Afastado há 14 anos da vida pública, foi vereador por quatro mandatos e prefeito por pouco mais de um ano

“Quando eu entrei na prefeitura da cidade, aquilo não era paz, era uma praça de guerra”, destaca o ex-vereador (Alessandro Torres)
O empresário e médico Pedro Serafim estuda ser candidato a prefeito de Campinas em 2028. Após 14 anos afastado da política, depois de sido vereador quatro vezes e prefeito por um ano, em meio à maior crise política da cidade, ele admitiu nesse entrevista, concedida a convite do presidente-executivo do Correio Popular, Ítalo Hamilton Barioni, que está sendo seduzido por amigos a entrar na corrida ao Palácio dos Jequitibás. “Eu já estou admitindo a possibilidade de voltar a me candidatar a prefeito na cidade de Campinas”, afirmou.
Serafim fala ainda sobre sua atuação como presidente da Câmara Municipal durante os processos de impeachment dos ex-prefeitos Hélio de Oliveira Santos e Demétrio Vilagra. Aborda também a experiência como empresário e temas envolvendo a saúde.
O senhor é filho de que cidade?
Eu sou filho de Campinas e eu sou daquela geração que amava Campinas e que tinha orgulho de ser de Campinas, da terra de Carlos Gomes, do Instituto Penido Burnier, de Roberto Rocha Brito, do Instituto Agronômico de Campinas. Até a rainha da Inglaterra, quando veio ao Brasil, fez uma passeata de carro e passou na frente do Instituto Agronômico. Campinas é uma cidade que me enche de orgulho, não só do passado. Nós temos aqui a Unicamp, a PUC, o laboratório de luz síncrotron, inúmeras outras instituições de estudos e de pesquisa da vanguarda mundial. Eu brinco que o campineiro é um ser diferente. Eu escutava, na praia, os caras conversando. Um falava, da onde você é? O outro respondia eu sou de São Paulo. O outro falava eu sou do interior, sou de Ribeirão. E você? Eu sou de Campinas. Aqui não é interior, aqui não é a capital, aqui é Campinas.
A sua infância foi vivida em que bairro?
Essencialmente na Nova Campinas. Meu pai foi um dos primeiros moradores da Nova Campinas. Ele também era ginecologista e obstetra. Um camarada excepcional, bravo, rigoroso. Quando eu fui candidato a vereador, ele falou pra mim: ‘Você é uma decepção pra mim, porque político não presta e você vai se meter como isso. Filho, a única coisa que eu estou lhe deixando de precioso é o meu nome. Nunca manche o nosso nome.’ Eu falava pra ele: não, o senhor pode ficar tranquilo. Eu senti muito isso depois que eu fui prefeito, porque eu tenho um filho que tem meu nome. Ele não poderia andar na rua de cabeça erguida se eu tivesse feito qualquer barbaridade na prefeitura. Isso é muito importante. Você poder sair na rua de cabeça erguida e ser pelo menos cumprimentado ou admirado ou qualquer outra coisa. Não pode ser xingado, achincalhado. A gente tem que cuidar do nosso nome.
O senhor foi duas vezes prefeito, uma vez por 15 dias e a outra em um mandato tampão de um ano, e quatro vezes vereador. Qual avaliação que o senhor faz desse trabalho político?
Com honestidade, eu não fui um grande vereador, porque eu nunca deixei de trabalhar. Eu continuei trabalhando nas minhas atividades. Eu tinha um gabinete muito bom, que resolvia tudo que eu precisava, mas eu delegava. Não era uma coisa pessoal. Eu ia à noite na Câmara, eu estudava os projetos de lei, debatia os projetos de lei e votava. Mas o dia a dia da vereança, que eu até acho errado, que é ficar sendo um despachante da população para tapar buraco, poda de árvore e tudo, isso eu não fazia. Quem fazia era meu gabinete.
Em 2011, quando fui eleito presidente da Câmara, isso mudou. Imediatamente cortei metade do expediente no meu consultório, que eu já estava pretendendo fazer isso. Em 2010, eu decidi que era o meu último mandato, porque a minha empresa, eu tenho uma empresa que faz teste para medicamentos, está crescendo muito. Naquela época já tinha 120 funcionários e eu precisava me dedicar muito mais à ela?
