Consórcio envia aos municípios lista de sugestões para o enfrentamento das consequências da estiagem deste ano

O volume de chuva abaixo da média histórica e o calor extremo da Primavera afetaram rios como o Atibaia (Matheus Pereira/AAN)
O Consórcio PCJ — responsável pelo gerenciamento das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí — enviou aos municípios associados orientações e sugestões de contingenciamento para o enfrentamento da estiagem 2020. As ações estão divididas em três graus de criticidade de atendimento do abastecimento de água: baixa dificuldade no atendimento de água ou fase verde, média dificuldade ou fase amarela, e alta dificuldade ou fase vermelha. Em cada uma delas são recomendadas medidas para amenizar os impactos à população e evitar uma possível interrupção do serviço de abastecimento. O órgão ressalta que, até agora, as chuvas em 2020 estão 25% abaixo das médias históricas e que os dois últimos anos também apresentaram redução nas precipitações esperadas. A ocorrência do fenômeno "La Niña", que esfria as águas do Oceano Pacífico e diminui as chuvas nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, indica uma tendência para esse ano de precipitações novamente abaixo do esperado. Para se ter uma ideia, ainda segundo o Consórcio PCJ, no último mês de setembro, as chuvas ficaram 73% abaixo das médias históricas. A preocupação do Consórcio PCJ é que um Verão com menos chuvas pode diminuir a recarga do lençol freático e dos reservatórios de água, podendo reduzir ainda mais a disponibilidade hídrica dos mananciais das Bacias PCJ para 2021. Neste mês de outubro, os Reservatórios do Sistema Cantareira registraram volume de armazenamento inferior a 40%, adentrando à faixa de alerta de operação. "O momento atual é de alerta. Estamos tendo precipitações muito baixas e uma Primavera extremamente quente, batendo recordes de temperaturas altas, o que está pressionando o consumo. Portanto, temos aí uma junção de pouca disponibilidade e uma demanda forte, que pode baixar ainda mais nossas reservas", alerta o secretário executivo do Consórcio PCJ, Francisco Lahóz. Na Fase Verde, a orientação é identificar pontos críticos de insegurança hídrica em áreas urbanas e rurais para planejamento e implantação de medidas de contingência o quanto antes possível. Cursos de capacitação para funcionários voltados para soluções alternativas e inovadoras que promovam melhoria no sistema de abastecimento e aumento da segurança hídrica. Além disso, avaliar as demandas. Fazer campanhas de conscientização, educação ambiental, entre outros. Já na Fase Amarela, a orientação é a diversificação de fontes para o uso dos recursos hídricos disponíveis, elaboração de cadastro prévio de caminhões pipas pelas prefeituras e empresas, incentivo a implantação de novas tecnologias mais eficientes no consumo de água. Aumento do estoque de suprimentos essenciais no tratamento de água para período de pelo menos 6 meses. Adotar estratégias para contingenciamento dos eventos extremos relacionadas às ações de infraestrutura verde, tais como a implantação de piscinões ecológicos. Por fim, na Fase Vermelha, a mais crítica, criar um Grupo Gestor de Crise, que ficará responsável por executar ações estratégicas que viabilizem a agilização de providências emergenciais, caso necessárias, incluindo captação de água por fontes alternativas e seguras, como as águas subterrâneas, o abastecimento através de caminhões-pipa e incentivos para a redução do consumo de água na agricultura e indústria. Mapeamento das comunidades e regiões críticas, a fim de garantir o abastecimento seguro e consciente. Acesso, mapeamento e cadastro pela prefeitura de todos os poços de água subterrânea disponíveis no município. Elaborar um modelo de decreto municipal com medidas para o controle dos desperdícios.