Prestes a encerrar seu segundo mandato, o reitor Germano Rigacci Júnior faz um balanço positivo do período em que conduziu os destinos da universidade

Em sua segunda gestão, Rigacci Júnior iniciou discussões em torno do futuro da PUC-Campinas, que completará 100 anos em 2041 (Alessandro Torres)
Depois de dois mandatos à frente da Reitoria da PUCCampinas, que totalizaram oito anos, o professor Germano Rigacci Júnior está deixando o cargo. A partir de fevereiro, ele será substituído pelo professor Victor de Barros Deantoni, atual pró-reitor de Gestão de Pessoas e Serviços Compartilhados. Na entrevista que segue, Rigacci Júnior faz um balanço das duas gestões, que considera exitosas, e revela novos projetos que estão sendo conduzidoas pela universidade. Um deles diz respeito ao recém-credenciamento do Programa Mescla ao Sistema Paulista de Parques Tecnológicos. “Com isso, queremos desenvolver pesquisas relevantes e atrair empresas para participarem desse esforço”, afirma. Além disso, a instituição também está buscando recursos junto às agências de fomento para a criação de uma rede de pesquisas em inuno-oncologia. A ideia é desenvolver vacinas para a prevenção e combate a diversos tipos de câncer. É uma iniciativa muito promissora. “Contaremos com uma sala limpa, na qual os pesquisadores vão investigar, por exemplo, terapias com célulastronco”, acrescenta o docente, que foi recebido por Ítalo Hamilton Barioni, presidente-executivo do jornal.
Professor, o senhor está encerrando dois mandatos à frente da Reitoria da PUC-Campinas. Que balanço o senhor faz desse período, começando pelo tema da gestão. O que foi possível implementar nos últimos oito anos?
Bom, em primeiro lugar é preciso destacar que nós estamos falando de uma instituição que este ano completou 84 anos de existência, e que tem uma presença marcante na cidade de Campinas e na Região Metropolitana. Também eu quero deixar registrada a confiança que, no primeiro mandato, me depositou o arcebispo dom Ayrton José dos Santos, que me escolheu para ser reitor. O mesmo em relação a Dom João Inácio Müller, atual arcebispo de Campinas e grão-chanceler da universidade, que me confiou o segundo mandato e, além disso, sempre esteve presente na gestão, apoiando, motivando a construção de projetos, sempre com um olhar voltado para novos horizontes. Sem esse apoio, dificilmente um reitor conseguiria construir alguma coisa, porque essa sintonia com o arcebispo é uma sintonia com a Igreja. A Pontifícia Universidade Católica de Campinas é uma instituição ligada à Igreja, não é uma instituição privada, um ambiente próprio, autônomo. Então, isso é importante deixar registrado no início. Outro destaque, acho que foi na primeira entrevista que eu dei ao Correio Popular, eu disse que não havia comunicado nada ao meu pai. No domingo em que o jornal foi publicado com a entrevista, eu fui visitá-lo, e ele estava com o jornal na mão e perguntou: “foi você que disse tudo isso?”. Falei que sim. E meu pai fez mais uma pergunta: “Você vai cumprir tudo o que está aí?”. Respondi que pretendia, e ele completou dizendo que, se não fosse para cumprir, teria sido melhor não dizer tudo aquilo. Hoje, com meu pai já falecido, eu entendo que boa parte do planejado foi realizada. Não foi simplesmente discurso vazio, para convencer ou aparecer no jornal. Então, esse percurso de oito anos foi um percurso muito interessante, que eu divido em dois momentos. O primeiro mandato foi marcado por muitos obstáculos, sejam internos, sejam externos. Enfrentamos vários desafios. Eu acho que o primeiro desafio foi elaborar um plano de carreira docente, que nós conseguimos homologar no final de 2019. Foi um ano de muito estudo, muito envolvimento com a comunidade e com o corpo docente, no sentido de fazermos um plano viável para a instituição. Em 2020, tínhamos planos de avançar com outros projetos. Inauguramos em março daquele ano o FabLab (Laboratório de Fabricação Digital). Na sequência, enfrentamos um período marcado pela pandemia de covid-19. Um