Eu fui um bom presidente da Câmara, cumpri o meu papel. E qual foi o meu papel? Começou sanando os grandes ralos de dinheiro da Câmara. Eu comecei a cortar tudo. Em abril, logo no início do mandato, surgiram as questões da prefeitura e depois o impeachment do prefeito e do vice-prefeito. Eu garanti só uma coisa: que o processo fosse honesto. O prefeito, o vice-prefeito teriam o seu tempo para o contraditório, teriam todas as suas garantias respeitadas e o processo iria ocorrer sem interferência de nada, sem interferência externa. Eu consegui fazer isso. Os vereadores muitas vezes eles tinham alguma ansiedade, algum medo, mas eu dizia que estava ali para garantir a lisura do processo. Em novembro daquele ano, fui prefeito por 15 dias. Depois voltou o vice-prefeito. No final de dezembro, eu poderia empurrar a votação do impeachment para janeiro e aí não ia nem precisar ter eleição indireta, porque, no caso de vacância, assumiria o presidente da Câmara. Porém, se for no penúltimo ano, tem eleição indireta. Eu garanti que o impeachment ocorresse em dezembro para passar por eleição indireta na Câmara, quando eu concorri com o então vereador Arly de Lara Romeo e ganhei. Nesse um ano e quinze dias, eu garanto para você que eu tive a mesma carga horária de médico. Eu assumia na prefeitura às 15 para 6 da manhã. Não dá pra se pegar um carro e ir lá no Itajaí, no Ouro Verde, às oito da manhã. Você tem que ir às seis da manhã, senão você perde o dia inteiro dentro do carro. E o prefeito tem que ir olhar o que está acontecendo na cidade.
O senhor comandou a Câmara na maior crise política já vivida por Campinas e depois pegou o Executivo com o carro andando. Como é que foram essas duas questões?
Primeiro, condução da crise. A partir de abril, a gente não conduzia mais, era conduzido. Mas tinha que levar as investigações a termo. Eu só garantia que não fossem feitos procedimentos de forma errada, porque poderia anular todo o processo. Não posso acusar o doutor Hélio [ex-prefeito Hélio de Oliveira Santos] de ter me chamado para tentar me colocar em alguma posição. Eu procurei não ficar íntimo dos cinco vereadores que faziam parte da Comissão Processante. Eu quis ficar numa posição equidistante aos dois lados, para que as coisas acontecessem com naturalidade de uma forma regular.
Aconteceu o que aconteceu, não sei se foi por pressão popular, da imprensa, que tinha acesso a tudo que estava acontecendo, e as pessoas cobravam. O que é bonito da democracia é exatamente isso. Você tem direito de cobrar o seu representante. E se ele não servir mais, você vota em outro?
Depois eu assumi a prefeitura. Eu sempre fui, paralelamente a médico, um empresário. Eu tive um day hospital, que teve sucesso. Mas, eu fechei para fazer um centro de pesquisa, que hoje é o maior do Brasil. Então, eu tinha um pouco de experiência administrativa na área empresarial. Mas não precisa muito, não. Uma dona de casa bem controlada administra uma cidade. Porque você tem que administrar a cidade do jeito que a dona de casa administra a casa dela. Está faltando dinheiro? Você não vai comer carne de primeira, come carne de segunda. Está faltando mais dinheiro? Passe a comprar frango, substitui a proteína do frango pelo ovo. Você tem que ir arrumando soluções. E foi isso que eu fiz naquele ano.
