PRIMAVERA

Sibipirunas colorem calçadas e ruas

Cerca de 30 mil árvores originárias da Mata Atlântica espalham flores amarelas pela cidade

Maria Teresa Costa
12/10/2019 às 09:52.
Atualizado em 30/03/2022 às 11:11

As sibipirunas estão enchendo de amarelo as calçadas de Campinas com suas pequenas flores. Originárias da Mata Atlântica, elas são bastante presentes na arborização urbana da cidade. O secretário de Serviços Urbanos, Ernesto Paulella, estima que existam cerca de 30 mil dessas árvores nas ruas e praças da cidade, que começaram a ser plantadas na década de 1940. É uma árvore excepcional: além da beleza, elas reduzem o calor gerado no ambiente urbano e ajudam a combater a poluição e as enchentes. “Elas são grandes caixas de água”, diz o engenheiro florestal José Hamilton Aguirre, que em 2007 fez um censo da arborização urbana do Cambuí e que foi atualizado em 2017, período em que as sibipirunas saíram de 261 exemplares para 230. A redução ocorreu, segundo ele, apesar de continuar havendo novos plantios. O problema é que as árvores já são velhas e quando caem ou são extraídas acabam sendo substituídas por outras espécies. Em quantidade, a sibipiruna só perde para as diversas cores de ipê no Cambuí. Há, segundo o último censo, 848 ipês no bairro. Essas árvores, segundo Aguirre, absorvem 60% da água de chuva de intensidade média nas duas primeiras horas. Parte dessa água evapora melhorando o microclima local. Outra parte escorre suavemente pelo caule até a raiz, processo que colabora para redução de enchentes. Um estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), de 2001, diz que a sibipiruna está entre as cinco espécies que se destacam para atenuar a radiação solar e oferecem conforto térmico ao ambiente. Ela lidera esse ranking, com 88,5% de atenuação, seguida da chuva-de-ouro e do jatobá com 87,2%, da magnólia, com 82,4% e do ipê-roxo, com 75,6%. O secretário de Serviços Públicos, Ernesto Paulella, acrescenta outros atributos à sibipiruna. Uma árvore adulta, segundo ele, consegue jogar na atmosfera todo dia 280 litros de água em forma de vapor, colaborando para aumentar a umidade do ar. Nessa tarefa, ela retira cerca de 1,5 mil litros de água diários do subsolo. Além disso, diz Paulella, a sibipiruna tem grande capacidade de filtrar gás carbônico no processo de fotossíntese. “No processo de exsudação, ela filtra de uma a duas toneladas métricas de gás carbônico, quantidade equivalente a um carro à gasolina andando 8 horas por dia”. “Se a população tivesse mais informação sobre a utilidade de uma árvore no meio urbano, todo mundo teria uma árvore em frente de casa, especialmente a sibipiruna”, disse o secretário. Segundo ele, a espécie continua sendo plantada, mas privilegiando praças e canteiros centrais por causa do grande porte. Até os anos 1940, os viveiros municipais produziam alecrins, ipês amarelo e roxo, paineiras, jacarandás-mimosos e rosas enxertadas. A sibipiruna foi introduzida na arborização da cidade pelas mãos do pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Hermes Moreira de Sousa, e o esforço de um funcionário da Prefeitura, Francisco Vivaldi. Houve a ampliação dos viveiros municipais e a multiplicação do material básico de arborização fornecido pela instituição, entre 1950 até pouco mais de 1970. Iniciou-se a utilização das sibipirunas, tipuanas, bauhínias, resedás, resedás-gigantes, triplaris e muitas outras espécies, alcançando uma diversidade nunca encontrada em outra cidade brasileira na época.

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