período no qual os problemas eram sempre diferentes, diários. O primeiro grande desafio foi transformar uma universidade com ensino presencial em ensino remoto. Tivemos que oferecer instrumentos para isso. Nós tínhamos um ambiente virtual de aprendizagem que já estava instalado, mas com muitas limitações. Então, nós tivemos, em pouco tempo, acho que 15 dias, que nos transformar. Tivemos que ampliar as nossas condições de infraestrutura na área de tecnologia, para poder dar conta desse ensino a distância. Felizmente, em menos de 20 dias todos os docentes, todos os estudantes já estavam ligados às plataformas da universidade para o desenvolvimento do ensino. Fora isso, nós sabíamos que a pandemia atingia as condições de vida das pessoas, não só aquilo que implicava em cuidados de saúde, mas aquilo que implicava no orçamento financeiro das famílias e isso também trouxe impactos. Nós não tínhamos como reduzir mensalidades, mas, junto com a Sociedade Mantenedora, fomos trabalhando alternativas para reduzir esse sofrimento das famílias e fazer, de alguma maneira, um alongamento das parcelas. Isso ajudou a reter muitos alunos em nossa instituição. Lembro bem que pais se colocavam à disposição para trocar serviço, para poder manter os filhos estudando. Então, foi um tempo difícil pra universidade. Eu ia à universidade todos os dias. Ficava ligado, acompanhando, conversando com os pró-reitores. Exercitávamos pensar a instituição mais à frente. Foi nessa época que nós começamos a projetar o Programa Mescla (voltado a fomentar o empreendedorismo e a busca de soluções inovadoras), que conseguimos inaugurar em agosto de 2021, no último semestre da minha primeira gestão.
Imagino, professor, que o processo de retomada das atividades presenciais após a pandemia também exigiu esforço por parte da universidade, não?
Claro que a Covid não atingiu só a PUC-Campinas, atingiu a sociedade, o mundo. Do ponto de vista do conteúdo teórico, este foi plenamente desenvolvido. O conteúdo prático foi parcialmente desenvolvido. Ficaram pendências de conteúdo prático. Por exemplo, os estágios, as disciplinas práticas que nós tivemos que retomar mais intensamente. Estabelecemos um calendário diferenciado para os estudantes daqueles cursos onde essas disciplinas estavam colocadas. Isso foi um desafio. Alguns cursos tiveram o calendário alongado. Isso, de alguma maneira, exigiu outro planejamento acadêmico e financeiro da universidade. Um planejamento que não estava dado com as mesmas referências que você tinha do passado. Então, essa retomada, que foi gradual, foi cercada de todos os cuidados, inclusive os de ordem sanitária.
A PUC-Campinas chegou a perder alunos por causa da pandemia?
Não, o nosso número de alunos cresceu, infelizmente. Nós começamos 2025, e isso vai se repetir em 2026, com um pequeno crescimento no número de alunos. Eu acho que por várias razões. A primeira razão é a excelência das atividades de ensino, pesquisa e extensão da universidade, especialmente o ensino, identificada na avaliação em diversos rankings. Diferentemente de algumas instituições que ainda têm dificuldade, nós estamos com um número crescente de estudantes no presencial.
Ainda em relação às atividades-meio, também ocorreram avanços em relação às rotinas administrativas da universidade nos últimos oito anos?
No segundo semestre de 2021, em conversa com o arcebispo, nós fazemos um diagnóstico sobre a nossa estrutura, e ele achou muito interessante, apoiou e liberou o início de um processo de reformulação. No segundo semestre, nós fizemos, por meio da contratação de consultorias externas, o diagnóstico da nossa estrutura organizacional. Nós tínhamos um sentimento de que a estrutura estava pesada. Nós fizemos, então, um diagnóstico que ouviu toda a comunidade universitária, todos os níveis da estrutura organizacional da instituição e pudemos comprovar que, de fato, estava uma estrutura muito verticalizada e que mereceria, então, uma revisão profunda.
As mudanças tiveram início no seu segundo mandato, é isso?
