ENTREVISTA

Prefeito Davi Neto quer consolidar Jaguariúna como a ‘Capital Country do Brasil’

Um dos objetivos da iniciativa é ter atrações voltadas a esse ecossistema durante todo o ano

Manuel Alves Filho e Bruno Luporini/[email protected]
23/11/2025 às 10:56.
Atualizado em 23/11/2025 às 10:56
Prefeito contou que será inaugurado em fevereiro próximo o Centro do Autismo, com 42 salas equipadas para atender 500 cri (Rodrigo Zanotto)

Prefeito contou que será inaugurado em fevereiro próximo o Centro do Autismo, com 42 salas equipadas para atender 500 cri (Rodrigo Zanotto)

Com a promessa de transformar Jaguariúna na “Capital Country do Brasil”, o prefeito David Hilário Neto, conhecido como Davi Neto (PP), 33, chega ao primeiro ano de governo com a marca de quem moldou sua trajetória política desde muito cedo. Sua entrada na vida pública foi precoce. Com 12 anos de idade, começou a participar de campanhas políticas. Aos 20 anos, tornouse o vereador mais jovem da história da cidade, experiência que ele diz ter sido fundamental para compreender o funcionamento da máquina administrativa. Foi reeleito com votação histórica para o Legislativo municipal em 2016, com 2.679 votos. Em 2024, ele quebrou o recorde de votação e idade, se tornando o prefeito eleito mais jovem de Jaguariúna, com 20.832 votos. 

Nascido em São Paulo, ele é filho de uma telefonista e de um técnico em refrigeração que se mudou para Jaguariúna no início dos anos 1990. Ele cresceu na cidade, estudou em escolas públicas e se formou em Relações Públicas pela PUC-Campinas. “Muitas famílias podem escolher onde querem morar e nós escolhemos Jaguariúna”. 

No comando do Executivo, Davi Neto enfrenta desafios imediatos, como a reestruturação do sistema de abastecimento de água, a reorganização do hospital municipal e a implementação de projetos estruturantes, entre eles o Centro do Autismo e o início de um amplo redesenho urbanístico e turístico da cidade. Nesta entrevista, a convite do presidente-executivo do Correio Popular, Ítalo Hamilton Barioni, ele avaliou o primeiro ano de gestão, comentou as medidas adotadas e antecipou os eixos que devem orientar os próximos três anos de governo.

Prefeito, para começarmos: qual é a sua cidade natal? 

Eu sou de São Paulo, paulistano. Vim para Jaguariúna ainda bebê, com apenas sete meses de idade. Sempre digo que Jaguariúna é uma cidade construída pela indústria e pelas oportunidades. Muita gente nasceu aqui, mas muita gente veio em busca de trabalho, como foi o caso da minha família. Meu pai trabalhava na Antártica desde jovem e veio para Jaguariúna em 1992 para participar da instalação da empresa aqui. Minha mãe trabalhava como telefonista de hospital. No começo dos anos 2000, houve a fusão entre Antarctica e Brahma, formando a Ambev. Minha família acabou retornando a São Paulo por cerca de um ano. Foi um período bem difícil, de muitas limitações mesmo. Assim que foi possível voltamos para Jaguariúna, onde tínhamos nossa casa. Sempre digo que algumas pessoas escolhem uma cidade para viver, a minha família teve o privilégio de voltar para Jaguariúna. 

Seus estudos foram em Jaguariúna? 

Todos em Jaguariúna. Comecei na Escola Municipal Coronel Amâncio Bueno, que era tradicional no Centro. Estudei lá até a 4ª série. Depois fui para a Escola Estadual Anna Calvo de Godoy Professora, do 5º ao 8º ano. No ensino médio ganhei bolsa integral em uma escola particular e fiz o colegial inteiro lá. Depois eu fui para a PUC-Campinas estudar Relações Públicas, pois eu gostava muito da área de Comunicação Social. 

Já nessa época você tinha interesse por política? 

Muito. Começou cedo. Minha família não tinha nenhuma ligação política, mas eu tinha paixão pelo assunto. Brigava em casa para assistir ao horário eleitoral (risos). O eu pai era técnico em refrigeração; minha mãe, telefonista. Nada no nosso cotidiano remetia à política, mas eu tinha essa vontade. Quando eu tinha 10 anos, meu vizinho era o Zé do Gás, vereador. Em 2004, com 12 anos, eu já estava na boleia do caminhão dele andando pela cidade, com microfone na mão, pedindo voto. Ele perdeu essa eleição. Minha mãe viu minha frustração e conversou com o presidente do hospital, que era irmão do prefeito da época, para que eu pudesse participar das campanhas políticas. 

