Secretária de Políticas para as Mulheres de Campinas considera que a cidade conta com uma ampla rede de proteção e acolhimento, mas precisa levar as ações para a periferia e ampliar as medidas de prevenção à violência doméstica

Nascida no Guarujá, Alessandra Herrmann mora em Campinas há mais de dez anos; trabalho no setor público, segundo ela, é cansativo, mas compensador (Rodrigo Zanotto)
Formada em Engenharia de Produção, Alessandra Herrmann construiu uma carreira consistente na iniciativa privada, notadamente na indústria automobilística. Há pouco mais de seis meses, no entanto, deu uma guinada na vida profissional ao aceitar o convite do Prefeito Dário Saadi (Republicanos) para assumir a Secretaria de Políticas para as Mulheres de Campinas. Desde então, tem se esforçado para fazer com que os projetos já existentes de defesa e acolhimento a mulheres vítimas de violência doméstica cheguem efetivamente até quem precisa. Outra missão que se impôs é intensificar as ações e programas que previnam a ocorrência dos diferentes tipos de abusos a que as mulheres, especialmente as que estão em situação de vulnerabilidade, são submetidas cotidianamente.
“Estamos elaborando dois projetos, um em parceria com a Secretaria de Saúde e outro com a Secretaria de Educação. Através do primeiro, queremos capacitar os agentes de saúde a identificar e a informar situações de violência doméstica durante as visitas deles às casas das pessoas. O segundo vai discutir com alunos da rede municipal, por meio de linguagem adequada, temas como violência de gênero, misoginia e machismo. E vamos propor aos alunos dois concursos, com direito a premiações: um de frases e desenhos e outro de redação. Precisamos trabalhar essas questões ainda na infância”, pondera Alessandra.
Na última semana, a secretária municipal de Políticas para as Mulheres, que nasceu no Guarujá, mas vive em Campinas há mais de dez anos, visitou o Correio Popular, onde foi recebida pelo presidente-executivo do jornal, Ítalo Hamilton Barioni. Na ocasião, ela falou sobre o seu trabalho à frente da Pasta, acerca da sub-representação das mulheres nos postos de poder e de decisão e revelou como tem sido a experiência de constituir uma secretaria do zero e gerar condições para que as mulheres tenham os seus direitos assegurados.
Secretária, a senhora é nascida em que cidade?
Sou natural do Guarujá, do litoral. Sim, existem pessoas que nascem no Guarujá (risos). Todo mundo brinca comigo e fala, “mas eu sempre achei que o pessoal só fosse lá passar temporada”. Não, eu e minha irmã nascemos no Guarujá.
Passou a infância lá?
Até os 15 anos eu morei no Guarujá. Depois eu tive a oportunidade de morar um ano fora, nos Estados Unidos. Quando voltei eu já ingressei na faculdade.
Escolheu que carreira?
Eu fiz Engenharia. Sou formada pela FEI, a Faculdade de Engenharia Industrial, que fica em São Bernardo do Campo. A princípio não foi a minha primeira escolha, eu queria ter feito Comércio Exterior. Mas muito influenciada pelos meus pais, que falaram que eu tinha muita facilidade com exatas, optei por um curso um pouco mais abrangente que Comércio Exterior. E aí eu acabei optando pela Engenharia.
Atualmente, as engenharias contam com um número significativo de estudantes mulheres. Mas não era assim até há pouco tempo. Como foi no seu período de estudante?
Eu me lembro que nos primeiros anos as salas eram, por exemplo, compostas por 80 alunos. Destes, cinco eram mulheres. A gente ficava agrupadinha num canto da sala, as cinco juntas. Foi assim durante os cinco anos. Quando eu migrei do curso básico para a Engenharia de Produção, melhorou um pouco. Ainda assim, a classe era predominantemente masculina.
Essa experiência em um ambiente predominantemente masculino serviu como uma espécie de escola, um aprendizado que a levou a trabalhar em defesa dos direitos das mulheres?
