REDE MUNICIPAL

Pais decidem sobre retorno à escola

Município retoma aulas presenciais em março com rodízio de alunos, mas volta a escola é opcional

Moara Semeghini/ Correio Popular
28/01/2021 às 11:51.
Atualizado em 22/03/2022 às 09:50
Alunos em frente a escola da rede municipal: educadores temem capacidade de manter distanciamento (Importação)

Alunos em frente a escola da rede municipal: educadores temem capacidade de manter distanciamento (Importação)

A volta às aulas para os alunos da Rede Municipal de Ensino será opcional, disse o prefeito Dario Saadi durante a transmissão ao vivo realizada ontem, em rede social. O início do ano letivo para as escolas do município está previsto para o dia 1º de março. A partir daí, metade dos alunos matriculados terá aula presencial e a outra metade permanecerá no ensino remoto. Quinze dias depois, inverte-se a ordem. As crianças também terão a opção de ter apenas aulas online, em casa, caso os pais assim decidirem.

O secretário de Educação de Campinas, Tadeu Jorge, lembra que o primeiro ponto importante em relação aos cuidados é o distanciamento. "Se diminuirmos em 50% a presença de estudantes nesse momento, conseguiremos manter o distanciamento de 1 metro e meio entre cada criança", explicou.

"As secretarias de Educação e de Saúde de Campinas prepararam um cronograma com critérios rigorosos de distanciamento e prevenção para o retorno às aulas", garantiu o secretário. Jorge salientou que o ambiente escolar é um ambiente de segurança desde que os protocolos das autoridades sanitárias em relação a prevenção contra a covid-19 sejam cumpridos.

Mas, para Angela Soligo, psicóloga vinculada à Faculdade de Educação da Unicamp, é muito prematuro expor alunos, professores, funcionários e suas famílias a um risco previsível. O agravamento da situação da pandemia da covid-19 no País, com a chamada segunda onda, chama atenção por conta do aumento progressivo no número de casos diários, internações e óbitos.

A recomendação das autoridades sanitárias ainda é a mesma: manter o distanciamento, usar máscara e higienizar as mãos. A psicóloga explica, porém, que mesmo com o revezamento entre os alunos, não há garantia efetiva de que as crianças (e seus pais e avós) estejam protegidos.

"Como prometer que os alunos ficarão quietos em suas cadeiras por horas e que não irão se aproximar? São crianças". Segundo ela, mesmo que o distanciamento seja estabelecido pelas autoridades, na prática não há como garantir que esse cuidado seja tomado durante toda a permanência da criança na escola. Há dificuldade também em obrigar a criança a permanecer com a máscara, por exemplo.

"Há muito o que fazer, mas não dá para expor todos ao risco de infecção", considera. "Mesmo os professores e funcionários da escola estão expostos a riscos que não têm como controlar, já que muitos vão trabalhar de ônibus", pondera.

Questionado sobre o motivo de professores não fazerem parte dos grupos prioritários na vacinação, o prefeito lembrou que a determinação sobre quem será vacinado primeiro vem do Plano Nacional de Imunização. A diretora do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa), Andrea Von Zuben, acrescentou que, como muitos outros trabalhadores que não podem ficar em isolamento, é preciso se prevenir com as medidas já divulgadas e esperar a sua vez de ser vacinado.

De acordo com o secretário de Educação, para o caso de escolas em que o espaço físico da sala de aula seja pequeno, a porcentagem de crianças que poderão assistir aulas presenciais diminui. O cálculo da quantidade de crianças permitidas por sala de aula é feito baseado no distanciamento de 1 metro e meio entre elas. Ou seja, se a sala for pequena, o número de crianças que poderão ter aulas presenciais diminui ainda mais.

Soligo diz acreditar que as autoridades de educação poderiam focar esforços em melhores condições para que todos os alunos tenham condições de fazer aulas online. Além de investir no material e nas aulas online, para ela o essencial seria promover conversas quinzenais entre pais e professores pela web, onde seria possível ajudar o aluno ter contato com suas necessidades e aproximar a família.

Outras medidas

Todos os alunos receberão um kit com quatro máscaras laváveis e um frasco de álcool gel. Os professores também receberão máscara e álcool gel. Em todo o ambiente escolar haverá totens de álcool gel e também serão distribuídos frascos.

A higienização das escolas também será feita de maneira rigorosa pelos funcionários da limpeza, garantiu o secretário Jorge. Segundo ele, os turnos da manhã e da noite serão de apenas três horas para garantir que seja feita uma limpeza cuidadosa de todos os ambientes, diariamente.

A ventilação das salas foi outra questão considerada em relação à segurança dos alunos, professores e funcionários. O Departamento de Vigilância Sanitária visitou as 207 escolas municipais de Campinas e fez um relatório com as necessidades de adaptação dos locais para garantir que a segurança rigorosa exigida nos protocolos seja cumprida.

Escolas particulares

As escolas das redes Estadual e particular seguem o que determina o Plano São Paulo. Na fase laranja, elas podem funcionar desde que cumpram os protocolos sanitários e com apenas 35% dos seus alunos. Muitos pais de estudantes das unidades particulares, que retomaram esta semana as atividades presenciais, também reclamam das dificuldades enfrentadas pelas crianças. "As aulas online são muito longas. É difícil manter meu filho interessado por tanto tempo, pois está longe da presença dos colegas e professores", explica Rosália Takemoto, mãe de Erick Takemoto, de 7 anos, aluno de escola particular. 

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