Testagem estava suspensa no Brasil desde 12 de outubro, mas foi liberada na terça pela Anvisa

A vacina em estudo da Janssen, divisão farmacêutica da Johnson, tem o diferencial de ser de dose única (Cedoc/RAC)
O Hospital PUC-Campinas inicia hoje os testes com a vacina Ad26COVS2.S, contra a Covid-19, produzida pelo laboratório Janssen, divisão farmacêutica da Johnson & Johnson. Os procedimentos estavam suspensos desde o dia 12 de outubro no Brasil, após um voluntário dos Estados Unidos ter apresentado um evento adverso grave. A continuidade do estudo clínico foi autorizada na última terça-feira, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), vinculada ao Ministério da Saúde, que garante segurança aos voluntários brasileiros que queiram participar do experimento. No País, a coordenação da pesquisa está a cargo do Centro Paulista de Investigação Clínica (Cepic). A vacina que está sendo desenvolvida pela Janssen está entre as quatro que receberam autorização para testes da fase 3 (a última). As demais são a de Oxford (inglesa), a da Sinovac Coronavac (chinesa) e a vacina da BioNTech/Pfizer (alemã/norte-americana). A Anvisa informou, em nota, que pelas regras de pesquisa clínica, eventos adversos estão previstos e sua identificação serve justamente para conhecer e definir o perfil de segurança de cada medicamento. Contudo, os classificados como graves exigem a paralisação de todo o estudo e a investigação do caso antes da retomada dos testes. "Após avaliar os dados do evento adverso e as informações do Comitê Independente de Segurança, além de dados da autoridade regulatória norte-americana (Food and Drugs Administration - FDA), a Anvisa concluiu que a relação benefício e risco se mantém favorável e que o estudo poderá ser retomado", destaca o texto. No momento da interrupção, 12 voluntários do Brasil, todos do Rio de Janeiro, já haviam participado do teste, recebendo a dose da vacina ou do placebo. O estudo da Janssen está sendo conduzido em 11 estados, com previsão de envolver até 7.560 pessoas com mais de 18 anos. A Anvisa informou ainda que continuará acompanhando todos os eventos adversos observados durante o estudo e, caso seja identificada qualquer situação grave com voluntários brasileiros, irá tomar as medidas previstas nos protocolos para a investigação criteriosa desses eventos. O Hospital PUC-Campinas, por meio da sua assessoria de imprensa, informou que, por orientação da Johnson & Johnson, não pode divulgar detalhes sobre a vacinação. Em outra oportunidade, o hospital informou que o objetivo é aplicar a vacina em mil voluntários. Até meados de outubro, mais de duas mil pessoas preencheram o formulário de inscrição para participar dos testes. Ele permanece disponível no site da instituição: https://www.hospitalpuc-campinas.com.br/pesquisas-clinicas/formulario-vac/. Em setembro, a Johnson & Johnson anunciou que começaria a terceira etapa de testes em todo o mundo, com 60 mil voluntários. No dia 29 deste mês, resultados preliminares e parciais apontaram que a vacina era segura e induzia resposta imune mesmo após uma única aplicação. Os resultados eram referentes a uma parte dos participantes das fases 1 e 2, que foram conduzidas de forma conjunta. A vacina da indústria norte-americana tem dois diferenciais importantes, na comparação com as demais: é uma vacina de dose única e seus testes permitem a participação da população em geral, além de profissionais de saúde e outras pessoas ligadas a instituição que realiza as aplicações. Secretaria de Saúde anuncia quatro óbitos por Covid-19 A secretaria de Saúde de Campinas confirmou ontem mais quatro mortes por infecção pelo novo coronavírus. Assim, a cidade atinge a marca de 1.329 óbitos desde o início da pandemia, em março. Outros 14 óbitos ainda estão sendo investigados. De acordo com a secretaria, a cidade registrou, nas últimas 24 horas, 173 novos casos de contaminação e, com isso, chegou a um total de 38.322 pessoas contaminadas pelo vírus. Outros 558 casos ainda estão sendo investigados e aguardam os resultados dos exames. Campinas contava ontem com 205 pessoas internadas com Covid-19 e outras 117 em isolamento domiciliar. Segundo a secretaria, 36.668 pessoas que foram infectadas haviam conseguido se recuperar a doença. Todas as vítimas fatais - uma mulher e três homens - possuíam doenças pré-existentes e três delas tinham mais de 60 anos. O mais jovem era um homem de 48 anos, que morreu no dia 16 de outubro em um hospital privado. A morte por Covid, no entanto, só foi confirmada agora. O Estado de São Paulo registrava ontem 39.549 óbitos e 1.123.299 casos confirmados. Entre o total de casos diagnosticados de Covid-19, 1.023.085 pessoas estão recuperadas, sendo que 123.023 foram internadas e tiveram alta hospitalar. As taxas de ocupação dos leitos de UTI são de 41,9% na Grande São Paulo e 39,3% no Estado. Hoje, os 645 municípios têm pelo menos uma pessoa infectada, sendo 589 com um ou mais óbitos. (AAN)