Sem dúvida nenhuma. Comecei a ficar calejada desde aquela época, né? Depois que terminei a faculdade, meu primeiro emprego foi em uma indústria automobilística. Foi na Peugeot Citroën. Depois, fui para Volkswagen. Sempre trabalhando com manufatura, com Engenharia de Produção, que foi a minha formação. Tudo em ambiente predominantemente masculino. Então, estou sentindo na pele há muitos anos isso. E que ironia do destino, né? Hoje, meu trabalho é defender e fortalecer as mulheres. Isso é muito interessante, pois estou combatendo a misoginia e o machismo. Nunca imaginei que isso fosse acontecer.
Antes de assumir a Secretaria de Políticas para as Mulheres, a senhora já morava em Campinas, não? O que a trouxe para a cidade?
Como disse, meu primeiro emprego foi na Peugeot Citroën, que era no Rio de Janeiro. Depois, fui para a Volkswagen, também no Rio. Lá conheci meu marido, que é engenheiro mecânico na Volkswagen. Trabalhamos por alguns anos naquela região. Aí meu marido recebeu uma proposta para trabalhar no interior de São Paulo, na região de Bauru. Já havíamos nos casado, eu estava grávida e o acompanhei. Então, eu tive que largar o meu emprego para acompanhá-lo. Por causa do trabalho dele, nós passamos por três cidades diferentes, a última delas Campinas. Quando ele resolveu ir pra São Paulo, eu falei: aqui de Campinas eu não saio. Eu fiquei realmente apaixonada, me encantei por Campinas. A gente teve uma conversa bem dura, mas concordamos que seria melhor que eu ficasse aqui com a nossa filha e que ele fosse trabalhar em São Paulo. Faz mais de dez anos que moro aqui, totalmente ambientada.
A senhora morou em Piracicaba. O seu sobrenome Herrmann tem ligação com o falecido prefeito da cidade, João Herrmann Neto?
Sim, sou casada com o filho dele. A morte dele foi um negócio estúpido, né? Foi da noite para o dia, com a família toda reunida para comemorar a Páscoa. Foi muito dolorido para todos.
Ainda hoje constatamos uma sub-representação feminina em vários campos de atividade humana, notadamente nas esferas de poder. Como enfrentar isso?
Esta é uma pergunta muito interessante, porque somos a maioria da população. Se a gente se aprofundar um pouco mais e trouxer o recorte racial, verificamos que as mulheres negras e pardas são a grande maioria, mas onde estão essas mulheres? Acho que isso é um problema muito complicado. Acho que é um dos fatores que mais causam tudo isso que a gente está vendo hoje. Somos a maioria, mas não estamos na maioria desses cargos de poder, como você bem disse. Nem na gestão pública, nem na gestão privada. Somos as que têm mais escolaridade, porém isso não se reflete na renda que nós temos. Nós somos a maioria somente nos lugares onde a remuneração é menor. Isso precisa ser mudado. Eu acho que a mudança tem que começar pela política. A nossa representatividade tem que ser maior. No Congresso Nacional, que tem mais de 600 parlamentares, as mulheres não representam 15%. Isso tem que mudar, porque essa desigualdade de gênero é o que causa a desigualdade de poder. Isso acarreta tudo o que a gente está vendo: homens usando da força física cada vez mais para manter esse domínio.
Sua secretaria foi criada em agosto de 2025, justamente em um momento de recrudescimento da violência contra a mulher. Como tem sido trabalhar para combater esse fenômeno?
É uma problemática que não é local e nem nacional. É mundial. Tem países que estão instituindo a prisão perpétua para quem comete feminicídio. A secretaria surge no olho do furacão. E é nesse contexto que estamos trabalhando.
A baixa representação da mulher nos espaços de decisão gera outra distorção. Recentemente, tivemos o episódio de dois desembargadores mineiros que inocentaram um homem acusado de estupro de vulnerável. A menina tinha 12 anos e ele, mais de 30 anos. Uma desembargadora votou contrariamente. Se a turma tivesse duas mulheres e um homem, a decisão provavelmente seria diferente, não?
