
A análise do secretário foi realizada durante a divulgação do Relatório do Primeiro Quadrimestre deste ano da Secretaria de Saúde (Rodrigo Zanotto)
Sobre a disponibilidade de leitos no Sistema Único de Saúde (SUS) de Campinas, o secretário municipal de Saúde, Lair Zambon, afirmou que mesmo com a abertura do Hospital Metropolitano, que vai garantir mais de 400 leitos para a Região Metropolitana de Campinas, a estrutura ainda não será suficiente para atender a demanda local. O município possui hoje algo em torno de mil leitos disponíveis em toda a rede SUS.
“Mesmo com o trabalho junto ao Estado nesse projeto, do ponto de vista técnico, os leitos não serão suficientes, pois ainda vai faltar. O Hospital Metropolitano será de caráter resolutivo. Mas, a cidade tem uma demanda imensa e um ‘cobertor’, que do ponto de vista de leitos, é curto”, revelou o secretário.
Zambon refletiu sobre o atual cenário da saúde pública municipal em meio à crise da superlotação que alcançou um novo ápice nesta semana, com o Pronto-Socorro SUS do Hospital PUC-Campinas operando 390% acima da sua capacidade, assim como o Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp que alcançou 400%. Na Rede Mário Gatti a ocupação das unidades está entre 98% e 100%. A análise do secretário foi realizada durante a divulgação do Relatório do Primeiro Quadrimestre deste ano da Secretaria de Saúde.
A apresentação do documento apontou o menor percentual (18,8%) do orçamento municipal destinado à Saúde nos primeiros quatro meses do ano desde 2019, quando o índice atingiu 18,34%. Com exceção do índice registrado há sete anos, o montante estabelecido em 2026 é o menor desde 2008, tendo em vista que nos últimos 18 anos as variações percentuais se mantiveram acima de 20%. O orçamento do município para 2026 foi fixado em R$ 11,7 bilhões.
Em relação à distribuição das despesas da Secretaria de Saúde, o valor de R$ 3.100.576,26 foi destinado ao setor de investimentos e obras, equivalente a 0,4% das despesas totais da Pasta, que corresponde à somatória dos percentuais destinados à Secretaria de Saúde e à Rede Municipal Dr. Mário Gatti (RMMG). Do percentual vinculado à Pasta (R$ 2.326.621,62), apenas 0,5% foi destinado ao setor de investimentos e obras, índice menor que o registrado no mesmo período do ano passado (0,58%).
Os índices de investimento e obras relacionados à Rede Municipal Dr. Mário Gatti (RMMG) (R$ 773.954,64) apresentou um ligeiro aumento no comparativo quadrimestral deste ano (0,33%) em relação mesmo período do ano anterior (0,05%). Enquanto o percentual atribuído ao Pessoal e Encargos Sociais da Secretaria (46,07%) aumentou no comparativo com o índice alcançado no ano anterior (44,53%). O mesmo índice relacionado à Rede Mário Gatti registrou queda de menos de 1%, com 37,49% neste ano contra os 38,29% atribuídos em 2025.
O maior responsável pelas despesas destinadas à área da Saúde continua sendo o município, cobrindo 72,73% dos gatos (R$ 507.351.642,59), seguido do governo federal que arcou com 21,4% (R$ 149.308.865,38). A contribuição estadual correspondeu a 4,1% (R$ 28.613.979,13) e a relacionada às emendas municipais alcançou de apenas 0,58% (R$ 4.041.706,79). De modo geral, os percentuais se mantiveram em relação aos registrados no primeiro quadrimestre do ano passado, com variações de menos de 1% nos índices estabelecidos.
No comparativo dos nascidos vivos de mães residentes em Campinas nos primeiros quadrimestres de 2023 a 2026, o município tem apresentado uma queda contínua desde 2023 e atingiu o menor índice este ano, com 3425 nascimentos. O maior número foi registrado no início da contagem, há três anos, com 871 nascidos a mais no mesmo período.
Dentre as metas estipuladas no relatório, Campinas não alcançou o mínimo de 80% da cobertura populacional estimada pelas equipes de Atenção Básica, atingindo 72,48%, assim como no que diz respeito à saúde bucal, que registrou 31,15% e não o esperado de 34%. Os índices de imunização da Pentavalente (94,9%), Pneumocócica (93,3%) e Tríplice Viral (93,5%) também não alcançaram o percentual estimado de 95%.
Em relação ao percentual de Unidades Básicas de Saúde com, no mínimo, três tipos de práticas do programa da saúde integrativa, o percentual (69,56%) ficou longe do esperado de 90%. Assim como a proporção de cura de casos novos de tuberculose pulmonar com confirmação laboratorial, que alcançou 34,82% contra os 80% esperados. A proporção de atendimento das denúncias recebidas via sistema 156 dentro do tempo estabelecido (20 dias) pelo setor de fiscalização de alimentos (20,39%) ficou longe do esperado de 75%.
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