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Potencial inovador de Campinas é o maior do Interior

Cidade destacou pelo grande número de centros de pesquisa e universidades, além das políticas públicas de incentivos a startups e ao setor tecnológico.

Cecília Polycarpo
23/10/2015 às 21:52.
Atualizado em 23/04/2022 às 03:40
Sede da Inova Campinas: município reúne condições excepcionais para o desenvolvimento de empresas inovadoras, que vão de incentivos fiscais e planejamento a grandes centros de pesquisa ( Janaína Ribeiro/ ANN )

Sede da Inova Campinas: município reúne condições excepcionais para o desenvolvimento de empresas inovadoras, que vão de incentivos fiscais e planejamento a grandes centros de pesquisa ( Janaína Ribeiro/ ANN )

Campinas foi apontada como a cidade do Interior do Brasil com maior potencial inovador pelo coordenador da secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia, Jorge Mário Campagnolo. Em segundo lugar ficou São José dos Campos, seguida de São Carlos. Entre as capitais, Campagnolo elegeu Florianópolis (SC) como o município com mais potencial, à frente de Porte Alegre e Curitiba, respectivamente. O mapeamento do coordenador foi feito a pedido da Agência de Inovação da Unicamp (Inova), e levou em conta os locais que combinam políticas de inovação, infraestrutura, instituições de peso, qualidade de vida e desenvolvimento econômico. Em entrevista ao Correio, Campagnolo explicou que o ranking teve como base dados obtidos em seu trabalho não somente no Ministério, mas em universidades. Segundo ele, Campinas está se destaca pela quantidade de institutos tecnológicos e universidades, além de ter uma moderna política municipal de inovação, com incentivos e desoneração de startups. “O primeiro ponto que eu olhei para eleger Campinas é que para ter inovação é preciso ter conhecimento. E a cidade tem diversas universidades e institutos com pessoas que geram conhecimento”, explicou Campagnolo. O município tem onze instituições de ensino superior, mesmo número da cidade no topo do ranking das capitais, Florianópolis. O coordenador explicou também que contou o perfil empreendedor do município, que tem investido em desenvolvimento e planejamento estratégico da área, através de políticas municipais que desoneram o setor. Campinas criou no ano passado leis que isentam startups de pagamento do Imposto Predial eTerritorial Urbano (IPTU) e reduzem o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN). A cidadecriou ainda, neste ano, um Plano Estratégico de Ciência, Tecnologia e Inovação. “Isso tudo, somado à qualidade de vida na cidade, a torna a especial na inovação” , completou. O diretor-executivo da Inova Campinas, Milton Mori, acredita que o polo industrial forte também contribuiu para a boa avaliação da cidade. Além disso, para ele o município tem o trunfo de produzir conhecimento em praticamente todas as áreas, desde estudos em medicina passando pela agricultura e automação até pesquisas nanotecnologia, como o trabalho feito no Laboratório Síncontron. “A Unicamp tem muito força, mas fora muitas empresas também de base tecnológica”. Mori afirmou também que a crise não tem afetado as 286 empresas de base tecnológica da Inova e que a lucratividade deste ano em comparação a 2014 cresceu. “A gente se beneficia pela alta do dólar, já que fazemos muitas exportações. No ano passado as empresas negociaram R$ 2 bilhões e neste ano já são R$ 3 bilhões”, explicou. Pioneira em lei O secretário de Desenvolvimento Econômico, Social e de Turismo de Campinas lembrou que a cidade foi a primeira do País a ter uma lei de incentivo de statups e única a ter um planejamento estratégico para a área 2025. Segundo ele, a cidade tem mais de 1.800 empresas de base tecnológica. “Campinas tem hoje uma ótima estrutura que nós viemos preparando desde 2013. Agora estamos em outra fase, a da aproximação da tecnologia da população, com wi-fi dentro dos ônibus e outras ações que fazem parte do planejamento estratégico”. Florianópolis Eleita a cidade mais empreendedora do País pela Endeavor, Florianópolis é a capital no topo do ranking de Campagnolo. O município já se tornou referência nacional em tecnologia, trajetória que começou na década de 1980. Apesar de a cidade ser mais conhecida por suas praias, hoje a capital catarinense soma 600 empresas do setor que faturam R$ 1 bilhão por ano e crescem a uma média anual de 15%. O polo começou a se estruturar em 1984, com a criação da Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (Certi). Dois anos depois nasceu a Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (ACATE), que articula ações entre o setor tecnológico catarinense, centros de ensino e pesquisa e agências de financiamento. Na capital catarinense há ainda a chamada Rota da Inovação, conjunto de instituições que começa no aeroporto internacional de Florianópolis e passa pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), Centro Sapiens, Parque Tecnológico Alfa, Celta, Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (Acate) e Sapiens Parque.

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