Exatamente. É por isso que eu digo que a solução tem que começar pela política mesmo, porque nessas casas, se nós fôssemos também a maioria, isso não aconteceria. Ou, pelo menos, teríamos pontos de vista mais contundentes. Somos maioria, mas não estamos nos cargos de chefia, de comando. Esse caso só não permaneceu da forma como foi decidido inicialmente porque teve pressão da mídia e da sociedade. Sem isso, não teria sido revertido.
Quando a senhora foi convidada para assumir a Pasta, exercia alguma militância relacionada à causa das mulheres?
Não, eu fui convidada justamente por ser gestora. Pela minha experiência com gestão, uma vez que essa secretaria foi criada do zero. Na verdade, ela não foi criada do zero. Existia uma coordenadoria da mulher dentro da Secretaria de Assistência Social. Mas como a Assistência Social já cuida de muitos serviços, instituiu-se essa secretaria. Entre as pessoas que vieram trabalhar comigo, algumas vieram do setor privado, como eu. Outras não tinham também nenhuma relação com a causa. Então, o meu desafio foi justamente esse, o desafio de consolidar essa equipe, de criar os processos internos, de fazer o plano orçamentário. Ao mesmo tempo, trabalhar na formulação de políticas públicas consistentes de amparo às mulheres.
Além da questão socioeconômica que mencionamos, outros fatores concorrem para o avanço da violência contra as mulheres. Recentemente, a sua secretaria anunciou uma série de ações para fazer frente a esses problemas. Que iniciativas são essas?
A nossa secretaria foi criada de uma forma muito enxuta, justamente porque a gente precisa trabalhar transversalmente com as outras secretarias da Prefeitura. Isso porque a os temas relacionados às mulheres estão em todas elas. Então, nesses primeiros seis meses, a gente estudou de que forma nossas ações poderiam ter mais alcance, a partir da parceria com as outras secretarias. E surgiram propostas interessantes. Por exemplo, como melhorar a prevenção da violência. Fazendo um parêntese, Campinas já conta com muitas políticas públicas voltadas à proteção e acolhimento de mulheres vítimas de violência. Entretanto, precisamos aperfeiçoar os trabalhos de prevenção. Nesse sentido, definimos uma iniciativa em colaboração com a Secretaria de Educação. Nós vamos entrar nas salas de aula para falar com estudantes do primeiro ao nono ano. Entre os alunos do primeiro ao quarto ano, vamos abordar o tema violência doméstica com linguagem adequada àquela faixa etária. Vamos propor um concurso de frases e desenhos com premiação aos melhores trabalhos. Entre os demais alunos, vamos lançar um concurso de redação. Também vamos promover, com o apoio da Secretaria de Assistência Social, rodas de conversa com os alunos dos últimos anos para discutir temas como misoginia. Também pensamos em oferecer um curso de cidadania digital aos professores, visto que a violência digital é muito preocupante. O curso está sendo montado e deve atingir 260 professores da rede municipal em um primeiro momento. Outro programa, este em parceria com a Secretaria de Saúde, vai promover a capacitação de agentes de saúde, também através de videoaulas. Os agentes de saúde estão dentro das casas, certo? Eles circulam pelas residências com certa facilidade. Então, a gente vai ensiná-los a detectar situações de violência doméstica. Estamos falando dos diversos tipos de violência. A agressão é a mais aparente. Mas existe também a sexual, a patrimonial, a moral, a psicológica. Vamos capacitar os agentes para identificar e informar essas situações, com cuidado, claro. Também pretendemos fortalecer a rede de apoio e acolhimento já existente, de modo a fazer que ela chegue onde precisa chegar.
É fato que as novas gerações estão mais conscientes sobre os direitos das mulheres. Entretanto, especialistas dizem que ainda há mulheres que têm dificuldade em identificar que são submetidas a abusos e que desconhecem seus direitos. Como superar esse obstáculo?
