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O 'matador de gatos' está de volta

Homem acusado de abater animais para beber o sangue foi liberado de internação psiquiátrica

Rafaela Dias
26/03/2018 às 21:10.
Atualizado em 23/04/2022 às 08:18
Inscrição no asfalto em frente à casa do acusado de ter matado 13 gatos, dos quais cortou as cabeças e bebeu o sangue: segundo ele, é sua "religião" (Leandro Torres)

Inscrição no asfalto em frente à casa do acusado de ter matado 13 gatos, dos quais cortou as cabeças e bebeu o sangue: segundo ele, é sua "religião" (Leandro Torres)

O “matador de gatos” que age na região do Jardim São Vicente, em Campinas, está de volta. O técnico em radiologia Paulo Marques de Freitas Neto, de 30 anos, que estava em internação psiquiátrica até a última quinta-feira no Hospital Ouro Verde, foi liberado - e está livre, ao menos por enquanto, para continuar com seus “rituais”. Freitas Neto foi detido pela Guarda Municipal no fim do mês passado após matar 13 gatos, cortar suas cabeças e tomar o sangue dos crânios com um canudinho - tudo parte da religião que segue, e tudo feito após “uma voz ter ordenado”. O Ministério Público decidiu denunciar Freitas Neto por crime contra os animais. A Justiça também vai pedir um exame psiquiátrico chamado “incidente de insanidade mental” para comprovar se ele oferece risco à sociedade. Além disso, a promotora Gabriela Gnatos Palermo vai pedir à Polícia para que seja feita busca e apreensão na casa dele. Os vizinhos dizem que estão assustados com a liberação de Freitas Neto, que, ao que parece, está voltando à ativa - no sábado ele teria sido visto levando um gato. “Ele sempre foi um bom vizinho, mas agora que sabemos do que ele é capaz, vivemos com medo”, disse uma vizinha que não quis se identificar. Não há confirmação sobre a alta pelo Hospital Ouro Verde, que explica que esse tipo de informação é “pessoal e sigilosa”. Segundo o conselheiro de Proteção dos Animais, Flávio Lamas, a promotora de Justiça está especialmente preocupada com a intenção de Freitas Neto de abrir uma clínica de cuidado de idosos - como ele mesmo já declarou. O delegado titular da 5º DP, Sandro Eduardo Jonasson, disse que foi informado por pessoas da proteção animal de que Freitas Neto havia sido visto no último final de semana em feiras de adoção de animais na cidade e nas proximidades de um cemitério. “Fizemos um boletim de ocorrência para embasar medidas posteriores, já que aguardávamos um posicionamento da Justiça” explicou o delegado. Quando o caso das mortes dos gatos aconteceu, o delegado de plantão que atendeu a ocorrência optou pela soltura do suspeito, por se tratar de crime de menor potencial ofensivo. Mas recomendou à Justiça para que fosse levado a uma clínica e que também fosse verificada como é a convivência dele com o filho. “O termo circunstanciado de ocorrência não permite a prisão e trata o caso com menor severidade. Na minha opinião, mudanças na lei deveriam ser feitas com urgência. Ele assinou o termo, mas está respondendo em liberdade e isso pode se tornar um problema. Hoje são animais, amanhã podem ser crianças”, alertou o delegado. Preocupação ONGs e protetores autônomos de animais de Campinas estão preocupados com o caso. No final de semana, eles usaram as redes sociais para se unir e pressionar por medidas das autoridades. “Tenho muito medo de estar lidando com um psicopata. Há muitos gatos que ficam soltos no na Lagoa do Taquaral e é muito fácil alguém pegá-los. Se essa pessoa faz isso com um animal, o que ele não faria com uma criança?”, disse o presidente da ONG Gatos da Lagoa, Leandro Delamare. Ele estava no Taquaral em uma feira de adoção e reconheceu Freitas Neto no local. “Ele estava com uma caixinha na mão, dizendo que queria adotar um gatinho para o filho. Mas eu o reconheci na hora - e disse isso a ele, que se defendeu dizendo que queria limpar sua imagem”, contou Delamare. Mas ele não acreditou muito nas boas intenções do “matador”, e recomenda atenção. “Até que alguma medida mais efetiva seja tomada, as ONGs precisam ficar atentas, porque Freitas Neto não se mostra agressivo em momento algum, e pode enganar quem estiver doando algum animal caso não passe pelas entrevistas das ONGs, que foram feitas justamente para evitar esse tipo de coisa. E se alguém o reconhecer, deve alertar quem estiver por perto”, afirmou. Já a Polícia teme que divulgar a identidade de Freitas Neto acabe em outra tragédia. “Sabemos que muita gente está fazendo ameaças contra ele, mas é preciso entender que um crime não justifica outro crime. É preciso aguardar a Justiça”, afirmou o delegado. A reportagem esteve na casa de Freitas Neto, mas não conseguiu entrevistá-lo.

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