Dados do 1º mês de reclusão apontam a produção de 150 toneladas a menos do que o normal por dia
Campinas está produzindo por dia cerca de 150 toneladas de lixo a menos do que o normal desde que foi iniciada a quarentena, medida de enfrentamento à pandemia da Covid-19 que promove o isolamento social e determinou o fechamento de estabelecimentos considerados não essenciais. Os dados são do primeiro mês de reclusão, completado na última semana, e apontam queda em torno de 15% na média mensal de 30 mil toneladas de lixo, ou seja, 4,5 mil toneladas. Secretário de Serviços Públicos da cidade, Ernesto Dimas Paulella explica que, nessa época do ano, entrada do outono, é natural ter uma queda na produção de lixo. Porém, comumente fica na margem de 3%. Financeiramente, pontua, “é uma faca de dois gumes”. Campinas gasta, em média, entre R$ 9 milhões e R$ 9,5 milhões por mês com todo o sistema, incluindo o aterro sanitário. Devido à redução, o custo cai em torno de R$ 1 milhão. Paulella esclarece, porém, que o lixo é um importante indicador econômico porque mostra o consumo ou pós consumo. “É uma constatação de que a economia recuou”, ressalta. Para o Município, contextualiza ser ruim porque cai a arrecadação feita, por exemplo, sobre o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN). Desde o início da quarentena foi suspensa a coleta seletiva em Campinas e, por isso, os lixos considerados recicláveis estão sendo encaminhados para os aterros sanitários conjuntamente aos demais. O secretário orienta a população a acondicionar sempre o lixo em sacos de sanito pretos, devidamente fechados. O material deve ser colocado na rua próximo ao horário da coleta, assim é menor o risco de haver exposição por conta de rasgos provocados por cachorros, entre outras possibilidades. “O material foi manipulado por pessoas e pode estar contaminado”, pontuou. No ano passado A produção de lixo em Campinas cresceu 7,6% em 2019. É o que mostra um levantamento da Secretaria de Serviços Públicos. Em 2018, a cidade produziu 318,3 mil toneladas e no ano passado, 342,6 mil toneladas. O aumento de consumo de fraldas descartáveis e de produtos industrializados embalados são os principais responsáveis pelo crescimento da produção de lixo doméstico. Estima-se que as fraldas descartáveis representam 2% dos resíduos enviados para aterro. O chamado lixo urbano, aquele dispensado pela população nas ruas ou em áreas públicas, representa 10% do total. São produtos como sofás, armários, vasos sanitários, galharias e que acabam tendo como destino o aterro sanitário. Do total de lixo produzido atualmente, apenas 25% são reciclados, especialmente plásticos, papéis, vidros e metais. Na reciclagem, o programa de coleta seletiva inclui também resíduos que necessitam de um tratamento diferenciado, como óleo vegetal comestível, resíduos especiais (pilhas, baterias e lâmpadas) e pneumáticos inservíveis e resíduos eletrônicos.