Desde o primeiro dia, temos trabalhado essa questão da informação. Justamente porque tem uma parcela de mulheres que ainda não sabe que direitos tem e como exercê-los. Fazemos isso durante nossas ações, por meio da mídia, das redes sociais e de campanhas educativas específicas. As políticas públicas existem e as mulheres precisam saber disso. Temos casas de acolhimento e auxílioaluguel para vítimas que precisam se afastar do agressor. Também oferecemos suporte psicológico. Outro aspecto importante é que temos um programa de qualificação profissional que prepara as mulheres para ingressar no mercado de trabalho, inclusive de forma autônoma. Muitas optam por trabalhar com beleza, pois podem oferecer cortes de cabelo ou desenho de sobrancelhas em casa, para poder cuidar dos filhos.
Existe um trabalho de cooperação ou troca de experiências entre a sua secretaria e outras pastas ou órgãos de defesa dos direitos das mulheres de outros municípios?
Hoje eu faço parte de um grupo de Whatsapp com várias secretarias ou coordenadorias (alguns municípios ainda não têm uma secretaria) que permanecem conectadas para discutir práticas comprovadamente exitosas. Tem gente do Brasil inteiro. É um movimento muito interessante. Com relação ao Estado de São Paulo, recentemente teve uma troca na Secretaria Estadual de Mulheres. E eu já recebi um formulário para preencher, informando quais são as iniciativas que nós adotamos e o que ainda estamos elaborando. Todos os municípios do Estado estão fazendo a mesma coisa. Penso que os dados serão compilados e servirão de base para alguma eventual ação em nível estadual. O importante é que todas as esferas estão extremamente engajadas. O problema é muito sério e exige mesmo ação.
Existe algum trabalho voltado para o público interno da Prefeitura? Afinal, são perto de 15 mil servidores que podem ser multiplicadores de informações relacionas aos direitos das mulheres, não?
Com certeza. A Secretaria de Desenvolvimento de Gestão de Pessoas já está articulando a realização de rodas reflexivas junto aos servidores. Não como uma ação pontual, mas como um programa dentro da Prefeitura. Acredito que logo mais será lançado, para que os servidores participem também desse esforço de combate à violência de gênero.
E em relação ao homem autor de violência contra a mulher? Existe algum serviço disponível para o atendimento desse público?
Existe e a procura é grande. Nós temos um serviço na Secretaria da Mulher que é obrigatório para os autores de violência. Isso agora faz parte da penalização deles. Eles são obrigados a frequentar as atividades, que são conduzidas por um psicólogo e um assistente social. Primeiro, eles passam por um atendimento individualizado e depois passam a participar de rodas de conversa. É um trabalho de conscientização porque muitos cometem violência, mas consideram o ato normal. O trabalho desenvolvido é para tentar mudar esse tipo de mentalidade, para evitar que continuem cometendo esse tipo de crime.
Secretária, desde a sua posse até agora, transcorreram seis meses. Como a senhora tem percebido o trabalho no setor público? É uma dinâmica totalmente diferente da adotada pelo mundo corporativo, não?