Sim. Na segunda gestão, que se iniciou em 2022, a partir do diagnóstico, nós começamos a pensar na reformulação dessa estrutura. Nós pensamos em uma estrutura menos vertical, que fosse mais ágil e que efetivamente pudesse olhar para alguns elementos, como pessoas, infraestrutura, sistemas e processos. Olhando para esses aspectos, nós começamos a pensar em uma nova estrutura, que começou a ser implementada. Nós tínhamos uma cultura interna apoiada em “atribuição e lealdade”, que são importantes. Mas juntamos a esses princípios o compromisso com metas, o compromisso com indicadores. Além disso, um aspecto ficou ainda mais claro para todos: que a razão de ser da universidade é a formação dos estudantes. Ou seja, nós não poderíamos, como vínhamos fazendo, continuar concentrando recursos nas atividades-meio, com a burocracia interna. Havia a necessidade de a gente destinar recursos para as atividades-fim, voltadas àquilo que é o objetivo maior da instituição, que é a formação integral dos nossos estudantes. Esse é um trabalho que está em andamento, começamos a implementar isso desde 2023. É uma cultura que está se instalando aos poucos na universidade, porque não é algo que se impõe simplesmente. É algo que você tem que trabalhar, as pessoas têm que entender que esse é o caminho. É uma ação fundamental para que a instituição fique vigorosa e em condições de se dedicar àquilo que realmente é a sua finalidade.
Falando em atividades-fim, começando pelo ensino, quais foram os avanços registrados?
Na primeira gestão, começamos um processo de ampla reforma dos currículos dos cursos. Esses currículos passaram a incorporar o Conselho de Competência, como algo importante na formação de nossos estudantes. Isso é um processo, nunca estará acabado. Os currículos têm que, a todo o momento, ser revisitados, atualizados. A ideia é fazer com que as disciplinas se organizem de modo a possibilitar que a formação, no decorrer de um curso, leve em conta a formação de competências, de habilidades e atitudes. Eu preciso ter competência técnico-científica, naturalmente, mas preciso desenvolver habilidades. Acho que, quando a gente fala em competências, a gente tem que pensar na competência teórica, que envolve ciência, envolve tecnologia, mas também a gente tem que pensar no desenvolvimento das habilidades. Os nossos estudantes aprendem a técnica. A técnica não é só tecnologia que se concretiza em infraestrutura tecnológica ou máquinas. Técnica é o caminho, é o que eu tenho para desenvolver uma habilidade. Tem também a atitude. Nossos estudantes têm que se deparar com os valores que marcam a nossa instituição, que é uma instituição confessional católica. Nós temos valores. E o primeiro grande valor que nós temos é poder dar uma formação integral à pessoa humana. Essa formação integral da pessoa humana está apoiada naqueles valores que o magistério da Igreja, na sua doutrina social, apoiado na mensagem de Jesus, ensina. Nossos estudantes têm que aprender a ser promotores da paz, da justiça, da fraternidade, entre outros valores. Então, se a universidade promove isso nos seus estudantes, junto com a formação científica, técnica, com as habilidades, eu acho que isso, como afirmava o Papa Francisco, é uma formação integral. Isso é formar mentes, corações e as mãos.
Quantos cursos foram criados nas duas gestões?
Foram 18 cursos criados nos dois mandatos. O último que nós criamos foi de Inteligência Artificial. Mas nós criamos também o curso de Cibersegurança, de Engenharia Agronômica, que é um curso que nós desenvolvemos junto com outra grande instituição, centenária, que é o Instituto Agronômico de Campinas. Nele, os estudantes têm a oportunidade de conviver diariamente com grandes pesquisadores. Eu acho que em Campinas não se dá conta da qualidade dos seus pesquisadores. Não se dá conta da história da pesquisa aqui desenvolvida. O IAC nasce do olhar visionário de D. Pedro II. É uma instituição muito importante para o desenvolvimento agrícola brasileiro. A memória genética que nós temos ali do café, do feijão, da cana é importantíssima. O Estado de São Paulo não pode perder essa riqueza. O nosso curso de Engenharia Agronômica se desenvolve nesse contexto. Temos também o curso de Engenharia de Alimentos, que está indo para a sua segunda turma agora. Ele é desenvolvido junto com o ITAL, o Instituto de Tecnologia de Alimentos, que é outra instituição muito importante no que diz respeito ao desenvolvimento da ciência dos alimentos, de tecnologia da produção de alimentos. Essa parceria da universidade com esses institutos traz para os nossos estudantes, que são a razão de ser uma universidade, condições de podermos desenvolver uma formação muito rica. Nós também lançamos o Curso Superior de Tecnologia em Gastronomia. Criamos o Hub Gastronômico, que hoje, além de proporcionar a formação na área, também é um espaço que as pessoas têm requerido para fazer encontros, seja para se reunir num almoço, num jantar, e mesmo para desenvolver reuniões nas salas que nós disponibilizamos.Jesus, ensina. Nossos estudantes têm que aprender a ser promotores da paz, da justiça, da fraternidade, entre outros valores. Então, se a universidade promove isso nos seus estudantes, junto com a formação científica, técnica, com as habilidades, eu acho que isso, como afirmava o Papa Francisco, é uma formação integral. Isso é formar mentes, corações e as mãos.
