Cerca de 30 mil árvores originárias da Mata Atlântica espalham flores amarelas pela cidade
As sibipirunas estão enchendo de amarelo as calçadas de Campinas com suas pequenas flores. Originárias da Mata Atlântica, elas são bastante presentes na arborização urbana da cidade. O secretário de Serviços Urbanos, Ernesto Paulella, estima que existam cerca de 30 mil dessas árvores nas ruas e praças da cidade, que começaram a ser plantadas na década de 1940. É uma árvore excepcional: além da beleza, elas reduzem o calor gerado no ambiente urbano e ajudam a combater a poluição e as enchentes. “Elas são grandes caixas de água”, diz o engenheiro florestal José Hamilton Aguirre, que em 2007 fez um censo da arborização urbana do Cambuí e que foi atualizado em 2017, período em que as sibipirunas saíram de 261 exemplares para 230. A redução ocorreu, segundo ele, apesar de continuar havendo novos plantios. O problema é que as árvores já são velhas e quando caem ou são extraídas acabam sendo substituídas por outras espécies. Em quantidade, a sibipiruna só perde para as diversas cores de ipê no Cambuí. Há, segundo o último censo, 848 ipês no bairro. Essas árvores, segundo Aguirre, absorvem 60% da água de chuva de intensidade média nas duas primeiras horas. Parte dessa água evapora melhorando o microclima local. Outra parte escorre suavemente pelo caule até a raiz, processo que colabora para redução de enchentes. Um estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), de 2001, diz que a sibipiruna está entre as cinco espécies que se destacam para atenuar a radiação solar e oferecem conforto térmico ao ambiente. Ela lidera esse ranking, com 88,5% de atenuação, seguida da chuva-de-ouro e do jatobá com 87,2%, da magnólia, com 82,4% e do ipê-roxo, com 75,6%. O secretário de Serviços Públicos, Ernesto Paulella, acrescenta outros atributos à sibipiruna. Uma árvore adulta, segundo ele, consegue jogar na atmosfera todo dia 280 litros de água em forma de vapor, colaborando para aumentar a umidade do ar. Nessa tarefa, ela retira cerca de 1,5 mil litros de água diários do subsolo. Além disso, diz Paulella, a sibipiruna tem grande capacidade de filtrar gás carbônico no processo de fotossíntese. “No processo de exsudação, ela filtra de uma a duas toneladas métricas de gás carbônico, quantidade equivalente a um carro à gasolina andando 8 horas por dia”. “Se a população tivesse mais informação sobre a utilidade de uma árvore no meio urbano, todo mundo teria uma árvore em frente de casa, especialmente a sibipiruna”, disse o secretário. Segundo ele, a espécie continua sendo plantada, mas privilegiando praças e canteiros centrais por causa do grande porte. Até os anos 1940, os viveiros municipais produziam alecrins, ipês amarelo e roxo, paineiras, jacarandás-mimosos e rosas enxertadas. A sibipiruna foi introduzida na arborização da cidade pelas mãos do pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Hermes Moreira de Sousa, e o esforço de um funcionário da Prefeitura, Francisco Vivaldi. Houve a ampliação dos viveiros municipais e a multiplicação do material básico de arborização fornecido pela instituição, entre 1950 até pouco mais de 1970. Iniciou-se a utilização das sibipirunas, tipuanas, bauhínias, resedás, resedás-gigantes, triplaris e muitas outras espécies, alcançando uma diversidade nunca encontrada em outra cidade brasileira na época.