Bem, é aquilo que eu já disse. O primeiro desafio foi montar a equipe. Estruturar tudo. É um trabalho desafiador? Sim, mas quando você tem a experiência de gestão, as coisas não mudam muito. Porque é aquilo: você tem que identificar qual o problema, fazer o planejamento, bolar a ação e depois medir o resultado. É isso que se faz na iniciativa privada, é isso que estamos fazendo na gestão pública. O que eu achava que seria mais complicado, mas que não está sendo, é a interface com as outras secretarias. A cooperação tem sido muito boa. Meu trabalho depende demais das outras secretarias. Eu estava muito ansiosa com relação à receptividade, como seria o trabalho. E está dando muito certo. Os secretários têm nos recebido e têm nos ajudado. Claro, o prefeito Dário também está empenhado para que tudo aconteça. Ele tem facilitado muito o nosso trabalho. Obviamente que temos desafios a serem superados. Levar todos os serviços disponíveis para a quem precisa não é tarefa fácil. Eles estão concentrados na região central e precisam chegar a outros territórios. Algumas mulheres, por exemplo, têm dificuldade em frequentar os programas de empreendedorismo porque não conseguem se deslocar de seus bairros para a região central. Nossa missão agora é pensar em maneiras de levar esse tipo de serviço até as mulheres, para atingir de fato quem precisa. Esse é um desafio que será encarado este ano, além de colocar em andamento os projetos em parceria com a Educação e a Saúde. Recentemente, nós fizemos uma feira de empreendedorismo no Parque Oziel. Levamos toda a estrutura, e as empreendedoras do bairro conseguiram vender os seus produtos. Instalamos um palco e promovemos atividades culturais, como batalha de rimas. Tudo isso valorizando o protagonismo feminino. Foi muito bacana e muito bem aceito. Precisamos fazer mais ações como esta, chegar a locais de maior vulnerabilidade. Ou, eventualmente, fazer com que as mulheres cheguem até nós.
O orçamento da sua secretaria é bem modesto. Ele é suficiente para as necessidades da Pasta?
Então, a secretaria foi criada em agosto do ano passado, sem que tivesse verba provisionada. Nenhuma outra secretaria também tinha provisionado recursos para nós. No começo foi complicado, mas conseguimos fazer o nosso planejamento orçamentário. Deu tudo certo. Os recursos são limitados, mas nós pretendemos trazer a iniciativa privada para participar das nossas ações e programas. É bom para as empresas, bom para nós e bom para o público que atendemos. Existem leis que oferecem benefícios fiscais para empresas que financiam programas sociais. Estamos em contato com ONGs da cidade. Pretendemos levar projetos à iniciativa privada para que ela possa subsidiar. Também podemos obter recursos através de emendas parlamentares. Nós apresentamos um cardápio de emendas parlamentares aos vereadores. Muitos gostaram das propostas e destinaram verbas. Assim, vamos obtendo mais recursos.
Como disse, a secretaria tem somente seis meses de existência. É pouco tempo. Mas a senhora consegue olhar em perspectiva e projetar que legado a senhora espera deixar para esse esforço de combate à violência contra a mulher?
Eu penso nisso todo dia. Qual é o legado que esta secretaria vai deixar? Eu queria realmente que fosse o legado de ter ajudado quem precisa. De ter oferecido políticas que conseguiram chegar onde as mulheres estão verdadeiramente. Políticas que fizeram a diferença na vida dessas mulheres. É dessa forma que eu gostaria de ser lembrada como gestora, mesmo com todas as dificuldades naturais de um início de trabalho. Quando você sai do zero, o desafio é muito maior. Eu gostaria muito de emplacar algum programa que pudesse ter uma projeção nacional.
Qual é o seu hobby? O que faz para relaxar nos momentos de folga?
Estou dedicando 100% do meu tempo ao trabalho. É muito cansativo, mas também muito satisfatório. Chego em casa morta. Não tenho vontade de ir para a academia, só de descansar. Relaxo e penso que o nosso trabalho está fazendo a diferença na vida de alguém. Outro dia, recebi um bilhetinho de uma menina usuária dos nossos serviços. Deixou o bilhetinho na minha mesa agradecendo pelo programa. E dizendo que fazia vários dias que ela e o filho dormiam sem gritos. Imagina o que não acontecia na casa deles? Isso dá todo o sentido ao nosso trabalho, que se transformou em missão para mim. Toda minha experiência veio do setor privado. Lá, não se sente isso. Você faz o melhor, mas trabalha para a empresa, para os acionistas. Agora, quando conheço histórias como a desta mulher do bilhetinho, não importa o cansaço. Eu acordo no dia seguinte pronta para recomeçar.
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