Prefeito, o senhor comentou que começou muito cedo na política. Quando isso se tornou um caminho efetivo? 

Em 2008, esse senhor, José Antônio, conhecido como Ti, me chamou e começou a falar sobre política, me passou a trajetória dele. Lembro de uma cena. Quando a moça do RH chegou com um pedido para a demissão de uma faxineira, o Ti disse que ia demitila, mas que também demitiria todo mundo, o diretor, os médicos, pois se essa moça ganha menos de R$ 800 reais (na época) e tem problemas em casa, tem que cuidar dos filhos e mesmo assim vem trabalhar, não pode chegar um dia estressada no trabalho, então um médico que ganha vinte vezes mais que ela também não pode. Então ele rasgou o pedido de demissão da faxineira. Essa cena me marcou muito. O Ti falou que queria alguém jovem para assumir a juventude do partido e me colocou no PTB Jovem. Ele me mandou escrever um discurso com o que eu sentia no coração. Mandou treinar o discurso, treinei. Em uma reunião com cinquenta pessoas ele me colocou para falar e eu consegui. “Você está pronto”, ele disse. Discursei em 23 comícios naquela eleição. 

E como amadureceu para disputar a primeira eleição? 

Foi natural. Atendi muita gente no escritório do exprefeito de 2008 a 2012. Foi quando decidi disputar em 2012. Eu sabia que teria que trabalhar muito, e foi o que fiz. Não tinha dinheiro, gastei R$ 350 na campanha inteira, o que deu para pagar um adesivo de carro. Lembro que minha mãe queria colocar uma foto grande no carro. Foi tudo muito simples, muito na raça. Ganhei meu primeiro mandato como vereador. Lembro até hoje de uma conversa após a eleição com outros dois vereadores eleitos. Eles gastaram bastante e duvidaram do que eu disse sobre ter gastado só R$ 350. Um deles me falou uma frase que eu nunca esqueci: “Ganhar a eleição é difícil, mas a reeleição é muito mais”. Aquilo ficou comigo. Eu sabia que se quisesse me reeleger teria que trabalhar 365 dias do ano, atendendo as pessoas que precisavam de atendimento em assistência social, saúde, outro serviço público... e, assim, fui entendendo o funcionamento da máquina pública. 

Imagino que pela idade deve ter sido um desafio muito grande estar na Câmara dos Vereadores. 

Eu tinha 20 anos, mas antes eu já frequentava muito a Câmara, dos meus 16 aos 20 anos, estava sempre na primeira fila da casa. Era chato, ficava no pé dos vereadores. O Ti foi meu grande professor nesse processo, sempre me preparou muito. 

E a reeleição veio mesmo? 

Veio. Disputar a reeleição é mais difícil, porque aí não é expectativa, é resultado. É seu trabalho que está sendo avaliado. Na primeira eleição as pessoas votam em você pela esperança que você representa, mas na reeleição as pessoas votam pelo trabalho que foi feito em quatro anos. Ganhei e tive a maior votação da história da cidade para vereador, mesmo o prefeito da época, o Tarcísio, perdendo. Eu era vereador da base dele e mesmo assim fui o mais votado. Eu já nutria a vontade de ser prefeito da cidade. Disputei em 2020 para prefeito, não fomos vitoriosos, mas eu sai de 2,7 mil votos como candidato a vereador para 12.500, foi um aumento muito grande de engajamento. 

Muito se comentou sobre apoios e alianças na campanha municipal de 2024. É verdade que o senhor recusou o apoio do seu antecessor?

Eu sempre digo: apoio não se nega a ninguém. Nunca houve uma fala explícita de que eu estava recusando apoio. É verdade que fomos adversários em 2020 e que temos pensamentos distintos, todo mundo na cidade sabe disso. Mas isso é do jogo político, que é uma coisa. A vida pessoal e o respeito são outras. Ele não me apoiou formalmente em 2024, e o partido dele ficou isento, mas se ele tivesse declarado apoio não haveria problema. O que eu não aceitaria seria uma condição, algo como: “Para eu te apoiar, você precisa me dar isso, isso e isso”. Isso não faz parte da minha forma de trabalhar, pois não estou vendendo nem loteando a Prefeitura. Não vendo cargos, não negocio Secretaria. Não porque eu ache que políticas de coalizão sejam sempre erradas, no governo federal isso é até natural, é um grande tabuleiro, mas eu, Davi, não me sinto confortável.

Foi dessa forma que compôs sua equipe de governo? 

