Profissionais estrangeiros da área da saúde, estão desesperados com a possibilidade de ficarem desempregados no município por tempo indeterminado
Profissionais estrangeiros da área da saúde, que trabalham em Campinas pelo programa federal Mais Médicos, estão desesperados com a possibilidade de ficarem desempregados no município por tempo indeterminado. Isso porque, como há três anos o Governo Federal não faz o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira (Revalida), quem está com o contrato do programa em período de vencimento, não consegue renovar seu cadastro e obter autorização para exercer seu ofício no Brasil. O exame, em tese, deveria ser realizado anualmente para validar diplomas médicos expedidos por universidades estrangeiras. A situação, no entanto, fica ainda pior para os médicos de países como Argentina e Venezuela, que sequer tem a possibilidade de retornar as suas terras natais, já que as fronteiras estão fechadas desde março por causa da pandemia do novo coronavírus . O argentino Diego Enrique Travetto, de 42 anos, é dos médicos que está nessa situação de desespero. Nascido em Buenos Aires, ele desembarcou no Brasil há seis anos para trabalhar no Centro de Saúde (CS) São Quirino, em Campinas. Apesar de se sentir em casa, ele explica que vive hoje uma situação completamente diferente daquela que imaginava. O médico conta que seu drama pessoal começou no dia 18 de março, quando ele recebeu um e-mail do Ministério da Saúde informando que seu o período de recesso havia sido suspenso e que ele deveria voltar a trabalhar de forma ininterrupta para ajudar a combater a pandemia da Covid-19, em Campinas. “No dia 19 de março, eu voltei a trabalhar, mas, para minha surpresa, nesse mesmo dia, recebi outro mail informando que minha atuação no programa Mais Médicos seria encerrada no dia 22 de abril”, disse o argentino, que entrou em desespero. Ele explica que chegou a fazer uma ligação para o Ministério da Saúde para solicitar a possibilidade de seguir atuando no Brasil pelo programa do Governo Federal, mas que a resposta obtida por ele foi de que sua renovação não está sendo permitida porque ela já foi renovada uma primeira vez. “O Revalida está fechada desde 2017. Eu sei que vence por agora e me sento prejudicado nessa situação, porque faz dois anos que estou sem poder revalidar meu diploma pela negativa da abertura de novos chamados para os anos 2018 e 2019”, explica. Travetto disse ainda que enviou também um e-mail para o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e para o Secretário de Saúde de Campinas, Carmino Antônio de Souza, pedindo uma autorização excepcional para poder continuar empregado e exercer seu ofício no município, seja no programa do Governo Federal ou no Mais Médicos Campineiro – uma lei criada em 2019 que prevê a contratação de 120 médicos estrangeiros para atuar nos 66 centros de saúde da cidade. “A verdade é que estou muito angustiado, porque vou ficar sem emprego e sem possibilidade de retornar para o meu país. Moro com a minha mulher aqui em Campinas e ela está desempregada”, explica. A situação vivida pelo argentino é similar à da venezuelana, Eglyn Nohemi Gamarra, que também atua no Centro de Saúde (CS) Jardim Conceição. Wla também terá seu contrato rescindido em duas semanas. “Meu marido está desempregado e nós estamos aqui com dois filhos. Eu estou grávida e meu contrato vence no dia 22 de abril, sem possibilidade de uma recontratação”, destaca ela. “Eu não tenho condições de voltar para a Venezuela, por causa do fechamento da fronteira.”