CRISE HÍDRICA

Represa Atibainha voltou a operar com volume útil nesta quarta

Segundo maior reservatório do Cantareira recupera volume morto e bombeamento é interrompido

Maria Teresa Costa
11/06/2015 às 19:16.
Atualizado em 23/04/2022 às 10:54
A Represa Atibainha, responsável por parte da água liberada no Rio Atibaia e segundo maior reservatório do Sistema Cantareira (  Cedoc/RAC)

A Represa Atibainha, responsável por parte da água liberada no Rio Atibaia e segundo maior reservatório do Sistema Cantareira ( Cedoc/RAC)

A Represa Atibainha, responsável por parte da água liberada no Rio Atibaia e segundo maior reservatório do Sistema Cantareira, está operando com volume útil. As chuvas que caíram no sistema conseguiram recuperar os 104 bilhões de litros do chamado volume morto — reserva que fica abaixo das comportas e que começou a ser bombeada em agosto — e a iniciar a recuperação do volume útil. Com isso, o bombeamento nessa represa foi suspenso e a água está sendo liberada por gravidade. Nesta quinta-feira, 11, a Atibainha operou com um volume armazenado de 360 milhões de litros. Mesmo assim, o conjunto do sistema ainda é crítico e, pelo segundo dia, operou em 20,1% da capacidade. A conta do empréstimo do volume morto ainda está negativa, em 9,1%.Para pagar essa conta, o sistema terá ainda que recuperar 73,9 bilhões de litros nos reservatórios Jaguari/Jacareí, o maior do sistema e o primeiro a operar com volume morto. Em maio do ano passado, 178,7 bilhões de litros do volume morto desses reservatórios começaram a ser bombeados — 105,8 bilhões, segundo a Agência Nacional de Água (ANA) já tinham sido consumidos até esta quarta. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) informou que a recuperação da Represa Atibainha permitiu que as bombas para captação do volume morto naquele reservatório fossem desligadas desde o dia 3 de junho. “A melhoria no nível da Represa Atibainha e a consequente suspensão temporária do uso das bombas é resultado das ações da Sabesp para reduzir o uso do Sistema Cantareira durante a pior seca de sua história”, informou.O sistema liberou para a região de Campinas 2 metros cúbicos por segundo (m3/s) e 12,4m3/s para a Grande São Paulo. A falta de chuva no sistema e ao longo da calha principal e afluentes dos rios das bacias do Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) está reduzindo a vazão a níveis preocupantes. O Rio Atibaia, que abastece 95% da população de Campinas, registrou uma vazão média ontem de 5,3m3/s, volume que permite abastecer a cidade com tranquilidade, mas que pode refletir na qualidade do manancial. Com baixa vazão, há maior concentração de poluentes, que podem acabar impedido o tratamento da água, como ocorreu no ano passado. InsegurançaO volume de água nos reservatórios e nos rios não é suficiente para garantir a segurança hídrica da região de Campinas. A oferta de água para a região do PCJ é de 408 mil litros anuais por habitante em período de estiagem. Parece muito, mas a Organização das Nações Unidas (ONU) considera a oferta crítica quando fica abaixo de 1,5 milhão de litros ao ano por habitantes. Essa situação torna a Bacia PCJ a terceira mais crítica do Estado de São Pulo, ficando atrás apenas da Bacia do Alto Tietê, onde a oferta é de 200 mil litros por habitante ao ano, e da Bacia do Turvo.Além de enviar água para São Paulo, a bacia do Piracicaba ainda faz exportações internas. A transposição das águas da Bacia Hidrográfica do Piracicaba (com recursos de sua sub-bacia do Rio Atibaia) para o Rio Jundiaí garante o abastecimento de Jundiaí e para o Rio Capivari assegura o completo abastecimento de Campinas. O mesmo ocorre, internamente, da sub-bacia do Atibaia para a do Baixo Piracicaba e da sub-bacia do Jaguari para as do Atibaia e do Baixo Piracicaba, segundo o relatório. O governo do Estado vai aumentar a reserva de água no Sistema Cantareira com a transposição do Rio Paraíba do Sul. A alternativa visa garantir água para a Região Metropolitana de São Paulo. A licitação da obra está suspensa pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), que pediu à Sabesp para refazer o edital. Prevista para estar pronta em 2016, a obra deve atrasar.

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