Eu queria pessoas técnicas, escolhidas por mim, que eu confiasse para estar à frente de cada Pasta. E é assim hoje: meus secretários são 100% escolhas minhas. Se acertam, a responsabilidade é minha. Se erram, também é minha. Essa é a forma que acredito ser a mais honesta para governar.

E essa postura influenciou o diálogo com a Câmara? 

Influenciou para melhor. Eu sempre me envolvo diretamente com todos os vereadores, não trabalho somente por meio da liderança. Sou muito aberto. Não imponho nada. Apresentamos os projetos antes, explicamos, ouvimos as dores e dúvidas. Muitas vezes eles enxergam coisas que meu time não viu. Isso é fundamental. Eu sou mais chato com a questão de politicagem. “Vamos derrubar um projeto porque o autor é fulano”. Para mim, isso não tem lógica. Se é bom para a cidade, votem a favor. Se não for, me mostrem os argumentos e eu sou o primeiro a retirar o projeto.

Como o senhor avalia esse primeiro ano de mandato que está se encerrando? 

O meio desafio que eu tinha era com saneamento básico. A cidade parou no tempo com relação à infraestrutura e isso depende de fazer as contrapartidas com os empreendimentos. Hoje estamos fazendo diferente. Se o empreendimento vai ficar pronto em três anos, já exigimos a contrapartida em 12 meses. Essa é a condição do município hoje, se não o empreendimento não vai sair. Com isso conseguimos, através de contrapartidas, iniciar as obras do reservatório do Rio Camanducaia. Hoje eu não consigo fazer a manutenção da minha estação de tratamento por duas horas, se não desabastece a cidade inteira. Com essa nova estação vou conseguir ter dois rios com captação de água e, assim, equilibrar a manutenção. Dessa forma vou terminar o primeiro mandato com o dobro de captação de água. 

Prefeito, qual é a projeção orçamentária de Jaguariúna para o ano que vem? 

A situação é desafiadora. Para começar, o nosso ICMS, que é uma das principais receitas do município, caiu 13% neste ano. Para uma cidade que depende muito dessa arrecadação, é uma queda gigantesca.

E por que esse recuo tão grande? 

Existem alguns fatores. A Motorola, por exemplo, sofreu muito no pós-pandemia com o chamado “mercado cinza”: produtos importados ilegalmente, vendidos sem nota em marketplaces, entrando no país via empresas pequenas. Isso derruba a competitividade e reduz o faturamento oficial que gera imposto. Outro fator é a Ambev, que já sinalizou um faturamento abaixo do esperado neste ano. Quando nossas maiores contribuintes faturam menos, isso reflete diretamente no ICMS da cidade. Então, somando tudo, perdemos 13% de receita. A perspectiva para o próximo ano é perder mais 13% em cima do valor atual. É muito preocupante.

Diante dessa queda, o município tem endividamento? 

Não, o município não tem endividamento. E isso é resultado de uma decisão tomada logo no começo da gestão. Eu travei o caixa. Não fui aquele prefeito que assume achando que vai resolver tudo em seis meses. Quis primeiro entender o cenário, fechar torneiras, organizar a casa. Com isso, vamos fechar o ano no azul mesmo com a redução brutal de receita.

E como fica a situação diante da Reforma Tributária? Há projeções para Jaguariúna? 

A reforma foi aprovada, mas ainda há muitos pontos nebulosos. Com a Reforma Tributária, o Governo Federal vai ficar com todas as receitas e repassar para o município o percentual de consumo de cada cidade. Essa alteração, que ainda está incipiente, será melhor discutida após as eleições do ano que vem, será sentida daqui a muitos anos, mas eu não posso governar só para esse mandato, tenho que governar para uma vida e garantir que a cidade continue próspera. O impacto real só será sentido ao longo de décadas. Fizemos um estudo preliminar no início da gestão e, com as informações que tínhamos, a cidade poderia sofrer uma queda de até 70% de ICMS e ISS. Mas existe a promessa de compensação por meio de um fundo. O problema: ninguém sabe exatamente quanto terá nesse fundo, como será distribuído e até quando ele conseguirá equilibrar a perda. Além disso, o impacto total só será sentido em cerca de 40 anos. O que eu acredito? Que 2027 será um ano decisivo. Depois da eleição presidencial, esse tema voltará com força. Até agora, nenhum técnico, nenhum deputado conseguiu explicar com clareza o funcionamento ponto a ponto. Trabalhamos, portanto, com as mesmas informações públicas que todos vocês têm.

E como o município está se preparando? 

O meu secretário de Finanças já está em congressos, participando da Federação dos Municípios, se capacitando, buscando entender cada detalhe. O momento exige isso. Uma cidade como Jaguariúna, que produz muito mais do que consome, tende a perder com o novo modelo, que vai priorizar o consumo. Precisamos estar preparados. 

