Cinco meses após ser atingida por uma explosão seguida de incêndio, a Refinaria de Paulínia (Replan) tem permissão para retomar sua capacidade plena
Cinco meses após ser atingida por uma explosão seguida de incêndio, a Refinaria de Paulínia (Replan) tem permissão para retomar sua capacidade plena de processamento de petróleo. Na noite da última quarta-feira, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou, em nota, que desinterditou uma unidade de destilação. No caso, uma das três prejudicadas no incidente. Segundo a ANP, a Petrobras atendeu todas as exigências feitas. O texto informa ainda que resta agora interditada apenas a unidade de tratamento de águas ácidas, mas que isso não interfere na capacidade operacional, pois há outras estruturas que suprem essa finalidade. “O processo de investigação pela ANP continua”, encerra o texto. Até agora, a Petrobras não divulgou os prejuízos. A empresa vai ampliar gradativamente sua capacidade de produção, alcançando 100% até o fim deste mês. Poucos dias após o incidente de 20 de agosto de 2018, Gustavo Marsaioli, coordenador da regional de Campinas do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro), declarou que ninguém se feriu por uma feliz coincidência. Isso, devido a um trabalhador ter deixado uma das áreas sinistradas momentos antes da explosão para ir jantar. Na ocasião, houve protestos por parte dos petroleiros, que reivindicavam a redução do efetivo mínimo e melhores condições de trabalho, que implicassem em menos riscos de acidentes. A mobilização ganhou proporção, na época, com a adesão de trabalhadores de outras unidades de refino filiadas à Federação Única dos Petroleiros (FUP). O Sindipetro informou, em nota, que vem acompanhando os procedimentos e que a direção da entidade mantém contato diário com os petroleiros da Replan. A expectativa é que o episódio não se repita. A Replan é a maior refinaria em capacidade de processamento de petróleo da Petrobras. Diariamente, são processados cerca de 434 mil barris. Sua produção corresponde a aproximadamente 20% de todo o refino de petróleo no Brasil. A Replan se liga aos terminais de Barueri, Guararema e São Sebastião, além de algumas distribuidoras. A refinaria tem área total de 9,1km², abrigando 17 unidades operacionais, entre elas duas de craqueamento catalítico e uma de recuperação de hidrogênio.