Nesse aspecto, reitor, eu pergunto o quão importante é para a PUC-Campinas estar alinhada, estar atenta, às tendências de mercado e às demandas da sociedade?
Eu acho que é fundamental essa abertura. Em 2018, quando eu estava iniciando a primeira gestão, eu convidei um grupo de 15 empresários de Campinas para uma reunião. Compareceram 11. A reunião era para durar uma hora, demorou quatro. Foi uma reunião muito boa, apesar de difícil. Em síntese, os empresários afirmaram que as demandas das empresas iam numa direção e a universidade caminhava em outra. A partir de então, temos nos esforçado para estarmos alinhados. Foi formado um Conselho, com a participação de 30 empresários. Hoje são 31 integrantes. Temos duas reuniões anuais, nas quais discutimos objetivos comuns. Sempre ouvimos a demandas, as críticas e as sugestões. A partir dessa experiência, surgiu uma provocação, para que nós avançássemos no nosso programa de inovação e empreendedorismo. A partir dessa sugestão, desenhamos uma disciplina para todos os estudantes da universidade sobre empreendedorismo, que foi oferecida pela primeira vez aos ingressantes deste ano. Alguns dos empresários que compõem o conselho costumam palestrar para os estudantes, como forma de compartilhar a experiência que acumularam ao longo dos anos.
A PUC-Campinas ajudou a elaborar e participa da implantação do Hub Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (HIDS), que conta com a colaboração de outras instituições de ensino e pesquisa. Qual deve ser a importância dessa iniciativa para Campinas?
Estamos avançando no conceito do HIDS. Há algumas semanas, o prefeito Dário Saadi assinou a lei que cria o Polo de Inovação e Desenvolvimento Sustentável (PIDS), que dá todas as diretrizes de zoneamento urbano para aquela região onde nós estamos (distrito de Barão Geraldo). Isso é fundamental para que o conceito do HIDS, que foi algo que nós começamos a construir lá atrás, em 2018, quando o então reitor do Unicamp, professor Marcelo Knobel, nos convidou para participar do projeto. Desde então, a proposta avançou e mais agentes foram participando do processo. Acho que, à medida que o hub vai sendo implementado, isso tornará Campinas uma grande referência em ciência e tecnologia. Já é. O ex-prefeito e hoje deputado federal, Jonas Donizette, obteve a aprovação, no ano passado, na Câmara Federal, do título de Capital Nacional da Ciência, Tecnologia e Inovação. Isso faz com que Campinas retome toda a sua trajetória. A cidade vem resistindo ao longo da história a uma série de obstáculos e desafios que foram colocados. No final do século XIX, a epidemia da febre amarela devastou a cidade. Ela começa a se recuperar com a instalação da economia cafeeira. Aí vem a epidemia da febre espanhola. Campinas se recupera, mas logo vem a quebra da Bolsa de 1929. A cidade se recuperou mais uma vez. Campinas está sempre resistindo, sempre renascendo. A PUC nasceu em 1941, com a criação da Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras. Então, nossa história também está ligada à história da cidade. Atualmente, a cidade está brilhando, vivendo o esplendor de ser a Capital Nacional da Ciência, Tecnologia e Inovação. Isso não é apenas um título, isso é uma realidade. O grande desafio será manter isso, esse ambiente, e continuar, digamos, a construção de conhecimento voltado ao desenvolvimento de tecnologias inovadoras.