Hoje, com relação ao orçamento, o quanto é custeio e o quanto sobra para investimento? 

Temos uma folha relativamente baixa. Na ponta do lápis, saúde e educação levam mais de 50% do orçamento com tranquilidade. O que sobra para investimento não deve passar de 10%, é bem reduzido. Mas temos procura de novos investimentos, quatro data centers já nos procuraram e estamos estudando como garantir a energia para esses empreendimentos. Qualquer empresa que queira vir para a cidade vai encontrar portas abertas, com aprovações mais rápidas dos projetos para que possamos trazer mais renda e mais empregos, o que é fundamental. 

Existe também uma troca de serviços entre as cidades... 

Hoje, por exemplo, partos de Pedreira e de Holambra são realizados em Jaguariúna. Para eles, é mais barato do que manter uma maternidade própria. Para nós, ajuda no custeio da nossa estrutura. Isso é bom para todos. O mesmo vale para exames. Temos ressonância e tomografia no pronto-socorro, o que também permite atender demandas regionais, desde que haja remuneração adequada. E é aí que entra a Tabela SUS Paulista, que é um avanço enorme.

Como a Tabela SUS Paulista impacta a cidade? 

Ela muda tudo. Na nossa região, havia hospitais que não recebiam pela Tabela SUS estadual. Jaguariúna não estava nela. Agora estamos oficialmente incluídos, e isso nos ajuda a custear serviços que já fazíamos. Com essa tabela, conseguimos deixar de colocar algumas situações na vaga CROSS (Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde) porque temos condições de executar diretamente no município. Isso reduz filas, acelera atendimento e evita deslocamentos desnecessários.

Como está a administração do hospital municipal? 

A gestão atual do hospital foi assumida por uma associação escolhida antes da minha gestão. Não houve boa aceitação da população e também não gostamos da condução administrativa. Estamos reorganizando o modelo. Tanto que o Tribunal de Contas do Estado deu como irregular e pediu que a gestão fosse passada ao município. A partir do primeiro semestre de 2026, o município vai assumir integralmente a gestão hospitalar. É um desafio enorme, mas necessário. Já estamos conversando com o governador Tarcísio e, com a entrada na Tabela SUS Paulista, teremos um fôlego importante.

Com relação à segurança pública: como está o monitoramento da cidade? 

Investimos em mais de 150 novas câmeras espalhadas por Jaguariúna. Hoje conseguimos detectar toda entrada e saída de veículos. Quem comete crime geralmente já entra com carro clonado ou furtado. A câmera identifica na hora. E temos comunicação regional. A RMC criou o Centro de Inteligência das Guardas Municipais, em Campinas. A integração é muito mais rápida. Se um suspeito entra e sai de Jaguariúna sem tempo de abordagem, comunicamos imediatamente as cidades vizinhas, que colocam a placa em alerta. É segurança pública construída em rede.

Falando agora de educação: houve mudanças importantes nas escolas do município, especialmente na volta do Amâncio. Como foi esse processo? 

O Amâncio é uma escola tradicional da cidade. No início da gestão, o prédio estava sendo usado como sede provisória da Prefeitura, mas não fazia sentido. Faltavam salas de aula na cidade. No primeiro dia de governo eu disse: “Está faltando criança aqui”. Em 30 dias fizemos uma reforma completa e reabrimos o Amâncio como escola, devolvemos a função para a qual ele foi criado. Isso já desafogou outras unidades. Tínhamos salas muito cheias.

E há novos projetos em andamento na educação? 

Sim. Eu costumo dizer que nenhum governo trabalha sem projeto. Muita gente fala que tem projeto. Passei o primeiro semestre inteiro desenvolvendo projetos, pois tínhamos o banco de propostas zerado. Agora temos uma proposta para um novo contraturno escolar licitado e também o projeto Saúde na Escola, que, para o primeiro semestre do ano que vem, vai contar com uma escola-piloto. Estamos construindo um consultório médico dentro da escola, como uma extensão da UBS. Com o desenvolvimento do projeto, toda criança de Jaguariúna vai ter o acompanhamento de saúde que teria numa UBS, só que dentro da própria unidade escolar. Isso resolve dois grandes problemas: A mãe que trabalha o dia inteiro não consegue sair repetidas vezes para levar o filho a consultas, com o risco de perder o emprego, e o controle vacinal, odontológico e pediátrico passa a ser contínuo.

Um dos temas mais sensíveis na área social é o atendimento a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O senhor lançou iniciativas nessa área? 

