Campinas receberá R$ 300 mil do Fundo de Desenvolvimento
Os municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC) receberão R$ 1,5 milhão para ações que visam evitar epidemia de arboviroses, doenças como dengue, zika e chikungunya, que são transmitidas por insetos, já no próximo Verão. O recurso virá do Fundo de Desenvolvimento da RMC (Fundocamp) e foi aprovado terça-feira, em Valinhos, pelos prefeitos das 20 cidades e representantes do Estado para ser usado em ações preventivas. Com a reintrodução do sorotipo 2 na região, vírus mais agressivo da dengue, e uma população grande ainda suscetível a ele, se houver uma infestação elevada de Aedes aegypti, há o risco de ocorrer uma situação mais crítica no próximo Verão, disse ontem o superintendente da Superintendência de Controle de Endemias do Estado (Sucen), Dalton Pereira Fonseca Jr. O sorotipo 2 está circulando com mais frequência no País e, segundo o Ministério da Saúde, ele ultrapassou o sorotipo 1, que era mais comum e considerado menos agressivo e o que mais circulava no País desde 2009. No ano passado, o tipo 2 respondeu por 54,3% das infecções, contra 40,1% do tipo 1. A reintrodução do sorotipo 2 na região é uma preocupação do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) de Campinas, justamente por ser um vírus mais agressivo e porque, como parte da população brasileira já foi infectada pelo tipo 1, a ocorrência de uma segunda infecção por outro sorotipo aumenta o risco de desenvolvimento de uma das formas graves da doença, que pode levar à morte, como a febre hemorrágica. Segundo a Sociedade Brasileira de Dengue e Arboviroses, o risco maior em uma segunda infecção pela doença está relacionado à resposta imunológica do paciente que já contraiu o vírus uma vez. Como já existem anticorpos contra um tipo de dengue no organismo, há uma reação inflamatória exacerbada, que prejudica o organismo, mas que não consegue neutralizar o novo sorotipo. O risco de desenvolvimento de uma forma grave da dengue é de 15 a 20 vezes maior quando se trata de uma segunda infecção. Campinas teve epidemias de dengue em 2014 e 2015, com 42.109 e 65.634 casos confirmados foram confirmados, respectivamente. No ano passado, foram 131 ocorrências e este ano, até o último dia 7, os registros confirmam 269 casos. Este ano, as ocorrências confirmadas da doença dobraram em relação as ocorridas em todo 2017, mas sem definição do sorotipo. Já em relação à zika, foram 43 casos ano passado e 18 este ano e mais 25 de chikungunya em 2017 e 20 este ano. O projeto de prevenção aprovado ontem para a RMC deve proporcionar aos municípios, segundo a Sucen, uma infraestrutura mínima para que eles, a partir de uma avaliação dos indicadores, dos níveis de infestação, de criadores encontrados, possam executar ações de mobilização da população e de combate e eliminação de criadouros na visita casa a casa. Com o dinheiro, informou a diretora executiva da Agência Metropolitana de Campinas (Agemcamp), Ester Viana, as prefeituras comprarão tela para proteção de caixas d´água, bags para recicláveis, kit de diagnóstico para teste rápido e equipamento de inspeção de calhas para detecção de criadores de Aedes aegypt e Aedes albopictus. O recurso será distribuído por grupos de municípios, de acordo com o número de domicílios. Engenheiro Coelho, Holambra, Morungaba e Santo Antônio de Posse terão R$ 20 mil cada para as ações. Artur Nogueira, Cosmópolis, Jaguariúna, Monte Mor, Nova Odessa, Pedreira e Vinhedo receberão R$ 40 mil, enquanto Atibaia, Paulínia e Valinhos, R$ 75 mil cada. Americana, Hortolândia, Indaiatuba, Santa Bárbara d´Oeste e Sumaré terão R$ 130 mil, enquanto Campinas, R$ 300 mil. Segundo Ester, a meta do projeto é reduzir o número de caixas d´água e de imóveis que se configuram como criadouros do Aedes aegypti, além de reduzir o número de criadouros do mosquito e, com isso, a expansão das arboviroses.