Inclusive, não tenho nenhum orgulho de falar disso, eu contingenciei em 30 % as verbas. Eu fui muito duro com a Cultura. Por quê? Porque eu achava que era mais importante comprar remédio no posto de saúde do que dar dinheiro para as apresentações de cultura na praça. É questão de prioridade. Para mim, naquele momento, a minha prioridade era saúde, educação, era tudo isso. Eu não podia gastar dinheiro com outras coisas. Fiz o que com orçamento contingenciado da cultura? Era algo em torno de R$ 12 milhões, que eu gastei 90 % na reforma do Castro Mendes, quando Campinas estava sem teatro. Eu fechei o Centro de Convivência porque estava com risco de cair. O Castro Mendes não existia mais. Não tinha as cadeiras, não tinha nada lá dentro, era um barracão. Foi o único pedido que a minha mulher fez. Falou: “Eu quero que você reforme e entregue ao Castro Mendes.” Nós fizemos das tripas ao coração para entregar o teatro em dezembro para as bailarinas fazer as apresentações de fim de ano das escolas de balé da cidade?
Eu peguei a prefeitura com mais de 40 remédios faltando no posto. Eu entreguei faltando oito remédios no posto. Eu comprei remédio, pus os postos para funcionar. Não reformei nenhum, não tinha dinheiro. O que eu fiz? Em fevereiro, quando começaram a pagar o IPTU, eu fiz o tapa-buraco da cidade. A cidade parecia a lua, cheia de cratera. Era impossível andar na cidade de Campinas. Então, as coisas que eram realmente precisas foram feitas. O certificado de bom pagador da prefeitura, de novo. A prefeitura não tinha o certificado de bom pagador, não podia fazer uma compra parcelada. E eu tirei o certificado e consegui comprar, através de um programa do governo, três ou quatro máquinas para a Secretaria de Obras. Eu limpei o nome da prefeitura de Campinas no Serasa. São coisas que não aparecem por aí, mas são importantíssimas para a cidade. Eu deixei pro Jonas [Jonas Donizette, ex-prefeito) administrar uma cidade muito mais fácil de ser administrada do que a que eu peguei. Deixei uma cidade pacificada. Quando eu entrei na cidade, aquilo não era paz. Aquilo era uma praça de guerra.
A Câmara me ajudou muito, porque eu dava atenção aos vereadores. Eu não dei cargo, não dei mesada, não dei nada para os vereadores. Mas eu falava, eu sou um de vocês, podem vir a hora que vocês quiserem e entrar sem bater à porta. No fim da tarde, Eles iam na sala do prefeito. Juntavam 15, 20 vereadores lá pra conversar.?
Foi um momento tão tenso, de tanta pressão, que trouxe até reflexos pessoais para a minha saúde. Depois que eu fui prefeito, engordei uns 15 quilos. Eu me sentia mal. Depois desse ano, eu infartei, fui para a UTI, coloquei quatro stents. Eu desenvolvi diabetes. Eu não tenho dúvida que isso foi o estresse desse ano que eu vivi na Câmara e na Prefeitura. Depois desse período, eu abandonei a política e fui cuidar da minha empresa.
Eu queria que falasse um pouco mais da empresa, porque nós estamos no que se denominou um hub de saúde importante no país?
O Brasil sempre teve uma legislação muito nociva para pesquisa. A gente tinha que aprovar uma pesquisa no CEP, Comissão de Ética em Pesquisa, e se a pesquisa era com remédios novos ou com laboratórios internacionais, tinha que passar pelo Comitê Nacional de Pesquisa Clínica, que era o Conep. Eles tinham prazo de 60 dias para entregar o laudo, se estava aprovada a pesquisa ou não, mas demorava dois, três anos. Em dois, três anos já acabou a pesquisa. Porque como é que feita uma pesquisa? É contratada uma empresa chamada CRO, que é quem organiza a pesquisa. Essa CRO contrata sites no mundo inteiro para desenvolver essa pesquisa, menos no Brasil. Nos três anos que a Conep demorava para responder, a empresa já tinha feito a pesquisa com participantes de outros países. Qual é a vantagem? A vantagem é, se você está desenganado, não existe cura para o seu câncer, está em estágio terminal, onde os remédios não funcionam, é oferecido um remédio que está sendo testado. Muitas vezes funciona, muitas vezes não funciona. Mas, você já está com seu destino traçado, esse novo remédio poder ser uma expectativa de tratamento. A gente vê muito gente que tem uma expectativa de vida de três meses, seis meses, viver cinco anos, seis anos, com qualidades de vida.
