ADMINISTRAÇÃO

Prefeitura estuda ação para garantir desconto de dívida

Campinas usará exemplo do Rio de Janeiro para fazer valer medida aprovada pela Câmara em 2014, mas que até agora não foi regulamentada pelo governo federal

Cecília Polycarpo
25/03/2015 às 05:00.
Atualizado em 23/04/2022 às 19:00
O vice presidente Michel Temer (PMDB) (à esq.) e o prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB) (à frente) ( Carlos Sousa Ramos/ AAN)

O vice presidente Michel Temer (PMDB) (à esq.) e o prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB) (à frente) ( Carlos Sousa Ramos/ AAN)

A Prefeitura de Campinas vai usar o precedente do Rio de Janeiro para conseguir uma liminar na Justiça Federal e pagar a dívida municipal com a União pelas novas regras aprovadas no Congresso em novembro de 2014. A nova lei federal foi sancionada, mas a demora de quatro meses de Dilma Rousseff (PT) para regulamentar o novo indexador, que diminui débitos de cidades de grande porte, colocou prefeitos de várias cidades em alerta.   A administração carioca foi a primeira a entrar com ação para poder pagar já neste ano sua dívida com valores reajustados e conseguiu nesta segunda-feira (23) decisão favorável, pela 30ª Vara Federal.   Caminho seguido   O prefeito Jonas Donizette (PSB) informou que entrou em contato com a Prefeitura do Rio e o Departamento Jurídico de Campinas fará o estudo dos argumentos usados para preparar pedido semelhante. Com a nova taxa, o valor da dívida do município passa de R$ 448 milhões para R$ 30 milhões. “Tendo o precedente do Rio, nós ficamos mais otimistas em relação à decisão judicial. Vamos esperar alguns dias para ver se não ocorre uma reação positiva do governo. Devemos esperar até semana que vem”, disse Jonas.   Paralelamente, ele se reunirá com a direção da Frente Parlamentar dos Prefeitos para articular uma ação coletiva com mais de 100 cidades, se o governo federal não regulamentar o indexador até a semana que vem.   Bandeira da entidade   A taxa reduzida é a principal bandeira da atual gestão da Frente, da qual o prefeito de Campinas é vice-presidente, e a negociação com governo petista e parlamentares durou pelo menos dois anos. A sanção é esperada por cerca de 180 cidades que querem a troca do indexador e a retroatividade de sua aplicação sobre o saldo devedor, para reduzir o montante gastos anualmente em juros e fazer caixa para investimentos.   Mas em um cenário de aperto econômico, o Ministério da Fazenda está postergando a aplicação da lei. A Pasta foi procurada pela reportagem, mas não informou se há um prazo para regulamentação. Apesar de sancionada, a matéria precisa passar novamente pelos parlamentares para ganhar um “ajuste fino”, já que trata de assunto extremamente técnico. Sem a regulamentação, a lei é ineficaz.     Jonas disse que a ação na Justiça será uma atitude de defesa da cidade, que planejou seus investimentos de 2015 contando com a redução dos juros pagos mensalmente. “Mais investimentos em transporte, infraestrutura, saúde, foram os pedidos que vimos nas ruas, nas passeatas recentes. É um clamor do povo. Reduzir a dívida vai propiciar isso.” Hoje, a Prefeitura desembolsa R$ 5 milhões por mês por seus débitos federais, um total de R$ 60 milhões por ano. Indexador   O valor que Campinas deve à União representa 33% do endividamento de longo prazo, que está em R$ 1,36 bilhão para pagamento até 2030. A sanção troca o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) mais 9% que vinha sendo cobrado dos municípios e estados endividados, pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais 4% ou a taxa Selic (hoje em 9,5% ao ano) — o que for menor.   A demora para regulamentar o indexador colocou em lados opostos o prefeito Fernando Haddad (PT) e Dilma, ambos do mesmo partido. Nesta terça-feira, o prefeito admitiu que os 180 municípios afetados pela lei estão preocupados e devem levar colegiadamente a questão novamente a presidente. A lei dá uma folga de R$ 1,4 bilhão por ano no Orçamento da capital paulista, verba que a Prefeitura de São Paulo pretende usar em obras para tirar do papel promessas do prefeito Fernando Haddad, como os 150 km de corredores de ônibus.

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