rendimento mensal

Rico ganhou 36 vezes mais que pobre em 2017

Grupo de 1% de brasileiros com maiores rendimentos recebeu em média R$ 27,2 mil por mês

Agência Anhanguera de Notícias
12/04/2018 às 08:13.
Atualizado em 23/04/2022 às 13:43
Diferenças visíveis: dados do IBGE mostram que desigualdade entre ricos e pobres continua profunda no País (iStock)

Diferenças visíveis: dados do IBGE mostram que desigualdade entre ricos e pobres continua profunda no País (iStock)

Em 2017, os brasileiros mais ricos ganharam 36,1 vezes mais do que metade dos mais pobres. O grupo de 1% mais rico da população teve em 2017 um rendimento médio mensal de R$ 27.213,00. O valor representa, em média, 36,1 vezes mais do que metade do que receberam os mais pobres - cujo renda mensal foi de R$ 754,00. Em 2016, o grupo mais rico ganhava 36,3 vezes mais do que a média do rendimento de metade dos mais pobres. Os dados fazem parte da pesquisa Rendimento de Todas as Fontes 2017, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE), com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). A publicação revela que a massa de rendimento médio mensal real domiciliar per capita, em 2017, foi de R$ 263,1 bilhões. Deste total, os 10% da população com os maiores rendimentos ficaram com 43,3% do total. Já os 10% com os menores rendimentos detinham apenas 0,7%. Para o coordenador da pesquisa, Cimar Azeredo, os números mostram que a desigualdade ainda é grande no País. “Se considerarmos metade da população brasileira, a média de rendimento médio dos 50% que ganham menos é de R$ 754,00 valor mais que 36 vezes menor do que o rendimento da população que ganha os maiores salários, de R$ 27.213,00. Os 10% com os maiores rendimentos chegam a deter 43% de todos os rendimentos pagos no Brasil”, explicou. Regiões Na região Sudeste, a concentração de renda foi ainda maior. Nesta região está a maior parcela da população que reúne rendimento médio mensal do grupo de 1% mais ricos. No Sudeste, este grupo chegou a ter concentração 33,7 vezes superior ao rendimento médio mensal real de 50% da população com os menores rendimentos - em 2016, a relação era de 36,3 vezes. A região que apresentou a menor relação foi a Sul (25 vezes em 2017 e 24,6 vezes em 2016). Também foi o Sul que teve a menor desigualdade, com 25 vezes em 2017 e 24,6 vezes em 2016. Rendimento do trabalho Os dados do IBGE indicam que, em 2017, as pessoas que tinham rendimento de trabalhos correspondiam a 41,9% da população, o equivalente a 86,8 milhões de pessoas. Em 2016, o percentual chegava a 42,4%. O chamado rendimento de outras fontes mais frequente veio de aposentadorias e pensões. Em 2017, 14,1% da população recebia esses benefícios, e 7,5% recebiam outros rendimentos como seguro-desemprego, programas de transferência de renda do governo ou poupança, índice similar ao de 2016. A pesquisa constatou que o percentual de famílias que recebiam o Bolsa Família caiu 0,6 ponto percentual entre 2016 e 2017, passando de 14,3%para 13,7%. A maior parte das famílias que recebiam esse benefício estavam nas regiões Norte e Nordeste, com respectivamente 25,8% e 28,4% dos domicílios. Cor, sexo e instrução A pesquisa mostram ainda a continuidade de distorção histórica do mercado de trabalho: a desigualdade salarial entre homens e mulheres, cor e raça e por nível de escolaridade. Os homens continuaram ganhando mais do que as mulheres. Para eles, o rendimento médio mensal era de R$ 2.410,00, contra R$ 1.868,00 para elas - ou seja, o equivalente a 77,5% do rendimento masculino. Do ponto de vista da cor e da raça, o IBGE constatou que o rendimento médio mensal das pessoas brancas era, em 2017, de R$ 2.814,00, contra R$ 1.606,00 para pessoas pardas e R$ 1.570,00 para as negras. A mesma distorção foi observada quando se considera o grau de escolaridade - quanto maior o nível de estudos, melhor o salário. “As desigualdades pelos cortes de cor chega a quase à metade dos valores. Essa diferença persiste porque há, no Brasil, como em outras partes do mundo, maior rendimento para aqueles que têm nível superior. Só que a participação de pessoas não brancas com essa escolaridade é muito baixa”, acrescentou Azeredo. Segundo o levantamento, as pessoas que não possuíam nenhuma instrução apresentaram o menor rendimento médio: R$ 842,00. Por outro lado, o rendimento das pessoas com ensino fundamental completo ou equivalente era 67,3% maior, chegando a R$ 1.409,00.

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