É muito importante a gente estar dentro da comunidade científica e realizar as pesquisas. Isso é importante não só para a empresa, não só para o país, mas para a população, que vai ter acesso a esse tipo de medicamento que não está disponível nas prateleiras das farmácias?
Existem inúmeras doenças reumáticas, renais, inflamatórias gravíssimas, que não tem cura, mas está sendo testado o remédio que tem um resultado muito bom. Na nossa empresa, nós fazemos esses testes também de um ano e meio para cá. Mas a empresa foi fundada para fazer, em 2005, bioequivalência de medicamento. Bioequivalência é para copiar um remédio que já existe. Quando há quebra de patente de uma empresa internacional, a nacional pode copiar. Mas pra ela copiar, ela tem que apresentar todos os laudos que a cópia dela é absolutamente perfeita. A lei diz que a concentração do remédio que você copiou tem que ser semelhante, aceitando um desvio padrão de 10% para mais ou para menos. Esse tipo de atividade é altamente regulamentada e fiscalizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, pelas próprias indústrias farmacêuticas. A empresa também faz exame toxicológico no cabelo para quem vai renovar ou tirar a carta de motorista C e D. Para mim, é o melhor jeito de combate à utilização de drogas não é com arma, mas sim fazendo o exame. A pessoa que queira exercer qualquer profissão ou queira ser motorista vai pensar antes de usar drogas ao saber que terá que passar pelo exame.
Como médico, o senhor é a favor do remédio genérico?
O remédio genérico foi o que aumentou absurdamente o acesso da população à medicação, A gente ainda viu uma certa desconfiança do genérico tanto por parte dos usuários e, às vezes, por parte de médicos. Eu gravei na semana passada no meu Instagram um vídeo em que falo do tema, porque dia 20 de maio foi o Dia do Medicamento Genérico. Quem desconfia do genérico é por desinformação. O genérico é exatamente igual ao remédio de marca, dentro da tolerância desse desvio padrão de 10%. Eu só tomo genérico. A Anvisa é hoje a agência sanitária mais respeitada do planeta ou tão respeita quanto o FDA, dos Estados Unidos. Ela pega todas as exigências do FDA e da EMA, da Europa, põe tudo junto e faz a maior exigência do mundo.
O senhor falou que deixou a política para cuidar da empresa, mas certamente tem observado o cenário atual, tanto local quanto nacional. Qual é a sua avaliação, e o senhor tem aspirações para voltar a campo?
Vamos falar primeiro da política em si. É triste ver o que aconteceu com a política brasileira. Todo mundo depende da política. É a política que traça o rumo das nossas vidas. Quando ele põe um imposto na camiseta que vem da China, ou quando ele tira o imposto da camiseta da China, ele mexeu com todo mundo. Ele mexe com o consumidor, o mercado, o fabricante. Quando foi colocado o imposto, o empresário acreditou, investiu. De repente, ele muda tudo. Aí agrada quem comprava no exterior. Mas e quem investiu pra fazer tudo isso no Brasil e conseguir chegar num patamar desse? Está tudo errado, eu não tô falando de roubo, não estou falando de nada. Estou falando de leis. Agora quando vê roubo, bandidagem, sacanagem na política brasileira, você se revolta. Eu não posso meter a boca nos deputados, no senadores, porque eu não me proponho a ser deputado e senador. Mas eu estou decepcionado com a classe. Eu defendo que tem que se votar em deputados da Região Metropolitana de Campinas, naquele que traz benefício para as cidades daqui. Não naqueles indivíduos franco-atiradores que aparecem apenas para pegar o seu voto. Você tem que estudar e votar no melhor candidato. Naquele candidato que foi o nosso representante no Congresso Nacional, que trouxe recurso para a cidade de Campinas, que brigou por Campinas. Quanto a situação local, eu amo essa cidade, nasci aqui. Minha família não quer que eu volte pra política de jeito nenhum. Eu mesmo tinha o horror de falar em voltar pra política, mas a gente vai cansando da realidade e vai achando que a gente tem uma missão e que pode ajudar. Talvez eu volte a fazer. Eu não posso garantir para você que eu vou voltar a ser político, mas se eu for, vai ser na cidade Campinas. Eu tenho um sonho para essa cidade, que para mim vai ser muito bonito se eu conseguir realizar. Eu vou falar pra você que até uns seis meses atrás não tinha intenção nenhuma, não podia nem falar em política. Mas eu estou sendo tão procurado pelos meus amigos que estão insatisfeitos com os rumos da política no país. Eles querem que pessoas diferenciadas, que provaram que tem capacidade, volte. Eu estou sendo seduzido pelos meus amigos a pensar numa volta.
