Material de bronze identificava estrutura inaugurada para passagem de linha férrea em 1902

Ponte no Botafogo que levava inscrição da Cia Mogiana na estrutura: placa, de 1902, foi levada por ladrões ( Rodrigo Zanotto/Especial para AAN)
Uma placa de bronze da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro instalada na ponte centenária da Rua Dr. Mascarenhas, no bairro Botafogo, desapareceu. Ela estava fixada do lado interno da estrutura em um ponto que mede pouco mais de três metros de altura. Nela estava escrito a data de inauguração, que é de 1902, e também o nome da companhia — a ponte foi construída para passagem de trens e hoje, é uma via asfaltada.O furto ocorreu nos últimos dias. A Prefeitura irá mandar técnicos para verificar o sumiço ainda esta semana. Um boletim de ocorrência de furto deve ser feito pela Administração, que também irá providenciar uma nova placa de identificação.O sumiço de placas de bronze de estátuas, monumentos e pontos históricos é comum em Campinas. Nos últimos dois anos, ao menos outras quatro desapareceram de praças e largos da cidade. “Ela foi furtada para ser trocada por crack ou encomendada por algum colecionador”, afirmou Luis Souza, que mora próximo ao local.Ele lembrou que há cinco anos a chapa centenária, que antes ficava exposta aos olhos de quem subia pela Dr. Mascarenhas, foi tirada para uma reforma e recolocada, mas do lado de dentro. “A plaquinha histórica resistiu bravamente por cinco anos”, disse.“Quem levou sabia que ela tinha valor porque correu risco. O ladrão teve que escalar a parede de pedras e ainda se segurou na estrutura de ferro para poder tirar do lugar. E olha que a placa estava escondida, se tivesse mais à vista, com certeza já teria sido levada há muito tempo”, afirmou a dona de casa Maria Helena Zaneti, que também é moradora do entorno da estrutura.A dona de casa lembrou que a ponte férrea e as cabeceiras e paredes de pedra da estrutura são patrimônios históricos tombados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas (Condepacc). Em 2008, passou por uma reforma para ser incorporada à saída dos ônibus do Terminal Multimodal Ramos de Azevedo, onde funciona a rodoviária e o terminal metropolitano.Na época, a estrutura chegou a ser retirada para adequação. A parte superior da ponte recebeu uma pista de asfalto mais larga, e foi sustentada por pilares de concreto. Hoje ela dá acesso às alças de ligação às avenidas Barão de Itapura e Lix da Cunha. A ponte e as cabeceiras comportam um grande fluxo de ônibus e têm capacidade para suportar até 35 toneladas por eixo, já que foi construída para receber a passagem de trens de carga. Os ônibus urbanos que passam pelo local pesam, no máximo, 10 toneladas por eixo.