Como o senhor analisa o fato de a Sociedade Campineira de Educação e Instrução, mantenedora da PUC, ter assumido a gestão da Maternidade de Campinas?
Foi uma decisão da nossa Mantenedora, que considero acertada. Nós temos um projeto, que permitirá aos nossos estudantes da área da saúde, do curso de medicina, e dos outros cursos, que comecem a se integrar às atividades e ao ambiente da Maternidade. Temos projetos formativos, bem definidos, com acompanhamento de professores. Nós já temos o hospital da PUC, no Campus 2. Essa integração da Maternidade com a universidade será construída nos próximos anos. Essa decisão mostra o quanto a PUC-Campinas se abriu para o diálogo com a sociedade. Temos projetos e atividades de extensão nos quais nossos alunos e professores estão envolvidos. Temos o Programa de Desenvolvimento Humano Integral (PDHI), que permite que membros da nossa comunidade contribuam com ações voltadas para o desenvolvimento humano e a construção de uma sociedade mais justa. Temos desenvolvido atividades em regiões de grande vulnerabilidade social, como os jardins Campo Belo e Itatinga. Também temos um projeto que desenvolvemos com pessoas em situação de rua. Agora, estamos com outro projeto, que é a Justiça Restaurativa, que envolve também outras instituições da cidade. Aos poucos vamos colocando a universidade em movimento, com o objetivo de atender as demandas da sociedade. A instituição precisa ter consistência para estar presente em todos esses ambientes. Atualmente, estamos construindo o Centro de Inovação e Inteligência Artificial, o AI.VOS. As fundações do prédio começam a ser feitas agora. As obras devem ficar prontas em outubro ou novembro do ano que vem. Vamos criar um ambiente envolvendo a formação dos nossos estudantes, envolvendo a produção de software e a produção de hardware. Sempre com foco na Inteligência Artificial, na conectividade. Isso nos vincula àquilo que é a premissa primeira desse projeto, que é a integração ao programa do Ministério da Indústria e Comércio, o Nova Indústria Brasil (NIB). Quando nós falamos hardware, pensamos no nível da robótica. Será um ambiente que contará com a participação de empresas e startups. O AI.VOS está ligado ao trabalho que o Programa Mescla vem fazendo, que é estimular a inovação e o empreendedorismo. Além disso, esta semana a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado publicou resolução credenciando o Mescla ao Sistema Paulista de Parques Tecnológicos. Agora, queremos avançar. Queremos desenvolver pesquisas relevantes e atrair empresas para participarem desse esforço.
Como anda o projeto de restauração do Pátio dos Leões?
Nós tivemos a aprovação do projeto pela Lei Rouanet e estamos numa fase de captação de recursos. Captamos alguns recursos, mas não o suficiente para realizar o restauro do Pátio. Penso que até meados do próximo ano nós teremos recursos para começar a fazer o restauro do solar do Barão de Itapura. Para a universidade é muito importante, para a cidade de Campinas mais importante ainda, porque também será uma forma de a instituição contribuir com o projeto municipal de revitalização do Centro da cidade. Lembrando que o solar deverá abrigar dois museus, o Universitário e Arquidiocesano. Também terá espaço para desenvolver oficinas culturais, pequenos concertos, mostras culturais, entre outros eventos.
O senhor usou o termo atualização, e eu queria que o senhor comentasse também a questão dos programas de educação continuada.
Nós criamos a Pró-Reitoria Educação Continuada para cuidar dos cursos de curta duração, de especialização. A universidade está atenta a isso, para garantir, dentro de um conceito mundial, o aprendizado ao longo da vida. Isso tem sido cada vez mais necessário, diante das mudanças que vêm ocorrendo em várias áreas. Estamos oferecendo cursos de especialização, junto com a PUC Paraná. Hoje oferecemos diversos cursos de especialização a distância. Também temos cursos presenciais. Existe uma demanda pelo aprendizado ao longo da vida.
