barragem

Pedreira ainda espera planos de emergência

Previstos para julho, documentos seguem sem data de entrega

Maria Teresa Costa
23/08/2019 às 20:47.
Atualizado em 30/03/2022 às 18:43

Previstos para serem concluídos no final de julho, os planos de segurança e de emergência da barragem no Rio Jaguari, em Pedreira, seguem sem data para serem apresentados à população. O Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee) informou que a versão preliminar desses planos está sendo finalizada para ser apresentada à Defesa Civil e aos moradores. Esses documentos são exigidos no licenciamento de operação da barragem, antes do início do enchimento, mas o Daee decidiu antecipá-los para levar mais tranquilidade à população. Pressionado pela Câmara e por moradores, o prefeito de Pedreira, Hamilton Bernardes (PSB), vem tentando na Justiça interromper as obras, mas sem sucesso. Em fevereiro ele embargou as obras, mas o Daee conseguiu na Justiça a liberação, e elas não chegaram a ser paralisadas. A exigência dos planos de segurança e de emergência ganhou força após o desastre em Brumadinho. Vereadores apresentaram projetos para impedir a construção da barragem, mas foram vetados pelo prefeito, por inconstitucionalidade. Manifestações também vêm ocorrendo em Pedreira contra a construção. A barragem ocupará uma área de 2,1 quilômetros quadrados, terá capacidade para acumular um total de 31,9 milhões de metros cúbicos de água e vai permitir uma vazão regularizada de 8,5 mil litros de água por segundo. O investimento será de R$ 256 milhões, sendo R$ 231 milhões na construção da barragem e R$ 25 milhões na desapropriação da área do lago. O enchimento da barragem, segundo estimativa do Daee, será concluído em julho de 2021. A construção de uma barragem no Rio Jaguari integra projeto do governo do Estado para garantir reserva de água bruta para a região de Campinas. Outra barragem está prevista no Rio Camanducaia, em Amparo, mas não tem prazo de início previsto, porque o Daee ainda não conseguiu a outorga para o barramento por causa da qualidade da água, que tem alta concentração de fósforo. Para que a água possa ser utilizada, haverá necessidade de melhorar o tratamento de esgoto das cidades situadas ao longo do rio. Em 2016, a Agência Nacional de Águas indeferiu o pedido de outorga preventiva com base em análise que mostra que o represamento do Rio Camanducaia geraria problemas de perda de qualidade da água, com a chamada eutrofização — desastre ambiental que pode ocorrer num lago ou reservatório pela concentração de nutrientes. O enriquecimento com nutrientes, como fósforo, conduz a uma proliferação exagerada da flora aquática, mau cheiro, mortandade de peixes, mudança na biodiversidade aquática e contaminação da água por toxinas.   

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