandante. Tanto empenho se reflete nos números, que, se não são os ideais, mostram bons resultados. “Os acidentes com vítimas caíram 19,43% em São Paulo. Os com vítimas fatais, 26% E os sem vítimas recuaram 33,16%”, afirmou o comandante. “O resultado poderia ser ainda melhor se os motoristas simplesmente respeitassem as regras. Esse é o nosso apelo constante”, concluiu. Reflexão Para o coordenador da disciplina de Cirurgia do Trauma da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, Gustavo Pereira Fraga, que mediou as discussões do Fórum RAC, os dados apresentados pela Polícia Rodoviária ainda chocam. “Não apenas pelo número de vítimas fatais, mas também pelas que sobrevivem e passam a apresentar sequelas. São números, infelizmente, ainda assustadores”, avaliou o médico, que atende muitas vítimas de acidentes de trânsito. “Os acidentes geram uma demanda enorme de serviço nos prontos-socorros e nas unidades de emergência. Nas UTIs, temos vários pacientes internados com sequelas decorrentes de acidentes de trânsito. O mais importante é trabalharmos com a questão da prevenção, da educação e do envolvimento de cada cidadão para reduzir os números”, concluiu.