Vai ser construído em Campinas o Hospital Metropolitano. Como o senhor vê esse projeto?
O Hospital Metropolitano não é suficiente, mas já é um grande ponto de partida. Foi uma luta inglória que o prefeito Dário venceu. Conseguiu trazer o hospital metropolitano para Campinas, que era um projeto desde o Hélio de Oliveira Santos. Ele também fez o Instituto da Mulher, o Mário Gatinho. A situação é uma as melhores do país, mas ela é tão ruim que precisa de mais. Eu acho que a solução é exatamente na Região Metropolitana. Você tem que chamar todo mundo e fazer um hospital de referência do câncer, precisamos de um hospital para procedimentos minimamente invasivos, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral. Não adianta a querer fazer medicina sem envolver as cidades satélites da Região Metropolitana, todo mundo tem que contribuir, todo mundo tem que mandar também. Só a localização física é melhor aqui, na beira de alguma rodovia, porque aqui que nós temos os profissionais, nós temos um monte de benefícios. Outra área é a segurança. Não tem como fazer segurança em Campinas sem fazer em Hortolândia, em Sumaré, em Nova Odessa. Nós temos que estar todo mundo envolvido. E também educação. Acho que são as três áreas mais importantes que a gente tem que se dedicar realmente. Você vê o exemplo da Coreia, o Vietnã, que foram países arrasados. Hoje eles são países de ponta. Como é eles conseguiram isso? Com educação.
O senhor falou que está pensando se volta ou não para política e isso seria em Campinas. Essas são palavras de um pré-candidato a prefeito. O senhor que voltar ao Palácio dos Jequitibás?
Eu falei para você que existe a possibilidade. Agora eu já admito, porque eu nunca admiti essa possibilidade. É a primeira vez que eu admito em um meio de imprensa. Eu já estou admitindo a possibilidade de voltar a me candidatar a prefeito na cidade de Campinas. Não é certeza. Antes eu preciso, principalmente, pegar autorização da minha mulher.
A eleição de 2028 está se aproximando e atualmente o senhor não está filiado a nenhum partido. Teria alguma sigla em mente, alguma discussão de um grupo que pudesse alavancar uma proposta dessa?
Veja bem, eu sou um candidato, teoricamente. Eu sempre fui de centro-direita com viés sociais. Eu acho que nós temos obrigação de cuidar dos menos afortunados. Você tem que proporcionar que a sociedade seja um pouquinho menos desigual, para não falar igual, que as pessoas tenham o básico para sobreviver e ser feliz, proporcionar uma escola, segurança pública, um transporte público digno, saúde, segurança pública, No transporte público, é desumano uma pessoa sair da periferia, pegar um ônibus, às vezes dois ônibus, levar uma hora, uma hora e meia para chegar no trabalho. Depois de cumprir suas tarefas, pegar mais um ônibus lotado, cheio de gente, por mais uma hora, uma hora e meia, para chegar na sua casa. Isso é inadmissível. São problemas graves que nós temos que enfrenta. Agora, não é com conversa, é com ação. E eu sempre fui um cara de ação.
O senhor tem algum hobby?
Hoje o meu hobby é passar dez minutos com a minha filha, beijá-la, abraçar, porque ela fica brava, não gosta de abraçar e beijar. Ficar com o meu filho, com a minha esposa, ficar na minha casa. Gosto muito de conversar e encontrar os meus amigos. Eu gosto de compartilhar a companhia dos meus amigos. Se eu posso falar que eu tenho algum hobby ainda é cozinhar. Eu gosto de cozinhar e cozinho relativamente bem. Gosto muito de comida baiana e árabe.
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