TRANSPORTE PÚBLICO

Pontos sem cobertura são maioria

Campinas tem pouco mais de 5 mil paradas, das quais só 1,7 mil contam com infraestrutura de proteção

Daniel de Camargo
21/10/2018 às 11:27.
Atualizado em 06/04/2022 às 00:53

Menos da metade dos pontos de parada de ônibus nas cinco maiores cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC) são abrigos. Campinas possui pouco mais de 5 mil pontos. Desse total, cerca de 1,7 mil contam com infraestrutura para o usuário do transporte coletivo aguardar o veículo sem sofrer com as condições climáticas e, em alguns casos, com a possibilidade de repousar no assento. Indaiatuba, por sua vez, tem 1.211 pontos, dos quais 330 tem bancos e cobertura. Das 402 paradas de embarque e desembarque de passageiros em Sumaré, apenas 81 são abrigos, sendo 37 em alvenaria e outros 44 de estrutura metálica. Já Hortolândia dispõe de 647 pontos, sendo 136 com cobertura e assentos. Americana, por fim, tem aproximadamente 600 paragens, das quais 200 são abrigos. Para Rodrigo Monteiro a situação fica complicada em Campinas quando chove. O estudante, de 21 anos, pega dois ônibus para ir trabalhar. No ponto do Jardim Santana, onde reside, não há abrigo. Já na paragem da Avenida Francisco Glicério, onde toma o segundo veículo até o Jardim Nova Europa para estagiar na área de Ciências da Computação, sim. “Depois que tomei chuva, passei a andar com um guarda-chuva na mochila por precaução”, conta. Moradora da Vila Nogueira, a campineira Dagmar Regina de Oliveira, relata que não há pontos em formato abrigo no seu bairro. Além da possibilidade de ficar exposta ao calor forte e à chuva, a recepcionista de 44 anos reclama que, nas paragens que são abrigos, muitos cartazes informando as linhas de ônibus estão rasgados. Um desses pontos, até a última quinta pelo menos, era a paragem da Avenida Campos Salles, em frente do Palácio de Justiça no Centro. Emdec A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), autarquia responsável por gerenciar o trânsito na maior cidade da RMC, informou, em nota, que em julho passado, a Administração assinou contrato com uma concessionária que prevê o serviço de fornecimento, implantação, remoção, reposição, remanejamento, manutenção, conservação e limpeza dos abrigos. A concessionária terá exclusividade para explorar, publicitariamente, os pontos de parada concedidos. O projeto de concessão de abrigos de ônibus para a iniciativa privada é inovador. Ao todo, serão implantados 894 abrigos com padrão visual semelhante aos da Avenida Francisco Glicério, após o processo de revitalização. Também será efetuada a devolução, à Emdec, de 460 abrigos metálicos. Após recuperação, esses mesmos abrigos serão reinstalados. “A concessão abrange os abrigos de ônibus num raio de 5 quilômetros da região central; e dos principais corredores estruturantes do transporte público. Os novos equipamentos públicos serão cobertos, iluminados, com assentos individuais e espaço para cadeirantes. Também com tomada USB para recarga de celular. A concessionária tem até 54 meses (seis meses de carência mais 48 meses de prazo), após a assinatura do contrato, para executar a implantação dos novos abrigos", diz o texto. A empresa Verssat Indústria e Construção Ltda foi a vencedora da Concorrência nº 03/2017, realizada em 11 de abril de 2018, com o maior lance, no valor de R$ 2,5 milhões. A proposta foi cinco vezes maior do que o valor de outorga mínima prevista no edital. O prazo da concessão é de 20 anos, podendo ser prorrogado por mais 10 anos. A Emdec não se posicionou a respeito da sistemática de reposição dos cartazes vandalizados, mas destacou que Campinas conta, desde agosto de 2015, com um aplicativo chamado “Busão na Hora”. O app, disponível para o sistema Android e iOS, pode ser baixado facilmente na Google Play ou App Store, além do site da própria autarquia: A ferramenta disponibiliza ao cidadão todas as informações necessárias sobre o transporte coletivo da cidade, mostrando os locais de pontos de embarque e desembarque, tempo de chegada do ônibus, itinerário, linhas que passam por determinado ponto, entre outras funcionalidades. Outras cidades da RMC A Secretaria de Mobilidade Urbana e Rural de Sumaré, também em nota, informou que “está em tratativas com empresas para que as mesmas adotem pontos cobertos e auxiliem com a manutenção das estruturas. A pasta também busca e já conquistou doações”. Além dos 81 pontos de parada cobertos, a cidade possui 258 pintados em postes de energia e 63 sem marcação, os chamados pontos sociais. A Prefeitura de Hortolândia informou, em nota, que “busca recursos com o Ministério das Cidades e com a Agência Metropolitana de Campinas (Agencamp) para a aquisição de mais abrigos que serão implantados nos pontos de ônibus da cidade”. Americana e Indaiatuba não se pronunciaram sobre possíveis melhorias no cenário atual.

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