Proposta foi discutida durante audiência pública sobre Gestão Integrada de Resíduos Sólidos Urbanos com parcerias
Funcionários de cooperativas criticaram no debate a meta apresentada de reciclagem nas próximas três décadas (Divulgação/PMC)
A Prefeitura de Campinas realizou segunda-feira uma audiência pública no Paço Municipal para discutir e estabelecer um novo modelo da gestão de lixo na cidade. O resultado das discussões e sugestões servirá de base para elaborar o modelo de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos Urbanos, por meio de uma Parceria Público Privada (PPP) no município. A expectativa do Governo Municipal é aumentar a percentual dos resíduos sólidos que são recolhidos pela coleta seletiva, de 2% para 10%, em Campinas, nos próximos 30 anos. De acordo com a Prefeitura, os outros 90% iriam para três usinas de reciclagem – que ainda serão construídas no Aterro Delta B – e que receberiam o material de baixa qualidade, que não pode ser aproveitado pelas cooperativas. A administração municipal espera assinar a PPP até o fim deste ano e a empresa que vencer o processo licitatório ficará incumbida de coletar, tratar e aproveitar o lixo de Campinas pelos próximos 30 anos. O contrato deve ser fechado entre R$ 800 a 900 milhões. Controvérsia Apesar de a Prefeitura considerar a medida positiva, funcionários das cooperativas presentes no evento criticaram a iniciativa do governo municipal. Segundo eles, atingir os 10% de coleta de lixo em três décadas é uma meta “ridícula”. Na Alemanha, por exemplo, o índice de lixo recolhido pela coleta seletiva já é (em 2018) de cerca aos 45%. Além disso, os funcionários presentes no evento, afirmaram ainda que o modelo de gestão privilegia o interesse da PPP, que lucraria com o combustível derivado de resíduo produzido na usina. Questionado, o secretário de serviços públicos de Campinas. Ernesto Paulela, não só negou, como contra-argumentou a afirmação. Segundo ele, o material que seguirá para as cooperativas está previsto e garantido no modelo de gestão proposto. “É uma determinação do prefeito Jonas Donizette (PSB) e também nossa de que no edital esteja inserido como objeto de responsabilidade do concessionário cuidar das cooperativas. Ou seja, a empresa ficará responsável por fazer um investimento, que nós estimamos entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões, nas cooperativas para garantir a manutenção e o aperfeiçoamento delas. Isso estará escrito no edital”, afirmou.