Com deficiência motora, Maria Vitória Campos, 20 anos, ensina jovens e adultos
Transformação e inspiração são as palavras praticadas todos os dias por Maria Vitória Felício Campos, de 20 anos, que tem deficiência motora devido à paralisia cerebral, mas que supera suas barreiras de locomoção para transformar e inspirar as pessoas da comunidade do Campo Grande, em Campinas, como professora do programa Juventude Conectada de inclusão digital gratuita na sociedade. A jovem passa seu conhecimento sobre a cultura digital e transforma a realidade de dezenas de pessoas todos os dias na sala do Juventude Conectada, instalada no Agiliza Campo Grande, em frente a Praça da Concórdia, no Parque Valença. "Algumas pessoas chegam para resolver o básico na Internet e, depois que aprendem, começam a ver o mundo de outra forma. Elas se sentem incluídas na sociedade" , afirmou Maria Vitória. Os ensinamentos da jovem vão além do básico. "Outras chegam para aprofundar seus conhecimentos e ficam felizes por ver que terão novas oportunidades em suas vidas. Uma aluna minha conseguiu um emprego no ano passado e veio me agradecer" , comentou. Esta sensação de inclusão social está presente a cada minuto na vida de Maria Vitória. Ela disse que nasceu com a paralisia cerebral, mas sua capacidade cognitiva não foi alterada. "Passei por muitas dificuldades, pois não tinha oportunidades nas escolas desde criança. Eu queria aprender e não deixavam, só porque era cadeirante e tinha um pouco de dificuldade para falar" , afirmou. Lição A mesma força de transformação que Maria Vitória ensina para as pessoas todos os dias na sala de aula da Juventude Conectada foi uma lição que ela apendeu muito cedo. "Sempre tive a força de vontade de mudar minha condição e insisti. Depois de muita luta minha e de minha família, consegui mostrar nas escolas de Ensino Básico e Fundamental que tinha capacidade" , comentou. Maria Vitória passou por estas barreiras e concluiu o curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas. "Este conhecimento em Tecnologia da Informática eu passo, agora, para as pessoas que não têm oportunidades na vida" , comentou. Felipe Gonçalves da Silva, coordenador de Políticas para a Juventude, da Coordenadoria da Juventude da Prefeitura de Campinas, disse que Maria Vitória é um exemplo para todos e que sua participação é um exemplo que transforma a vida das pessoas. O coordenador lembrou que um processo seletivo para bolsistas do Juventude Conectada foi aberto no final de 2017 e que Maria Vitória fez a prova e ficou em oitavo lugar. "Sua capacidade é inegável, mas o que mais impressiona é a sua força de vontade e de transformação da realidade" , comentou. A jovem passou a lecionar aula e atender a comunidade no Juventude Conectada do Campo Grande há um ano. Tem uma vida simples com a família no Jardim Maria Rosa e a bolsa do Juventude Conectada, de R$ 538, ajuda nos gastos. "Porém, o mais importante é poder ajudar a mudar a realidade daqueles que são excluídos e não tem oportunidades" , disse. Eliane Jocelaine Pereira, secretária de Assistência Social, Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos, elogiou também a atuação de Maria Vitória. "É um exemplo que emociona a todos e que mostra a força de transformação existente dentro de cada um para fazer uma sociedade melhor" , afirmou. De segunda a sexta-feira Maria Vitória ensina como fazer um currículo, como escrever um documento, mandar e-mail, acessar a Internet entre outras funções básicas aos iniciantes. Participa também das oficinas de Informática e seu conhecimento é dividido com a comunidade. "Meu sonho agora é cursar outra faculdade. Quero, agora cursar Psicologia e ganhar o mundo" , afirmou. Juventude Conectada atendeu 87 mil em 2018 Outros jovens cumprem também a missão de transformar a vida das pessoas em Campinas. Os 90 jovens de 15 a 29 anos do programa Juventude Conectada atenderam 87 mil pessoas no ano passado nos 27 centros de atuação, espelhados em todas as regiões de Campinas. Criado em julho de 2014 pela Prefeitura, a iniciativa do programa é de promover inclusão digital e social, por meio de acesso gratuito à tecnologia da informação nos centros comunitários instalados. O programa é da Secretaria de Assistência Social, Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos e é de responsabilidade da Coordenadoria da Juventude da Pasta. Felipe Gonçalves da Silva, coordenador de Políticas para a Juventude na Coordenadoria da Juventude, explicou que os telecentros comunitários permitem à população a gratuidade no uso de computadores e de aulas e orientações, respondendo às demandas. A população recebe a ajuda dos jovens bolsistas que dão oficinas de informática e ensinam como fazer diversos serviços nos computadores, incluindo a elaboração de documentos e de currículos para emprego e outras atividades importantes mais complicadas. "A meta é incluir as pessoas no mundo digital para que desenvolvam-se e tenham oportunidades na sociedade" , comentou o coordenador. Os jovens bolsistas têm um ano de contrato e podem renovar por mais um ano, com ajuda mensal de custo de R$ 538 para atuar quatro horas por dia, de segunda a sexta-feira. "Além de ser uma oportunidade para jovens desenvolverem seu potencial, é um programa que transforma a sociedade" , disse. "Por um lado, pessoas que nunca tiveram contato com a internet começam a se integrar na sociedade. Por outro, jovens começam a se desenvolver, como ocorreu com uma bolsista do Juventude Conectada, que passou em quatro universidades" , afirmou. No primeiro trimestre 2020 a Prefeitura vai abrir um novo processo seletivo e os jovens interessados devem ficar atentos aos informes no site da Prefeitura de Campinas e no Facebook da Coordenadoria da Juventude.