A PUC-Campinas tem aparecido em boas posições em rankings nacionais e internacionais. Como o senhor tem enxergado o desempenho da instituição nessas avaliações?
Como disse anteriormente, nós assumimos o compromisso com o alcance de metas, a partir de um conjunto dos indicadores. Hoje são 28 indicadores, divididos em três grupos. Entre os indicadores está a presença da universidade nos rankings nacionais e internacionais. Nos nacionais, estamos no RUF (Ranking Universitário Folha) e no Guia do Estudante. Nos internacionais, no THE e no QS. Claro que nós temos que nos colocar nesses rankings, sobretudo os internacionais, com o limite que nós temos. Afinal, eles contemplam universidades de classe mundial, cujo orçamento supera 1 bilhão de dólares. São recursos necessários para manter a estrutura e investir em pesquisas e pesquisadores. A PUC tem obtido bons resultados, graças ao esforço coletivo da sua comunidade.
O seu sucessor já está indicado, que é o professor Victor de Barros Deantoni, atual pró-reitor de Gestão de Pessoas e Serviços Compartilhados. Como deve ser a transição até a posse, em fevereiro?
Como pró-reitor, o professor Victor conhece bem a universidade, e está montando a equipe dele. A equipe dele com a equipe atual estão conversando sobre processos e projetos. A expectativa é que ele realize uma excelente gestão. O professor Victor tem todas s condições para isso.
Existe o projeto denominado PUC 100 Anos, que trata de visão de futuro da instituição. O que tem sido discutido e para onde a universidade está olhando?
Veja, como a gente tem como ponto de origem da nossa universidade a fundação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras em 1941, nós pensamos assim: em 2041 a Universidade completará 100 anos. O que seremos em 2041? Lancei essa pergunta para um grupo que eu constituí há dois anos, um grupo intergeracional sob a coordenação do ex-reitor da FEI (Faculdade de Engenharia Industrial), professor Dr. Gustavo Donato. O grupo deve me entregar o relatório de trabalho com essa visão nos próximos dias. Qual é a ideia? É pensar, a partir das tendências atuais, um horizonte de 2041. Como será a Universidade? Contaremos com o mesmo número de alunos, teremos uma sociedade que vai estar mais envelhecida? Quais são os desafios na formação que nós estamos oferecendo hoje para que os nossos egressos, daqui cinco anos, sejam capazes de enfrentar todas as mudanças que, de alguma maneira, já acontecem em vários setores da sociedade, com a presença tão intensificada da inteligência artificial e de outros desenvolvimentos de tecnologias computacionais? O grupo fez uma pesquisa muito ampla e penso que esse relatório vai subsidiar a instituição para pensar também o seu plano estratégico, que hoje está apoiado em cinco grandes eixos: sustentabilidade econômica e ambiental, internacionalização, inovação e empreendedorismo, longevidade e relações humanas afetivas.
O que o senhor não conseguiu realizar nas duas gestões?
Dentro do horizonte estratégico, muitas coisas foram realizadas. Algo que não consegui realizar foi a construção de uma capela maior no Campus I. Isso é uma frustração pessoal. Outra frustração foi o projeto da biblioteca, que não foi executado, mas o projeto fica como contribuição. No balanço geral, muita coisa foi feita Se eu pudesse, mostraria para meu pai como forma de reafirmar que não foi só conversa a primeira entrevista que concedi ao Correio Popular.
lgum outro tema que o senhor gostaria de abordar?
Nós iniciamos agora um ciclo muito virtuoso de captação de recursos junto a agências de fomento. Vamos lançar uma sala limpa no contexto de um projeto de pesquisa na área de inuno-oncologia. Vamos pesquisar produção de vacinas contra vários tipos de câncer. É um projeto que já captou alguns recursos para investimento em equipamentos. É um projeto que vai envolver professores de dentro e de fora da PUC. Trata-se de uma rede de pesquisa, sob a liderança da universidade. É uma iniciativa muito promissora. Nessa sala limpa, os pesquisadores vão pesquisar, por exemplo, terapias com células-tronco. A ideia e desenvolver investigações de ponta, de maneira a estimularmos as pesquisas nos nossos programas.