9 de julho

Paulista sim, brasileiro com certeza!

Neste mês comemoramos o 9 de julho! Feriado no Estado de São Paulo, com data alterada em função da quarentena que nos impõe a Covid-19

Agostinho Tavolaro/Especial para a AAN
09/07/2020 às 07:54.
Atualizado em 28/03/2022 às 21:10
Mausoléu no Cemitério da Saudade é o guardião da memória dos ex-combatentes (Leandro Ferreira/AAN)

Mausoléu no Cemitério da Saudade é o guardião da memória dos ex-combatentes (Leandro Ferreira/AAN)

Neste mês comemoramos o 9 de julho! Feriado no Estado de São Paulo, com data alterada em função da quarentena que nos impõe a Covid-19. Não é demais dizer o que significa: 9 de julho de 1932, neste dia, ou melhor, nesta noite fria e garoenta, começou em São Paulo o Movimento Constitucionalista — a Revolução de 32. Sim. Foi uma revolução. Mas não foi uma tentativa de separar São Paulo do Brasil. Nem procurou derrubar um governo. Foi um movimento idealista, a perseguição de um ideal que pleiteava que no Brasil se votasse uma Constituição. Por que isso? Porque uma constituição rege todo um país. E 32 foi uma resposta à revolução de 1930, que tendo à frente Getúlio Vargas, prometeu dar ao Brasil e aos brasileiros o reconhecimento de seus direitos, dizendo que votar-se-ía uma nova Constituição, substituindo-se a Constituição de 1891. Estabeleceu a revolução de 30, no entanto, um governo ditatorial, em que foram abolidas as instituições do Legislativo e manietada a do Judiciário, para obedecer a vontade do ditador. Famosa ficou a frase do ditador: "Para os amigos tudo, para os inimigos a lei". O lema da Revolução "Pro Brasilia Fiant Eximia", em latim, ou "Pelo Brasil faça-se o melhor", demonstrava que se visava uma constituição para unir o Brasil sob a égide de uma Lei Maior. No 9 de julho iniciou-se a revolução, que vinha sendo anunciada desde 23 de maio, quando foram sacrificados os jovens a quem se dedicou a sigla MMDC, mortos naquela data pela polícia ditadorial: Miragaia, Martins, Drausio e Camargo. Juntaram-se os paulistas. Formaram tropas de voluntários, a grande maioria gente que sequer sabia manejar uma espingarda, quanto mais um fuzil. E não havia armas para todos. Estudantes, homens maduros. Também mulheres que chegaram a empunhar armas, que se desdobravam nos hospitais de campanha, que costuravam fardas. Crianças, formando batalhões de soldadinhos, vestiam-se com uniformes e armadas com paus de vassoura à guiza de fuzis desfilavam incentivando os adultos para irem à luta. Aqui em Campinas, um menino, escoteiro — Aldo Chioratto — foi morto em um bombardeio pelas forças da ditadura. Nos bondes as jovens, quando um homem de pé, acercavam-se dele oferecendo-lhe seu lugar, dizendo, " Sente-se, por favor. O senhor deve estar doente, pois senão estaria no front lutando por São Paulo". Esta página, eu a escrevo pela memória de meu pai e minha mãe que, noivos, de casamento marcado, separaram-se na estação da Mogiana em Pinhal, ela com lágrimas nos olhos pelo medo de tê-lo morto pelas balas da ditadura, e ele compenetrado na missão que teria como voluntário, casando-se felizmente após o fim da revolução. Deles aprendi a lição que o valor de uma democracia merece sacrifícios de todos nós. Deles, passo a lição para os jovens de hoje em dia. *Advogado. membro da Academia Campinense de Letras.

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