Estamos com as obras a todo vapor para a construção do Centro do Autismo, que será inaugurado em fevereiro. Serão 42 salas equipadas para atender 500 crianças. Assumi a gestão com uma fila de cerca de 200 crianças à espera de atendimento. O tratamento precoce é muito importante, especialmente do zero aos três anos, para que essas crianças possam se desenvolver. A gente sabe da dificuldade das mães, das famílias. É um sonho que vamos concretizar. 

Quais são as iniciativas ligadas à mobilidade urbana? 

Acabamos agora os projetos para a duplicação de duas grandes vias, a Avenida Maranhão e a Avenida Pacífico Moneda. São obras robustas. Já apresentamos o projeto ao Ministério das Cidades, e a perspectiva é muito positiva para obter liberação de recursos no próximo ano. As áreas rurais também estão recebendo atenção. Abrimos a licitação, com o pregão acontecendo em 23 de dezembro, para obras de uma ponte que liga a cidade à Estrada das Duas Marias, em direção a Holambra, e a ponte que liga à região da Fazenda da Barra, que cresceu muito nos últimos anos. Também levaremos a Rodoviária para a rodovia SP-340, para que possamos aumentar as opções de linhas para a capital e outros destinos, ao mesmo tempo que, ao lado do Fórum, teremos um terminal que vai integrar as linhas municipais às interurbanas. 

Prefeito, a demolição da antiga sede da Prefeitura gerou grande debate na cidade. Por que a decisão de derrubar o prédio? 

Quando assumi, o prédio já havia sido demolido. Havia problemas estruturais sérios, infiltrações, animais nos forros e situações que tornavam impossível manter o funcionamento. Chegamos ao ponto de chover mais dentro do que fora. O prédio não tinha condições de reforma. 

Houve quem sugerisse construir um prédio alto, com vários andares, no Centro. Essa ideia chegou a ser considerada? 

Sim, seria um prédio de sete ou oito andares, mas seria inviável. A primeira razão é estacionamento. Não adianta levar centenas de colaboradores para o Centro se não há onde estacionar. Decidimos então por um projeto moderno, horizontal, de dois andares, com cerca de 2.200 m². O térreo será totalmente dedicado ao atendimento ao público, concentrando os atendimentos para que o cidadão resolva tudo em um único lugar. Já o segundo andar será a Casa do Servidor, com o Deesmt (Departamento Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho), JaguarPrev e Recursos Humanos.

Jaguariúna é nacionalmente conhecida pelo rodeio. Essa festa realmente traz recursos para a cidade? 

Nós somos a cidade do rodeio. É a capital do cavalo. Hoje nós temos a NutriVet, que é a maior farmácia de equinos do país, umas das maiores lojas de moda western está na cidade, além dos restaurantes temáticos que envolvem o country. Empresas de ordenha de leite também. Jaguariúna é o portal do Circuito das Águas, próximo da capital, a cinquenta minutos de um aeroporto, então a cidade tem tudo para desenvolver o turismo. Nosso objetivo é que Jaguariúna seja a Capital Country do Brasil. O country é um estilo de vida que envolve alimentação, vestuário e cavalos. Desde o sertanejo que tem seu animal no campo, até o bilionário que tem o seu cavalo para exposição. Jaguariúna será o Texas do Brasil. Nós temos rodeio uma vez por ano, mas a ideia é que existam atrações o ano todo. O projeto já está pronto e vamos licitar em breve, vai ser uma iniciativa público-privada. Outra iniciativa é a formação do peão. Nos Estados Unidos ele é visto como um atleta, aqui ele é visto como sobrevivente. Estamos em tratativas com uma grande empresa do mundo do rodeio para criar a escola do peão. No começo do ano vamos fazer uma seletiva e alojar 20 peões durante o ano todo. Eles terão assistência de fisioterapia, acompanhamento psicológico e médico, (vamos observar) se ele entende outro idioma para poder disputar provas fora do Brasil. Dessa forma queremos levar o nome de Jaguariúna para fora do país e, quem sabe, um peão se torne um campeão em Las Vegas. 

Quais são seus hobbies? O que o prefeito faz para relaxar? 

Minha vida é trabalhar, eu amo trabalhar. Tenho uma filha de três meses e um filho de oito anos. A minha vida é acordar cedo e dormir tarde, nunca chego em casa antes das oito, nove horas da noite. Estou tentando tirar umas horas para levar meu filho no futebol no começo da noite. A cidade, para mim, tem uma prioridade muito grande, e a família também é essencial. O hobby mesmo é andar a cavalo de vez em quando, me preparando para virar cowboy. 

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